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Política

Atolada na lama, porém, ainda respira

1Dentro das previsibilidades, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi para o 2º turno e tentará se reeleger no próximo dia 26. Ela terá que enfrentar as imponderabilidades, mas já sinalizou que não será pega de surpresa, de modo que tem a seu favor o poderio da máquina de governo, a militância raivosa, o cabedal de mentiras e como guarda-costas os companheiros guerrilheiros que hoje formam a quadrilha petista e que já deram suficientes provas de obediência e eficácia nas ações delituosas – tomem-se como exemplos o Mensalão e o escândalo da Petrobras. Nos próximos 20 dias muita água vai rolar embaixo da ponte de Brasília e muita merda será jogada no ventilador do Palácio do Planalto (nome oficial do Palácio dos Despachos da Presidência da República Federativa do Brasil, local onde fica o Gabinete Presidencial do Brasil) pelo doleiro Alberto Youssef (será parente de Rousseff?) até o momento o principal alvo da Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia Federal, que não precisa de autorização do governo federal para agir em nome da Lei e da Ordem. Alberto Youssef depois que resolveu abrir a boca está entregando ao MPF – Ministério Público Federal uma gama considerada de documentos que comprovariam todas as denúncias de sua “Delação Premiada”. O doleiro começou a depor na última quinta-feira, 02, e não há prazo definido para terminar – inclusive no dia das eleições, ontem, domingo, 05, Youssef “vomitou” mais informações. O doleiro é um arquivo vivo, sabe de muita coisa que comprometerá empreiteiras famosas, empresários, políticos, o governo federal, governos estaduais, enfim, gente corrupta de várias tendências. É um verdadeiro mar de lama que não sabemos qual intensidade do Tsunami. A presidente da “Copa & Cozinha” Dilma Rousseff e o ex-presidente legítimo (e atual ilegítimo) Luiz Inácio Lula da Silva têm muita coisa a explicar. Lula ainda tem outro problema para resolver, como fugir da Polícia Federal, que quer ouvi-lo em investigação há quase oito meses, segundo o jornal Folha de São Paulo. Lula foi chamado para prestar esclarecimentos sobre o que disse o ex-empresário e operador do Mensalão Marcos Valério, condenado em 2012 a mais de 40 anos de prisão no julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal. É muito lixo para ser carregado pelo PT de Dilma Rousseff e por ela própria. Que os eleitores não esperem a disputa do 2º turno regada a vinho e à luz de vela – o PT usará de todas as armas para não perder o poder, até derrubar outro avião, ou coisa pior.

Nós brasileiros não queremos ouvir mais nada, nós só queremos entender o que se passa. Todos devem se lembrar das manifestações populares que tomaram as ruas de várias cidades do país em junho do ano passado para reivindicar melhores serviços públicos, combate à corrupção, mobilidade urbana, saúde, educação, entre outras demandas sociais. Eventos que ficaram marcados pelos diferentes grupos de protestantes, pelas agendas de reivindicações, pelo modus operandi e pela truculência policial. Mas, determinados fenômenos políticos devem ter ficado no esquecimento, pelo menos por boa parcela dos eleitores, ou seja, os índices das pesquisas, considerando a avaliação positiva do governo Dilma Rousseff, de popularidade, de desempenho pessoal. Eu não estou aqui para discutir os atuais índices das pesquisas de 2014, até porque seria perda de tempo – os percentuais oscilam de acordo a amostra pesquisada e, sobretudo, em função da escolha “aleatória” para definir o todo –, tampouco promover comparações entre os dois períodos de medições; só pretendo lembrar aos desavisados como era a situação política há pouco mais de um ano. O Brasil, realmente, é um país sem memória. Lamentável. Somos reféns da nossa própria ignorância e ainda nos julgamos superiores. Tudo é esquecido, nada é lembrado; ou quase nada para se esquecer ou para se lembrar.

Em 16 de julho de 2013 a avaliação positiva da presidente Dilma Rousseff despencou para 31,3% contra 54,2%, índice medido no mês de junho anterior. Não foi nenhuma novidade, na medida em que no calor das manifestações este cenário era previsível. Especialistas chegaram a arriscar um palpite: a forte derrubada de popularidade de Dilma Rousseff comprometeria a sua reeleição, apontando para um caminho muito mais complicado. Cerca de 38,7% viam o governo federal como regular na pesquisa de julho, sendo que em junho do mesmo ano era de 35,6%. De um mês pro outro a avaliação negativa de Dilma Rousseff passou de 9% (junho) para 29,5% (julho). No que se refere à aprovação do desempenho pessoal de Dilma Rousseff o índice sofreu drástica queda, sendo 49,3% em julho contra o índice de 73,7% medido em junho. Com relação à taxa dos que desaprovam o seu desempenho, esta pulou para 47,3% se comparada com a taxa de 20,4% obtida em junho de 2013. Manifestantes de vários matizes foram às ruas para reivindicar melhores serviços públicos, combate à corrupção, mobilidade urbana, entre outras demandas sociais, como saúde e educação. Uma pergunta não quer calar: Se as manifestações populares não acabassem e fossem recrudescendo em função dos escândalos de corrupção na Petrobras, como estariam esses índices hoje? Vamos admitir que os manifestantes compreendam que a presidente Dilma Rousseff e os políticos envolvidos no esquema de propinas na estatal foram os principais responsáveis, como ficaria a situação? Uma coisa é certa, na pesquisa realizada em julho de 2013 constatou-se que 44,7% dos entrevistados afirmaram que não votariam de jeito nenhum na presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014; este foi o sentimento das pessoas naquele momento. No mês de junho de 2013 a pesquisa de intenções de voto apurou que 54,2% votariam nela, e na pesquisa do mês seguinte, julho, esse índice foi reduzido para 33,4%. Em praticamente 30 dias Dilma perdeu 20,8% das intenções espontâneas de voto, provando que a força das manifestações populares interfere diretamente nos resultados. O volume dos gritos da massa é determinante; volume alto provoca queda dos índices; volume baixo das vozes provoca aumento gradativo dos índices de intenções de voto – quando o povo se cala o sistema conquista o “continuísmo”. As pesquisas eleitorais não mostram só tendências, elas são tendenciosas, deixam dúvidas, não são claras o bastante.

Dilma Rousseff experimentou passeios no Céu e no Inferno quase que ao mesmo tempo. O povo brasileiro nesse meio tempo permaneceu no Limbo. Hoje o cenário não é de trevas para a presidente Dilma Rousseff. Recente pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha na noite da última sexta-feira, 26 de setembro de 2014, aponta Dilma Rousseff (PT) na liderança da corrida presidencial com 40% das intenções de voto, crescendo 03 pontos percentuais com base na pesquisa anterior. A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 26/09, ouviu 11.474 eleitores de 402 municípios. Vale lembrar que no mês de junho de 2013 a pesquisa de intenções de voto apurou que 54,2% votariam nela e na pesquisa de julho esse índice foi reduzido para 33,4%. Ora, os eleitores provaram que são complacentes com os desmandos governamentais, perdoam com facilidade os políticos incompetentes, que mentem, que fazem promessas ao léu. De julho de 2013 para setembro de 2014, Dilma Rousseff recuperou 6,6% do eleitorado. Não dá pra acreditar nisso. De duas uma, ou as pesquisas foram ‘direcionadas’ para se obter esse resultado, ou os manifestantes são bundões, uns tremendos babacas, porque não acabaram com o serviço que começaram em junho de 2013 – o que poderia comprometer os rumos da campanha à reeleição da candidata Dilma Rousseff; para a oposição a chance de governar o país nos próximos 04 anos. E aí papai, só com revolução das maças e das maçãs haverá troca de poder, ou de mãos que o seguram.

O PIB deve crescer 0,30% em 2014, mas há quem aposte que o Produto Interno Bruto ficará negativo. Mais inflação em 2014; o mercado prevê IPCA de 6,30%, dólar mais alto no final do ano com previsão de fechamento perto de R$ 2,70 – e ainda em alta, impulsionando os juros a patamares que desestimulam investimentos e consumo. E lá vem a presidente da Copa & Cozinha com o seu bla, blá, blá de sempre. Enquanto se ouve o “grito dos cidadãos excluídos” de um lado, do outro, ouve-se o “grito dos afogados políticos”. Em entrevista concedida ao jornal “Bom Dia Brasil” da TV Globo, veiculada na segunda-feira, 22 de setembro de 2014, a candidata à reeleição Dilma Rousseff, mais uma vez, fez discurso pras pirâmides, fugiu das perguntas, enrolou as respostas, ficou na defensiva, enfim, rezou na cartilha do PT na questão de mentir como verdades absolutas e considerar os brasileiros perfeitos idiotas. Dilma respondeu, ou melhor, não respondeu como deveria, as questões colocadas pelos jornalistas Miriam Leitão, Chico Pinheiro e Ana Paula Araújo, como denúncias de corrupção na Petrobras, Economia, Educação e Banco Central, Desemprego. Ela estava no seu quadrado, Dilma sentiu-se à vontade para agir como quisesse, de modo que a entrevista foi gravada em Brasília, no Palácio do Planalto, onde ninguém viu nada, não sabe de nada e tem raiva de quem sabe.

Os veículos de comunicação, que sabem mais do que informam, têm culpa no cartório, são também responsáveis pelo quadro caótico que se encontra o Brasil – calam-se diante dos desmandos de governo omitindo importantes fatos (notícias como deveriam ser, nuas e cruas) que poderiam ajudar os cidadãos a formar juízo de valor, ao invés disso, veiculam programas sem conteúdo cultural e informacional, cumprindo proposta de “entretenimento da massa”. A quem interessa o processo de alienação, robotização e idiotização? Não adianta chorar o leite derramado. A vaca já mudou de pasto faz tempo, a candidata Marina Silva ficou pensando nos bezerros abandonados, enquanto o senador Aécio Neves comeu churrasco do garrote abatido. Precisamos reforçar a cerca para que a vaca não fuja novamente e já pensar no seu destino.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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