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Política

A merda continua fedendo

1Capa da Revista ISTO É, 15 de outubro de 2014, ano 38, nº 2342: CAMPANHA DE DILMA SOB SUSPEITA. Delator diz que dinheiro desviado da Petrobras ajudou a eleger Dilma em 2010. O esquema de corrupção foi mantido pelo governo e pode ter contaminado a atual campanha da presidenta pela reeleição. Delator Paulo Roberto Costa: “3% eram para o PT”. Alberto Youssef, doleiro: “Lula cedeu à pressão das bases e nomeou Paulo Roberto Costa”. Conforme Delação Premiada de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef: “Propina na Petrobras foi operada pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto”.

Os tristes episódios registrados na recente história política do Brasil não serviram para desestimular a continuidade de práticas espúrias por parte dos políticos, empresas privadas e funcionários públicos – ações bastardas atribuídas aos inimigos do Estado Brasileiro. A partir do caso Fernando Collor de Mello eu imaginei que o exercício da política fosse pautado dentro da ética, da probidade, do decoro. Engano. Fernando Affonso Collor de Mello foi presidente do Brasil de 15/03/1990 a 02/10/1992. No ano de 1991 denúncias de irregularidades em seu governo começaram a pipocar na imprensa, com o envolvimento de pessoas do seu círculo político. Numa bombástica entrevista à Revista Veja, datada de maio de 1992, o seu irmão Pedro Collor de Mello revelou e detalhou o esquema de corrupção engendrado pelo tesoureiro da campanha Paulo César Farias, o PC Farias – outros fatos negativos contra o presidente também foram divulgados. Tudo isso gerou uma forte comoção popular que culminou na instalação no Congresso de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito no dia 27 de maio de 1992 para apurar a responsabilidade de Collor nas denúncias. Quatro dias depois, ou seja, em 1º de junho, a CPI dá início aos trabalhos sob intensa cobertura da mídia. A Revista “ISTO É” publica em 24 de junho matéria na qual o motorista da secretária do presidente, Eriberto França, revela que ele próprio pagava as despesas pessoais de Collor com dinheiro de uma conta fantasma mantida por PC Farias, o que comprovaria a denúncia feita por Pedro Collor. Em 29 de setembro, por 441 a 38 votos, a Câmara dos Deputados vota pelo impedimento do presidente, que renuncia antes de ser condenado por crime de responsabilidade, perdendo seus direitos políticos por oito anos. Registro histórico: “Foi a primeira vez na história republicana do Brasil que um presidente eleito pelo voto direto era afastado por vias democráticas, sem recurso aos golpes e outros meios ilegais”. Collor atualmente é senador da República pelo Estado de Alagoas eleito em 2007.

Para qualquer crime cometido contra o Estado que se aplique a Justiça competente. Porém, algumas considerações precisam ser colocadas: 1ª. Em 04 (quatro) meses a CPI detonou Collor; 2ª. A Câmara dos Deputados fechou o caixão e acendeu vela preta; 3ª. Ficou mais do que comprovada a falta de apoio dos parlamentares ao presidente; 4ª. Na CPI não se falou em desvio de dinheiro das estatais, somente recursos de campanha; 5ª. O caso Collor, comparado aos escândalos do Mensalão e do Petrolão, teve proporções infinitamente menores, mas, gerou dantesca repercussão e inigualável comoção social; 6ª. O Mensalão levou 08 (oito) anos para ser julgado; 7ª. Governistas querem melar a CPMI do Petrolão; 8ª. Por que hoje a CPMI não agiliza o processo? 9ª. O foro privilegiado concedido aos criminosos políticos é o problema? 10ª. As Instituições estão comprometidas? 11ª. Por que Lula e Dilma não são denunciados formalmente já que há fortes indícios do seu envolvimento direto no esquema de propina na Petrobras? 12ª. O crime de responsabilidade não caberia aos dois presidentes Dilma e Lula? Chego à conclusão que o outrora clamor do povo nas ruas do país foi substituído pela anestesia causada pelas propagandas da esquerda política, que a imprensa se rendeu, que o Congresso Nacional foi cooptado, que a Justiça ficou realmente cega, e, sobretudo, que o saudoso movimento dos “Caras-pintadas” não deixou uma herança virtuosa, simplesmente construiu uma geração de bundões.

Os depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, sob o guarda-chuva protetor da Delação Premiada, poderiam mudar drasticamente os rumos das campanhas presidenciáveis, de Dilma Rousseff (PT) e de Aécio Neves (PSDB). A candidata petista certamente seria drasticamente afetada e o tucano beneficiado naturalmente. Os nomes dos chefões do esquema de corrupção na Petrobras não foram divulgados, muito menos vazados à imprensa, porque são “agentes públicos” com foro privilegiado, portanto, cabe ao Supremo Tribunal Federal a salvaguarda da lista dos criminosos qualificados como “Top” e o quê fazer com ela. O STF acatou as denúncias fundamentadas pelo MPF contra a quadrilha da Petrobras (evito o uso de “suposta”) formada por presidentes da República (atual e ex), ministros, parlamentares e governadores. Essa plêiade de criminosos só pode ser julgada pelo STF. Os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef até querem, mas eles não podem entregar de bandeja a cúpula do esquema de propinas na estatal porque terão as suas penas aumentadas – seria uma formal quebra de acordo, que prevê revisão das “concessões jurídicas”. A merda feita foi depositada no país e continuará fedendo até que seja removida pela Justiça, que já se acostumou com o cheiro dela.

Evidentemente que toda a sociedade gostaria de saber os nomes dos figurões do Petrolão, os chefes da quadrilha, subdividida em grupos organizados hierarquicamente, que operavam durante os dois governos do PT (Lula e Dilma). Dilma Rousseff vocifera na sua campanha à reeleição que combate e continuará combatendo fervorosamente a corrupção, não dará trégua, corrupção que Lula, ela própria e o seu partido praticaram ou ainda estão praticando longe dos holofotes. Imaginemos uma raposa tomando conta do galinheiro, ou um ladrão com as chaves dos cofres, neste caso públicos. Descaradamente, os políticos do PT sabotaram duas CPIs da Petrobras no Congresso. Hoje duas CPIs estão funcionando para investigar as denúncias na Petrobras, a CPI do Senado com “cartas marcadas” e a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) composta por senadores e deputados federais. A CPI do Senado faz de tudo para desqualificar os trabalhos de investigação e os parlamentares do PT que estão na CPMI empurram com a barriga as agendas de convocações e, consequentemente, de depoimentos. Como se observa, o governo federal não tem o mínimo interesse em agilizar os processos, quer evitar que as duas Comissões virem palanque eleitoral, ao tempo que aposta na memória curta e na inércia do povo brasileiro.

Está mais do que provado que saiu dinheiro da Petrobras para subsidiar campanhas políticas do PT, PMDB e do PP nas Eleições de 2010, quando Dilma Rousseff foi eleita presidente. Esse gravíssimo crime se fosse levantado na época seria mais do que suficiente para a abertura de um processo de Impeachment contra Dilma Rousseff e para se iniciar o processo de cassação dos políticos eleitos envolvidos no esquema de propina na estatal brasileira, mas, com um Congresso Nacional venal, comprometido até o último fio de cabelo, o lixo da corrupção na Petrobras foi varrido temporariamente para debaixo do tapete vermelho e boa parte dos escândalos ficou enterrada na última camada de pré-sal. Ninguém até agora ousou chegar a público e afirmar categoricamente que a candidatura de Dilma Rousseff em 2010, e quem sabe até a de 2014, recebeu dinheiro da Petrobras, salvo matéria de Capa da Revista ISTO É, 15 de outubro de 2014, ano 38, nº 2342, e declarações feitas por Aécio Neves no debate de ontem no SBT – como se sabe, por ter foro privilegiado, ela, Dilma Rousseff está blindada pelo STF, que, na verdade, ele próprio, o Supremo Tribunal Federal, também tem ‘foro privilegiado’, por isso, vem promovendo determinados desserviços à nação por “motivos sob sigilo de Estado e segredos de Justiça”.

Tortura nunca mais no Brasil para se arrancar confissões dos criminosos, por isso, a Delação Premiada transformou os criminosos Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef em prestadores de bons serviços, em heróis nacionais, e recebem prêmios por isso. Por outro lado, entendo que a oposição do PSDB e dos Partidos Políticos coligados foi branda até então, de tal modo que esse escândalo do Petrolão recebesse o tratamento adequado, estaria num nível bem mais adiantado na questão das investigações, muito embora saibamos que combater as “forças ocultas” infiltradas em todas as Instituições do país e nos principais ramos da atividade humana, não seja tarefa fácil, requer algo mais. É complicado. No auge do julgamento da Ação Penal 470, processo do Mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) “esvaziou” nos bastidores um forte movimento que se formava para a decretação do Impeachment do então presidente Lula, este, por sua vez, deve-lhe o mandato presidencial, mas, eu acho que na política não existe gratidão e acredito que Lula não faria o mesmo por FHC. Jamais FHC participaria de um esquema criminoso como o Mensalão do PT, muito menos do seu epílogo, o Petrolão. Lula pode esquecer a dívida, ele agora só deve ao Diabo.

Deus permita que a candidatura corrupta não saia vitoriosa nas urnas no próximo dia 26. Paulo Roberto Costa, chamado carinhosamente “Paulinho” por Lula, contribuiu para o repatriamento de R$ 70 milhões que estavam repousando em paraísos fiscais (parte da propina que lhe coube no esquema). Fico imaginando quantos milhões de dólares foram creditados nas contas pessoais dos chefões das quadrilhas do Petrolão, dinheiro público, dinheiro meu, seu, dinheiro dos brasileiros. Eu não imagino quanto tempo levará para sabermos os nomes dos mandantes. Há poucos dias Lula disse que está de saco cheio disso tudo; esse FDP (Filho da Puta) de carteirinha está é de bolsos cheios de dinheiro público, fruto de maracutaias e de corrupção – seria ingenuidade da nossa parte acreditar que a sua imensa fortuna, e a de seus filhos, foi construída com o suor de trabalho honesto ou com doações de fieis religiosos. Sorte dele que o pau-de-arara virou peça de museu, concedendo-lhe o direito de andar livre, leve e solto por aí, de engrossar o palanque de Dilma Rousseff, professando honestidade, amor aos pobres, demonstrando indignação pela corrupção dos outros, apresentando-se como único salvador da Pátria, enganando Deus e fazendo reverência ao capeta. Definitivamente, o PT perdeu a linha do tempo e isso é extremamente perigoso para a Democracia.

Ontem à noite houve debate no SBT com os dois candidatos presidenciáveis, e dois momentos não passaram despercebidos. No primeiro momento a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) jogou merda no ventilador não citando o vazamento de informação protegida por sigilo de Justiça, mas que veio a público; a debochada Dilma no debate do SBT se referiu ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que teria afirmado em depoimento ao Ministério Público Federal do Estado do Paraná, sob o guarda-chuva da Delação Premiada, que repassou propina de R$ 10 milhões para o ex-presidente nacional do PSDB Sérgio Guerra, morto aos 66 anos em 06 de março de 2014, para “esvaziar” uma CPI da Petrobras em 2009. O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, teria dito na Delação Premiada que a Queiroz Galvão pagou o valor pedido, porém, a empreiteira nega a acusação. Lembrando que a dita CPI (que foi instalada em julho e acabou em dezembro), foi criada com base no requerimento apresentado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para investigar desvios de verba pública na construção da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Obviamente que os petistas estão saltitantes como pulgas sobre chapa quente com esta vazada informação, na reta final da campanha, certos de promoverem estragos generalizados ao adversário. A coordenação da campanha de Dilma Rousseff mandou produzir às pressas novos materiais de propaganda com a frase “Somos todos iguais e corruptos”. Em Nota Oficial a legenda peessedebista se posicionou: “O PSDB defende e quer rigor na apuração de qualquer denúncia que envolva filiados que ocupam ou ocuparam qualquer cargo do partido”. Por outro lado, a citada CPI tinha 11 membros, sendo 03 da oposição e 08 do governo, portanto, não precisava corromper o ex-presidente nacional do PSDB Sérgio Guerra (um dos principais líderes da oposição na CPI, mas sem nenhum poder), de tal modo que se o governo quisesse acabar com a CPI de 2009 tinha força majoritária para isso e enterrar as investigações. Repito, descaradamente, os políticos do PT sabotaram duas CPIs da Petrobras no Congresso; como Lula há dias cacarejou no seu galinheiro que faz até o Diabo para dar a vitória à sua herdeira política Dilma Rousseff, tenho o direito de pensar que a acusação ao ex-presidente nacional do PSDB Sérgio Guerra pode ser uma “fala plantada”, ou melhor, uma “fala comprada que virou escrita”. Repito novamente, o PSDB tem que exigir uma rigorosa investigação, doa a quem doer. Aqui e agora, em 2014, o governo está tentando matar a CPMI do Petrolão em curso no Congresso Nacional, nesta, todos os petistas envolvidos e seus asseclas estão vivos e com o “CU” na mão. No segundo momento Aécio Neves fez a conexão entre o desvio de dinheiro da Petrobras com as duas campanhas de Dilma Rousseff, 2010 e 2014. O candidato Aécio Neves soube dar nomes aos bois e espero que não pare de fazê-lo, que não perca a oportunidade de dá-los, os nomes, ao conhecimento dos eleitores nos próximos debates – são cidadãos brasileiros que merecem e precisam saber a verdade, verdade que os petistas abominam, e assim evitar que os eleitores façam uma besteira tamanha que não possa ser consertada. Como morto não se defende, a merda dos vivos continua fedendo!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

4 comentários sobre “A merda continua fedendo

  1. Temos tantas provas contra esses ladrões,mas infelizmente quem poderia fazer, estão de mãos amarradas,é um peso com duas medidas ou seja tem gente demais levando seu dindim para não deixar os processos continuarem o seu curso como deveria. O collor por muito menos foi impedido de legislar. Tomara que esses politicos que entraram agora, ajudem a limpar a casa de tanta sujeira. Só uma coisa não entendo,porque a Dilma continua a legislar sendo que ela é candidata, não teria que deixar o cargo para o vice? Não é assim com todos políticos? ou ela tem super poder?

    Publicado por Nair Santos | 19/10/2014, 11:39
    • No Brasil, a NEVERLAND tupiniquim, as coisas funcionam assim. O pior disso tudo é que o presidente da República, em campanha à reeleição, usa como pode a máquina pública a seu favor pessoal, a favor do partido político. Dilma na sua campanha pelo Brasil tem usado a avião presidencial, o AEROLULA. E aí? Nada acontece, ninguém acompanha, ninguém cobra. Usar os Correios para panfletagem e as empresas de telofonia para mandar mensagens de texto elaboradas pelo PT e pelos marqueteiros para difamar os adversários políticos são simples detalhes.

      Forte abraço,

      Augusto

      Publicado por augustoavlis | 19/10/2014, 12:07
  2. É o famoso jargão volta a funcionar, “Brasil ame ou deixe-o”. Será que não está na hora de AMÁ-LO.

    Publicado por Nair Santos | 19/10/2014, 18:47

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