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Política

Vendilhões da Pátria

1No Brasil não faltam políticos que mercadejam publicamente coisas de ordem moral, fazendo jus ao título de “Vendilhões da Pátria”. Bufarinheiros de plantão nos órgãos públicos, a postos, para agir a qualquer momento, para atacar o erário (finanças do Estado Brasileiro e de esferas subestatais) sem modéstia ou sentimento de culpa. Em se tratando de política nacional, nós jornalistas, não conseguimos chegar às “Considerações finais”. Tenho dito reiteradas vezes que o exercício da política nessas Terras de Cabral se tornou um jogo extremamente perigoso e ao mesmo tempo sujo, jogado nos subterrâneos do poder constituído. Das entranhas do poder brotam os piores sentimentos possíveis capazes de driblar a mais fértil das imaginações – cânceres intestinais que prolongam a vida dos pacientes ao invés de matá-los. Literaturas forenses modernas querem construir a ideia de que “O pior castigo imposto ao ladrão é tirar-lhe o fruto do roubo”. Nem sempre, porque na outra via o ladrão tem a oportunidade de roubar de novo para recompor as perdas. Forma-se um ciclo vicioso obrigando o ladrão a roubar cada vez mais para dividir com o Estado confiscador. Portanto, a literatura forense proposta tem o viés de teoria questionável. A ocasião faz o ladrão a depender dos estímulos.

Então, como fazer retornar aos cofres públicos o dinheiro que saiu pelas vias da corrupção, sempre compartilhada? Simplesmente não volta, e se volta, pode saber que a “comemorada recuperação” não passa dos 10%. O quê foi feito com o resto do dinheiro desviado? Dividido em partes desiguais com os membros da quadrilha, parte dele sumiu nos labirintos da Justiça, outra parte escondido em paraísos fiscais como reserva de suborno. Fenomenologicamente, não é tarefa fácil arrestar ou apreender algo, sobretudo numerário, perante ordem judicial, de modo que a retirada de bens e de valores das mãos de alguma pessoa que os conseguiu de forma ilegal sempre esbarrará em procedimentos lenitivos, sem contar, é claro, com a falta de celeridade na condução dos processos. Soma-se a tudo isso o completo desinteresse da sociedade dita organizada em acompanhar e cobrar providências do governo e das Instituições responsáveis pela salvaguarda da ‘Res Publica’. Imperativo considerar que o pensamento político não reflete as políticas públicas como deveriam ser no campo da probidade. Diante dessa lamentável realidade, a percepção das pessoas dotadas de relativa consciência é uma só: Quando se tem acesso aos órgãos públicos “por dentro” o cidadão tem a sensação de estar numa gigantesca toca de ratos, e ao tentar pegar um, mil roedores fogem. Não dá tempo para armar as ratoeiras porque os ratos migram para outros buracos secretos infestados de cupins.

O sistema é falho na questão do combate à corrupção; uma das causas é a interdependência – os políticos estão ligados por uma relação de dependência mútua, o que podemos chamar de dependência recíproca, ações que vão além do corporativismo. Tal atmosfera de cumplicidade prejudica o trabalho dos órgãos de controle e de coerção. Dentro de um processo legal são comuns atos serem dependentes de outros. Nas práticas delituosas isso já virou regra geral faz tempo. Mercenários da ‘Coisa Pública’ dançam a “Dança da Pizza”, aquela dançada pela então deputada federal Ângela Moraes Guadagnin (PT/SP) no plenário da Câmara dos Deputados em 2006, comemorando a absolvição do companheiro de partido João Magno das acusações de corrupção. Ângela Moraes Guadagnin é atualmente vereadora da cidade de São José dos Campos, no Estado de São Paulo, e deve estar dançando outras modalidades de música em alguma toca – por ela ser uma ferrenha petista lógico que atributos não lhe faltam, assim como boas escolas de crimes político-partidários. Ângela Guadagnin não teve a oportunidade de frequentar escola de boas maneiras, por outro lado, educação, comportamento decente, ética, honestidade, princípios e valores, certamente os seus pais não a ensinaram em casa.

A fronteira da mediocridade não tem limite definido, segundo o princípio da mediocridade. Bons tempos aqueles em que as empresas estatais eram usadas pelos governos como “cabides de emprego” – pelo menos os mais velhos devem se lembrar disso –, hoje são colônias de corruptos com lotação máxima. Geralmente, quando os caçadores saem para caçar, antes planejam as atividades e reúnem os recursos necessários. No caso dos corruptos, quando saem para roubar, desprezam planejamentos e trabalham o cotidiano, porque na sua visão imediatista toda negociata que ficar na mira será atingida e não desperdiçada. Ainda que as pessoas comuns também tenham acesso às informações oriundas de gestões públicas, não saberão o quê fazer com elas pela falta de cultura específica. Em tempos de eleições a meta principal é capturar os eleitores, caçá-los como se caça um porco selvagem. Por que conquistá-los com a consistência das propostas, com a qualidade dos discursos, com argumentação de viabilidade? Outros caminhos são mais fáceis. A população é bombardeada diuturnamente, na maioria das vezes ela faz ouvidos de mercador, mas também isso não é regra. Como estabelecer o perfil dos eleitores e, sobretudo dos candidatos? Se nós erramos na análise política depois reclamemos ao Papa. Passadas as eleições os eleitores não se lembrarão em quem votaram – quando dão nomes aos bois mentirão com firmeza.

Fato é que o político depois de eleito descarta o eleitor como uma camisinha depois de usada em ato sexual. Na reta final das eleições 2014, candidatos intensificam o corpo a corpo nas ruas do país. Tenho visto alguns candidatos em campanha política apertando as mãos até de mendigos e depois correm para desinfetar as suas com álcool medicinal ou Lysoform Bruto com suave odor. É a lógica da “interação político-social” com os eleitores. Políticos aparentam ser uma coisa e logo em seguida cometem atos contrários à postura anterior. Não importa o número de vezes, repetirei aquilo que eu penso. A corrupção tomou conta do tecido social de forma indiscriminada, contaminando todos os ramos da atividade humana. Mal comparando, é como se fosse a corrosão tomando conta da lataria de um carro. A percepção da população sobre a corrupção não representa, necessariamente, o seu modo de agir. O comportamento da sociedade dá sinais bem nítidos disso. Fenomenologicamente, as pessoas têm batido na tecla “A ocasião faz o ladrão”, e eu digo “a depender dos estímulos” – e a maioria delas professa vontade de participar da “ocasião”. Quando a corrupção beneficia diretamente a pessoa, esta se cala; quando a corrupção traz prejuízo, a pessoa prejudicada protesta. Infelizmente, essa é a lógica que se impõe ao “padrão comportamental” dos brasileiros. Não foi uma, não foram duas ou três pessoas que se posicionaram sobre o assunto: “Se estivesse no lugar do político corrupto faria a mesma coisa”. Governo e povo têm culpas proporcionais. A omissão é uma das formas de se proteger a prática corrupta, de modo que não fazer nada consolida a aceitação.

O Partido dos Trabalhadores, através dos seus políticos que estão encastelados no Poder da República, comete crimes de ‘Lesa-pátria’ com a maior naturalidade, como se fosse dever de ofício. Neste quesito, o PT não é primário e conta com a efetiva colaboração dos co-autores ou partícipes das ações criminosas. A tortura física praticada no passado cedeu lugar à tortura psicológica decorrente da Delação Premiada, um modo saudável e criativo de se obter informações dos criminosos, ainda que os acusados e atingidos digam duvidosas. No momento em que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi solto pela Justiça Federal, na terça-feira, 30 de setembro de 2014, para ficar em casa (prisão domiciliar) no Rio de Janeiro curtindo as novelas da TV Globo, o PT já pensa em cumprir uma agenda de visitas amistosas, sem tornozeleiras eletrônicas, por enquanto de uso particular de Paulo Roberto Costa, o primeiro homem-bomba da Petrobras. O benefício da prisão domiciliar foi formalizado pelo juiz federal Sergio Moro da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Paraná, depois de ele, Paulo Roberto Costa, ter cumprido acordo de Delação Premiada, revelando os nomes de autoridades e das empresas envolvidas no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras. Não se sabe se botou a boca no trombone como deveria, se ele protegeu alguém por algum motivo. A decisão foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Albino Zavascki. Neste ínterim eu fico pensando: Se o STF levou 08 anos para julgar o Mensalão, quantos anos levará para julgar o Petrolão? Até lá muitos poços de petróleo serão fechados e muitas tornozeleiras arrancadas.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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