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Política

O PT vai acabar? Sétima parte

1Jornal METRO BRASÍLIA, quarta-feira, 12 de agosto de 2015. Manifesto. Juristas defendem que Dilma renuncie ao cargo. Um manifesto assinado por juristas pede a imediata renúncia da presidente Dilma Rousseff com a justificativa de “preservar as instituições”. Os motivos seriam, segundo o documento, as denúncias de corrupção durante os dois mandatos do ex-presidente Lula e do governo Dilma. “A comunidade jurídica declara que urge um gesto de grandeza política, para que a senhora presidente preserve tanto as instituições que jurou defender como sua própria biografia. Renúncia já”, pede o documento. O movimento é liderado por Flávio Bierrenbach, ex-ministro do STM (Superior Tribunal Militar) e ex-deputado pelo antigo MDB. O manifesto conta com apoio dos ex-ministros da Justiça do governo FHC José Gregori e Miguel Reale.

Parece-me uma atitude simplista. O manifesto fala claramente em corrupção praticada nos dois mandatos de Lula (2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010) e no governo de Dilma Rousseff (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015), portanto, foi sistêmica e endêmica na administração petista, sem interrupções. Temos aí um total de 12 anos e meio, mais precisamente 12 anos, 07 meses e 13 dias, até hoje, quinta-feira, 13 de agosto de 2015 – um dia simbólico, 01 ano faz da morte de Eduardo Campos (1965-2014). O que foi feito, efetivamente, pelas Instituições (que queremos agora preservar) para estancar a hemorragia dos cofres públicos? Nada, praticamente nada. Nesse período a corrupção foi regulamentada pelo PT e seguida à risca pelos políticos como dever de ofício, sob o olhar omisso das Instituições que deveriam tomar providências legais, constitucionalmente. Não tomaram. Enquanto os ministros do Supremo Tribunal Federal faziam longínquos e cansativos discursos no julgamento da Ação Penal 470, gerada pelo Mensalão, as ratazanas palacianas, juntamente com os ratos privados, assaltavam a Petrobras e outras estatais como restou comprovado na Eletronuclear. O que foi feito? Nada. Tratamos os ladrões da República com total parcimônia, aplicando-lhes (aos poucos ratos capturados) penas brandas, muito aquém do que poderíamos considerar de justas, ou na mesma intensidade dos crimes praticados. A Justiça, ou a falta dela, desencantou os cidadãos de bem e estimulou bandidos menores a ingressar no mundo do crime, certos de que usariam os maus exemplos de cima para justificar as suas práticas delituosas. Lamento. É triste falar nisso, todavia, deixamos passar 12 anos, 07 meses e 13 dias para sugerirmos a renúncia da mandatária do país, agora que o corpo do Estado está putrefato ainda em vida. Não seria tarde demais? Ademais, não acredito que manifestos trarão resultados, senão as manifestações populares, a força do povo nas ruas pressionando e encurralando os corruptos nos guetos imundos, lugares de onde nunca deveriam ter saído – o povo os colocou no Poder e só o povo pode tirá-los de lá, nem que seja a fórceps.

O maior “gesto de grandeza política”, declarado pela comunidade jurídica no manifesto, seria, a meu sentir, o político corrupto parar com a corrupção, se entregar à Polícia e confessar os seus crimes. Piada de brasileiro. É mais fácil a galinha criar dentes. Corruptos são como porcos comendo no mesmo cocho, quando acaba a lavagem cometem canibalismo. Nesses últimos 12 anos, 07 meses e 13 dias o nome “Lula” foi o mais pronunciado no noticiário político, ganhou maior notoriedade pela exposição na mídia nacional. Errou profundamente, a “indústria cultural” deu, além da conta, valor a quem não tinha, supervalorizou um “produto de terceira categoria” que ganhou Merchandising gratuito. O povo comprou gato por lebre, saboreou até o último pedaço e hoje sofre de gastrite crônica. O ex-presidente Lula, aproveitando-se da sua imagem pública “trabalhada”, deu início a uma nova atividade: Lobista. Que digam as empreiteiras, que o chamam carinhosamente de “Brahma”. Lula é o Brahma na organização criminosa, não “Brahmista” ou “Brahmeiro”. O Brahma foi citado por personagens ilustres presos na Operação Lava-Jato, que chegaram a afirmar que ele participava da engenharia de corrupção. O pai de Marcelo Odebrecht, Emilio Odebrecht, já teria autorizado os seus advogados a discutir o assunto da delação premiada do seu filho com o Ministério Público Federal. Se Marcelo Odebrecht fechar o acordo de delação premiada, o que é possível, face às novas revelações a acrescentar no processo, a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro têm que providenciar mais vagas para prenderem políticos com exposição na mídia nacional.

Pelo visto, não eram só o José Janene (morto em 2010) e o José Dirceu que tinham material explosivo para derrubar o Lula, o Brahma – agora Marcelo Odebrecht dá sinais de que também possui munição de guerra. Não é à toa que o PT quer Lula ministro de Dilma para voltar a ter foro privilegiado, ou seja, em caso de formalização de denúncia só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal e, quando o for, terá comido muitas lebres no lugar de gatos. O PT não pode dizer que os escândalos da Petrobras foram intrigas da oposição a fim de sujar a imagem do Partido dos Trabalhadores em ano eleitoral e com isso conquistar a confiança dos eleitores a favor do senador Aécio Neves, oponente de Dilma em 2014. As provas que surgem a cada instante são contundentes. O escândalo de corrupção na maior estatal brasileira teve origem no primeiro mandato de Lula, sobre ele recai a responsabilidade maior de dar as explicações. Agora, se ele as dará ou não ninguém sabe. O expediente usado pelo ex-metalúrgico e ex-(atual) presidente será sempre o mesmo: “Não sei de nada, não vi nada e não ouvi nada companheiro, por isso, não falarei nada”. Foi assim na época do Mensalão e não será diferente agora. O Partido dos Trabalhadores está trabalhando no submundo da política para apontar novos bodes expiatórios, bois de piranha e os Judas da vez que serão imolados em rituais macabros – mas nunca o PT dará uma virgem aos Deuses.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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