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Política

Brasil inconsertável – 11ª parte

Brasil inconsertável – 11ª parte

Amigos leitores, chamou-me atenção uma nota publicada ontem, quinta-feira, 08 de dezembro de 2016, na primeira página do jornal metro (Edição nº 662, ano 3) distribuído gratuitamente nas ruas da Grande Vitória, ES. O Editorial dizia o seguinte:

DEIXEM O PAÍS TRABALHAR

“Em meio a uma crise que cresce no país – onde muitos veem exageradamente um choque perigoso entre instituições – vai ficando em segundo plano o que deveria ser encarado e enfrentado como o maior de todos os desafios: o descalabro econômico, arrastando empresas, provocando desemprego e sofrimento.

O espaço ocupado pela discussão política e pela busca de soluções para os problemas – que são, de fato, reais – não pode e não deve, no entanto, obscurecer o campo vital da economia. O melhor das energias do país precisa se voltar para a sua sobrevivência.

Nunca se viu uma crise como a que domina a atividade econômica. Onde se lê “desemprego de 12 milhões”, acrescente-se “30, 40 milhões de vítimas”. Isso não pode piorar mais. O descalabro econômico – que ainda fora das manchetes – atingiu um ponto insuportável.

Senhores políticos, autoridades dos Três Poderes, esqueçam os holofotes, já é hora de aplainar o caminho e pensar no Brasil real. Deixem o país trabalhar.

Essa é a opinião do Grupo Bandeirantes de Comunicação”.

Minha opinião. Vivemos na República Federativa do Brasil – internacionalmente conhecida como “República das Bananas”, onde o Zé Carioca se esbaldou. O Brasil é o nosso país, o maior da América do Sul e da região da América Latina, o 5º maior país do mundo em área territorial, representa 47% do território sul-americano. O Relógio da população do Brasil marcava no dia de hoje, 09/12/2016, as 11h38min39seg, uma População atual de 210.618.421 de entes vivos. O Zé Carioca foi criado em 1942 por Walt Disney e não está na estatística populacional acima, hoje falecido e enterrado nos Estados Unidos da América do Norte.

O Brasil, independente das suas Regiões delimitadas geograficamente para efeito de fugaz estatística e determinação de regional naturalidade, está literalmente dividido em duas partes: na primeira parte habitam as pessoas que “estão a favor” do sistema e na segunda parte habitam as pessoas que “estão contra” o sistema. Podemos subdividir cada uma dessas duas partes em três lóbulos: no primeiro lóbulo estão as pessoas que trabalham; no segundo lóbulo estão as pessoas que não trabalham; no terceiro lóbulo estão as pessoas que atrapalham todas as outras anteriores. Dito isso, não dá para identificá-las porque os indivíduos migram constantemente de um lugar para outro lugar, mudando comportamentos, e aí meu caro, fodeu!

Segundo pesquisa realizada ano passado pela Global Ipsos em 33 paises ao redor do mundo sobre o tema “Perils of Perception” – Perigos da Percepção – avaliando os problemas internos e as características intrínsecas de cada um desses paises pesquisados, ficou revelado que o Brasil é o 3º país mais ignorante do mundo. Ignorante no sentido de pessoa sem instrução, que desconhece determinados assuntos, que não está ciente dos fatos. Qualificar esse ignorante como grosseiro, rude e estúpido aqui, no caso da pesquisa, não se aplica. Por outro lado, sabemos que os brasileiros não têm nada de inocente, de modo que a sua malícia é inata – desconfia da própria mãe quando esta lhe oferece apenas um seio para chupar (mamar). A percepção do brasileiro é dúbia.

De todo modo, nesse momento, eu não entrarei no mérito das pesquisas mundiais realizadas no âmbito educacional porque o Brasil é ranqueado sempre nas últimas posições; isso nos deixaria mais tristes e pioraria a nossa análise. Essa hierarquia crescente ou decrescente de valores na educação tem favorecido a construção da péssima imagem do Brasil. Os indivíduos menos favorecidos educacional e culturalmente têm poder de voto dado pelo Estado. Juntamos a essas pessoas os analfabetos totais e funcionais, além dos jovens com idade inferior a 18 anos (a partir de 16), que ganharam o direito do voto opcional – este universo decide os pleitos. Políticos de mau agouro são eleitos pelo “quantitativo” de votos desqualificáveis na essência. Esse é o “Brasil real”. Esperar do futuro o quê? Queixamo-nos de tudo e de todos, sem o mínimo de culpa, e o que é pior, não queremos entender a raiz do problema – causas e efeitos são decorrentes. O país sobrevive com ajuda de aparelhos.

Deixem o país trabalhar. Como? Uma pergunta que ninguém consegue responder. O Inferno brasileiro é interessante: quando a produção de merda está a pleno vapor faltam baldes para carregá-la; quando temos os baldes falta merda. Recursos não faltam, faltam inteligências. Ou, num cenário de trevas provocadas onde poucos se beneficiam, a corrupção move a máquina sem a necessidade de baldes. O Brasil não consegue funcionar dentro de uma atmosfera de total honestidade – isso é cultural. A “Lei de Gerson” é outra coisa.

Não estou contra o editorial do Grupo Bandeirantes de Comunicação, muito pelo contrário, até acho oportuno, como achei apropriada a matéria veiculada na página 09 (Economia) do jornal metro (www.metrojornal.com.br), edição nº 656, de quarta-feira, 30 de novembro de 2016. O assunto é muito importante. Leia-se: Cartão de crédito. Comissão aprova projeto que limita juro. “A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou ontem um projeto que define um teto para o juro do cartão de crédito equivalente ao dobro do CDI, próxima à Selic, hoje em 14% ao ano. Ou seja, caso a proposta já estivesse em vigor, o limite da taxa cobrada pelos bancos no chamado rotativo, quando o cliente financia parte da fatura, seria de cerca de 28% ao ano. […]”. Espero que o metrojornal acompanhe de perto o andamento deste projeto.

Como podemos observar, essa é uma das razões porque a miséria tomou conta dos lares brasileiros. Além do desemprego em níveis elevadíssimos (hoje são contabilizados 13 milhões de desempregados + 52 milhões de vítimas diretas, familiares dependentes), além do brutal endividamento das famílias, as administradoras de cartões de crédito achacam sem piedade os consumidores cobrando juros que variam na média entre 17,70% a 19,70% ao mês de juros no rotativo, e CET financiamento = 674,72% ao ano. Quem aguenta uma roubalheira dessas – agiotas legalizados que acumulam lucros estratosféricos com o sangue da população.

O descalabro econômico, que ainda fora das manchetes, pode perfeitamente entrar nas manchetes caso a imprensa cumpra com o seu papel de informar, de acompanhar o dia a dia dos governos, de denunciar desvios, de cobrar soluções das autoridades constituídas. Nesse país onde se questiona a falta de compromisso de todos os Poderes da República, a imprensa se apresenta como fiel da balança, como uma instituição que ainda goza de credibilidade.

Nessa linha, vale ressaltar que hoje, dia 09 de dezembro, comemora-se o Dia Internacional de Combate à Corrupção. Um dia simbólico para todos nós que queremos ver o Brasil livre dessa praga e dos corruptos que insistem em praticá-la. Num evento, o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União deu uma informação preocupante nesta sexta-feira (09): “Um total de 6.130 servidores foram expulsos do serviço público entre 2003 e 2016. Destes, 65% estavam envolvidos em corrupção, o que representa quase 04 mil servidores. Apenas em 2016, foram expulsos do serviço público 471 funcionários. […] Desde 2003 foram deflagradas 247 operações de combate a corrupções. Essas operações foram realizadas em ações que somam R$ 4 bilhões”. Um dinheiro que poderia ser empregado nas áreas da saúde e da educação. A propósito, essas duas áreas foram as mais afetadas com essas práticas corruptas. Com toda a Operação Lava-Jato em plena atividade, mesmo assim não causou inibição e intimidação aos corruptos. É por isso que as crises são crescentes no Brasil. A pena de morte é pouca!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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