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Política

Pedro e o galo

Pedro e o galo

Amigos leitores, eu escreverei agora sobre um tema romântico, pra lá de apaixonante, deveras intrigante: “Ignorância”. Vou escrever, a despeito da polêmica, e em poucas palavras, sobre um assunto da maior relevância, a meu sentir, bem define determinadas pessoas pela gritante falta de conhecimento dos acontecimentos contemporâneos; indivíduos condicionados ao flagelo educacional, cultural e intelectual – praga desgraçada que mexe com a imaginação e com o comportamento dos homens, tornando-os imbecis em diferentes níveis de estupidez. A ignorância manifesta é como uma inocente plantinha, que nasce totalmente frágil, sutil, carece de cuidados especiais para o seu saudável crescimento, a exemplo da adubação da terra, escoras, podas, molhadura e acompanhamento constante. O Partido dos Trabalhadores, como dever de ofício, especializou-se em cultivar a ignorância e colheu boas safras ao longo de doze anos e meio que está no poder da República.

O acaso pariu um ser escatológico, essa figura é Luiz Inácio Lula da Silva, é aquele ente que diz: “Quando eu morrer nada mais haverá”. Em vida, acredita na aniquilação do futuro das novas gerações, porque trabalha o presente com essa finalidade – Lula não possui qualquer consciência acerca do futuro; se o passado o condena, faz de conta que não é com ele. Com consciência ideológica, Lula criou uma nova ordem: o “Lulismo”. Segundo André Singer – ex-porta-voz de Lula e petista de carteirinha, em seu livro “Os Sentidos do Lulismo” (Companhia das Letras) –, o termo ‘Lulismo’ é assim definido: “Trata-se da relação estabelecida por Lula com os mais pobres, os quais, beneficiados por um conjunto de políticas voltadas para melhorar as suas condições de vida retribuíram na forma de apoio maciço e, em algumas regiões, fervoroso, da eleição de 2006 em diante”. Guardadas as suspeitas nascidas da relação de amizade e partidária entre Lula e Singer, coloco mais dois ingredientes nessa regra de cartilha: o populismo e as promessas santificadas de salvação.

Lula, um político semi-analfabeto e desprovido de cultura, mas, portador da inteligência dos macacos bonobos, da astúcia das raposas e da sacanagem das galinhas. Com toda essa “formação acadêmica” foi fácil para Lula o exercício do populismo. Como líder carismático, por natureza nordestina, adotou um estilo próprio de governar, usou sindicatos para se projetar, depois utilizou a máquina pública para conquistar e cristalizar o poder, para nele se perpetuar e/ou permitir que descendentes seus o fizessem – locupletando-se, nutrissem-se do Estado. Igualando-se aos milhões de ignorantes pela direta identificação, incorporou o espírito do Padim Ciço, mobilizou as massas, concedendo-lhes benefícios pífios (migalhas aos pombos), arregimentou trabalhadores da desordem, guindou os pobres à classe média e os miseráveis à condição de pobres orgulhosos. Como disse André Singer: “Trata-se da relação estabelecida por Lula com os mais pobres”. Caso contrário não teria chegado aonde chegou. Lula é ungido pela bestialidade.

A característica bestial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é intimidatória, uma espécie de redoma impenetrável. Advogados de Lula, Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, fizeram uma “reclamação disciplinar” contra o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado por ter sido responsável pela abertura de inquérito na esfera da PRDF – Procuradoria da República do Distrito Federal contra o ex-presidente pela prática de “tráfico de influência internacional”. O corregedor do CNMP – Conselho Nacional do Ministério Público, Alessandro Tramujas Assad, disse que a “reclamação disciplinar” atende aos requisitos de admissibilidade e deu um prazo de dez dias para que o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado se pronuncie a respeito. Assad abriu investigação sobre a conduta de Furtado, considerando que os questionamentos dos advogados de Lula são suficientes. Suficientes também são os indícios apontados pelo procurador Mendes Furtado; de modo que as viagens feitas por Lula em abril de 2013, pagas pela Odebrecht, a Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, não foram só pelo simples turismo, pela bela companhia dos corruptos e corruptores. Não são supostos crimes, há provas da interferência direta de Lula nos negócios escusos (Contratos) junto a agentes públicos estrangeiros, fechados com dinheiro do BNDES, porque a Odebrecht precisava de uma “fonte de financiamento”, mascarada sob o título de “empréstimos legais” com a chancela de alguém bem próximo ao poder. É a força de Lula, a força que nasce da “ignorância”, que domina tudo e a todos. A simples quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula provavelmente revelasse os seus crimes. Quem ousa fazê-lo? Talvez as suas “promessas santificadas de salvação” tenham anestesiado o povo e neutralizado a Justiça.

Tantos outros caudilhos atuam na política brasileira, sob holofotes ou na clandestinidade, atores da “democracia representativa”. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conhecem a gênese da desonestidade. O primeiro fala em vingança e promete “explodir o governo” caso sofra consequências da Operação Lava-Jato. Renan Calheiros monta no seu cavalo branco e espera a hora para cavalgar nas pradarias da impunidade, certo de que tem uma boa moeda de troca para negociar com o governo. Seria uma “grave ameaça” a tal moeda de troca, uma informação bombástica que provocasse a queda da República? A gênese da desonestidade está na prática comum; desonestidade combatida fervorosamente pelo ministro da Justiça quando a atribuem à presidenta Dilma Rousseff. “Conheço a presidente há muitos anos. Toda pessoa tem defeitos. Não está entre os defeitos da presidenta Dilma Rousseff a desonestidade” – disse o ministro José Eduardo Cardoso em depoimento à CPI da Petrobras. Cardozo é um quase eficiente escudo de defesa usado pela presidente Dilma Rousseff e pelo PT. Mesmo que tentem melar a Operação Lava-Jato, saibam que o povo, mais cedo ou mais tarde, os tirará do poder; poder este que não os pertence. Não saberia dizer o que é pior para o país, se uma “Democracia Extrativista” ou uma “Ditadura Tropicaliente” ao estilo Rede Globo. Ali Babá não roubava diretamente, o trabalho sujo ficava a cargo dos 40 ladrões. Saber do roubo, deixar roubar e não fazer nada caracteriza cumplicidade, implica em co-autoria, além de “Omissão imprópria” – Nos crimes omissivos impróprios, ou comissivos por omissão, a pessoa desatende a um dever legal de evitar resultado indesejável.

Eduardo Cunha anunciou o rompimento com o governo de Dilma Rousseff porque, segundo ele, a presidente, com o apoio do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, estaria fazendo um conluio para persegui-lo e tirá-lo da presidência da Câmara dos Deputados. Como se sabe, é das mãos de Eduardo Cunha que nascerá uma eventual abertura de processo de Impeachment contra a petista. No meio desse imbróglio todo, quem está gostando é o Palácio do Planalto, que não esconde a satisfação pelo teórico enfraquecimento de Eduardo Cunha, desafeto declarado de Dilma. Há uma possibilidade de Rodrigo Janot pedir o afastamento de Eduardo Cunha no Supremo Tribunal Federal, onde a qualquer momento pode oferecer denúncia contra o peemedebista por ter pedido e recebido propina do esquema da Petrobras – é o que disse o consultor Júlio Camargo em novo depoimento na quinta-feira, 16/07/2015, à Justiça Federal do Paraná. Júlio Camargo afirmou que foi “pressionado” pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a pagar pessoalmente a ele o montante de US$ 5 milhões – “pixuleco” devido para que um contrato de navios-sonda fosse “viabilizado” pela Petrobras. Sem citar nomes, porque passariam de milhares, verifica-se que as relações promíscuas entre governo e empresas, entre o público e o privado, têm causado incontáveis prejuízos à Ordem Econômica brasileira e deturpação das Instituições – pessoas que se nutrem da desonestidade aberta, da imoralidade declarada e da degradação moral velada.

O presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) também tem apontadas para as suas costas armas letais e há quem diga que a cova já está aberta. Tarefa difícil imaginar o que vai acontecer daqui pra frente, nunca se viu um recesso parlamentar tão tumultuado como este. Por outro lado, todo mundo está sendo acusado de alguma coisa e de alguma forma, exceto o Judiciário, que não está a salvo de “acusações anônimas” – quem não tiver pecado que jogue a primeira pedra. A situação é muito complicada, a crise institucional é grave. Há uma clara fragilidade na governabilidade do país, Dilma Rousseff foi acossada e jogada nas cordas até agora, durante todo o período do seu segundo mandato. O país parou. O Brasil precisa vencer os desafios políticos, com primazia, para que tenha paz e retomar a caminhada, caso contrário a desafiadora instabilidade criará monstros ctônicos. O momento é para intervenção.

Se fosse apenas a crise causada pela Operação Lava-Jato, o país teria um único foco de críticas, um único pecado capital para ser perdoado por Deus. Não é bem assim, o Inferno brasileiro é bem maior do que pensávamos e habitado por uma população de capetas que se multiplicam totalmente sem controle. A todo instante a imprensa noticia uma fraude diferente praticada por Diabos reincidentes, especializados em toda sorte de crimes. No Brasil, não existe região à prova de falcatruas, não existe uma área sequer da atividade pública isenta de participação em algo errado. Neste primeiro trimestre de 2015, 266 servidores foram “expulsos” de órgãos do poder executivo federal. Segundo relatório da CGU – Controladoria-Geral da União, mais de 5000 funcionários públicos, a maioria por corrupção, foram expulsos da administração federal nos últimos 12 anos, ou seja, no governo petista. Será que os maus exemplos vindos de cima estimularam práticas delituosas?

Hoje mesmo, lendo o BLOG do jornalista Claudio Julio Tognolli: “Empresa que dá rombo à Petrobras teve perdão de meio bilhão! Relator nomeado por Lula perdoou dívida de meio bilhão da Braskem (Odebrecht+Petrobras)”. Antes dessa informação eu tinha tomado conhecimento de outra: “Gráfica ligada ao PT girou R$ 67,7 milhões em 5 anos, aponta PF. Relatório de Inteligência Financeira da Operação Lava-Jato mostra que a Editora Gráfica Atitude, sob suspeita de ter sido usada para captar propinas para o PT, movimentou R$ 67,7 milhões entre junho de 2010 e abril de 2015. A gráfica, controlada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, entidade ligada ao PT, é alvo de uma investigação da Polícia Federal que atribuiu ao ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do esquema da Petrobras”. Dá pra ser feliz?

Tudo caminha para o PMDB lançar candidato próprio em 2018, visando a cadeira presidencial. O PMDB está no poder “oficiosamente”, fato que incomoda o partido. Agarrar-se ao PT como um carrapato de boi foi uma escolha programada – com a pecha de aproveitador e oportunista o PMDB tenta se deslocar do PT para não receber respingos desnecessários diante de uma derrocada inevitável. A situação do PT está a cada dia pior e não há perspectivas de bons ventos, de modo que o até então maior aliado do governo, o PMDB, quer uma atuação daqui pra frente independente e fará de tudo para sair do mar de lama com a roupa limpa. O plano “B” não está descartado, em face de uma eventual derrota em 2018, o PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro atracar-se-á ao governo da vez. Se Lula não for pego no inquérito que corre na PRDF – Procuradoria da República do Distrito Federal pela prática de “tráfico de influência internacional”, e sobreviver à Operação Lava-Jato como foi no Mensalão, ele trabalhará a massa de ignorantes: “Vamos acreditar que a Operação Lava-Jato foi uma brincadeira de mau gosto, que não houve Petrolão, que não houve quadrilha política para assaltar os cofres públicos e que os supostos corruptos e corruptores são inocentes crianças que estavam brincando de roda”. Extinto o PT, vítima de perseguição política, Lula formará chapa com o PMDB, mas antes fará plástica para mudar aquela cara sarabulhenta e implantará o dedo mindinho.

O PMDB não irá se arrepender se culpar o PT por todas as mazelas. Se a presidente Dilma Rousseff sofrer o processo de Impeachment, saibam todos os petistas e partidários, que foi o PMDB quem a tirou do poder. A atuação do PMDB me faz lembrar a “Negação de Pedro”, ou seja, o episódio no qual o apóstolo Pedro negou por três vezes conhecer Jesus Cristo. Durante a “Última Ceia” com os 12 apóstolos, Jesus Cristo previu que Pedro iria negá-lo três vezes antes que o galo cantasse na manhã seguinte. Logo após a prisão de Cristo, Pedro de fato negou conhecer Jesus três vezes, porém, após a terceira vez, Pedro ouviu o galo cantar e se lembrou da profecia de Jesus na “Última Ceia”. Pedro chorou amargamente, mas era tarde demais. O “Arrependimento de Pedro” não mudou o fato, mas o apóstolo poderia ter culpado o galo.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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