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Política

Debate na TV Globo

1O 5º e último debate entre os presidenciáveis, transmitido ao vivo pela televisão, já está com data e hora marcadas: quinta-feira, 02 de outubro de 2014, 22h50min. O que era para ser uma festa da Democracia brasileira, com distribuição de convites especiais aos eleitores interessados, acabou se transformando em momentos de discussões acaloradas entre simples lavadeiras ao pé da bica – todas querendo nos convencer que o sabão em barra que usam para lavar as roupas sujas é o de melhor qualidade. Ao final, todas as lavadeiras tiveram a oportunidade de gritar à vontade e nenhuma delas ficou com a razão. O 1º debate foi realizado na Band, na terça-feira, 26 de agosto de 2014; o 2º debate foi realizado no SBT, na segunda-feira, 01 de setembro; o 3º debate aconteceu na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), transmitido pela TV Aparecida na terça-feira, 16 de setembro; o 4º debate foi realizado na Rede Record no último domingo, 28 de setembro. Sete lavadeiras, perdão, candidatos, foram destaque nos encontros: Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC), Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL). O candidato José Maria Eymael (PSDC) somente participou do debate na CNBB, porque acredito que a sua trouxa de roupa suja era pequena demais para ocupar espaço na bica. Além dos oito nomes citados acima, também estão na lista dos candidatos à Presidência nas eleições de 2014: Mauro Iasi (PCB – Partido Comunista Brasileiro), Rui Costa Pimenta (PCO – Partido da Causa Operária) e Zé Maria (PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado). Esses três candidatos são “lavadeiras amadoras”, portanto, ficam tão somente responsáveis por catar as roupas que eventualmente caírem no chão quando as trouxas forem mal amarradas pelas lavadeiras profissionais.

A história, quando devidamente registrada, por vezes é cruel para os seus protagonistas. Lula, candidato à reeleição em 2006, não foi ao debate promovido pela TV Globo em estúdio do Projac na noite de quinta-feira, 28 de setembro. Os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB), Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) ficaram unidos e atacaram Lula pela sua decisão de não ir ao debate dos presidenciáveis. Cristovam Buarque fez a primeira pergunta e esta foi dirigida ao candidato ausente Lula: “O senhor é candidato sob fortes suspeitas de uso de recursos públicos no processo eleitoral. Isso é um caso muito grave. Se for eleito e se comprovar a denúncia, o senhor renunciará ao cargo? Nesse caso, estaremos votando no senhor ou no vice José Alencar?”. Já a candidata do PSOL Heloísa Helena comentou: “Quero repudiar a ausência do candidato Lula. Ele tinha a obrigação de descer do seu trono de corrupção e de covardia política e vir aqui se explicar ao eleitorado”. Heloísa Helena disse, categoricamente, que Lula mentiu ao dizer que ela pretende acabar com o programa Bolsa Família. Como podemos observar, são expedientes corriqueiros do PT “tocar o terror” e promover a desconstrução da imagem dos seus oponentes. Na oportunidade, Geraldo Alckmin externou a sua opinião: “É um desrespeito ao eleitor que precisa de informação para decidir bem seu voto”. O candidato do PSDB destacou os escândalos que marcaram o primeiro mandato de Lula, como o Mensalão, Valerioduto, as Cartilhas da SECOM e o Dossiê Vedoin. A ausência do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi exaustivamente comentada pela imprensa nos dias seguintes ao debate, de modo que a repercussão foi negativa ao extremo, porém, não influenciou em nada na intenção de voto da “massa desdentada” de eleitores que, na realidade, define as eleições com o quantitativo de votos. Foi caso pensado a decisão tomada por Lula de não comparecer ao último debate antes do 1º turno. O Circo Brasil estava pegando fogo na CPMI dos Correios, que gerou o famigerado processo do Mensalão. Lula estava com medo de ser imolado em ritual macabro. Na sexta-feira, 29 de setembro de 2006, eu escrevi um artigo sobre o acontecido. Leia-o abaixo.

Debate

No último debate, antes das eleições, com os principais candidatos à presidência da República, uma cadeira vazia – justamente aquela que não deveria estar. A Rede Globo lamentou profundamente a ausência do presidente Lula no debate, ao vivo, por ela promovido nesta quinta-feira, 28/09. E nós também. Foi negada aos eleitores a oportunidade de comparação das ideias e propostas globais, mas, devido ao episódio, certamente saberão formar um juízo de valor. A atitude de Lula, além de desrespeitosa, foi uma prova de covardia – dada por alguém que sempre se julgou um cidadão exemplar, um homem do povo, inatingível, livre de suspeições. Em nota enviada à TV Globo, em cima da hora, Lula usou como desculpa que não ficaria exposto aos ataques virulentos que supostamente seriam desferidos pelos seus adversários políticos, mas, dentro das suas razões, acabou cometendo um desserviço ao processo democrático e frustrando a todos. Deveria prevalecer a máxima “Quem não deve, não teme”. Se Lula fugiu sorrateiramente do debate é porque não encontrou explicações para aquilo que ele mesmo julga inexplicável; é porque descobriu que tem telhado de vidro; é porque sentiu medo de encarar os eleitores de frente, obrigando-se a prestar contas sobre os escândalos políticos acontecidos dentro e nas cercanias do Palácio, envolvendo o PT e um número significativo de pessoas da sua maior confiança. Lula deixou para o Marketing político a tarefa de pintar a sua candidatura à reeleição com as cores da normalidade. No episódio do “Dossiê Vedoin” Lula teve a infelicidade de se comparar a Jesus Cristo. Com essa de fugir do debate, para não ficar cara-a-cara com os candidatos oposicionistas, comparou-se ao bobo da corte – totalmente sem personalidade. Rei da galhofa e da fanfarronice, “Lulaéreo” deve ter confiado nos índices das pesquisas de intenções de votos, que apontam para a sua vitória no primeiro turno. É provável que algum “iluminado” tenha lhe dito que o enfrentamento agora poderia colocar em risco essa posição confortável. Porém, aos olhos do eleitorado, nada justifica o seu ato. Que os eleitores saibam demonstrar nas urnas o seu repúdio e ratifiquem o seu pleno julgamento – sobretudo os pobres, que por ignorância assistida, aceitam esmolas do Governo federal comprando a ideia de justa distribuição de renda. Somente com justiça social tornar-se-ão participantes do desenvolvimento do país. Lula não perde a mania de atacar as elites. Ele não consegue entender que afrontando os ricos em nada vai melhorar a vida dos pobres, até porque ele, Lula, tira proveito dessas duas classes sócio-econômicas para se manter no poder. Governos incompetentes costumam colocar uns contra os outros, para que se apresentem, no meio do caos, como salvadores da pátria. Cabe aos representantes do povo a criação de mecanismos para que a base da pirâmide social tenha acesso aos bens primários, não só por direito, mas por questão de sobrevivência. Se, porventura, o “Ali Balula e os 40 aloprados” forem eleitos, que não causem mais desordem política e entrave econômico no nosso tão sofrido Brasil – que os salteadores fiquem quietos no seu esconderijo pelos próximos quatro anos.

A presidente Dilma Rousseff (PT) é candidata à reeleição nas eleições de 2014, assim como Lula foi em 2006. Os cenários políticos são praticamente os mesmos, o governo de Lula e o governo de Dilma, ambos mergulhados num mar de corrupção, mas que, grosso modo, não afetou como não afetará a campanha de reeleição, considerando que o povo é o mesmo e a mentalidade dele não mudou. Fato é que Dilma Rousseff fazia parte do governo Lula em 2006, ela não passou em brancas nuvens porque ocupava a cadeira de Ministra-chefe da Casa Civil (mandato de 21 de junho de 2005 a 31 de março de 2010). Dilma ganhou experiência nessa área como em outras também; sabe de muita coisa e por isso é tratada por Lula a pão de ló. A herdeira política de Lula pode seguir idêntica estratégia de autodefesa usada pelo seu tutor em 2006; basta não ir ao debate na TV Globo, de modo que não será surpresa se isso acontecer, tanto que a candidata Dilma Rousseff, ontem, quarta-feira, 01/10, apresentou-se para a imprensa com dificuldade na fala decorrente do surgimento de nódulos nas pregas vocais – os populares “calos”. Nada de concreto, só suposição. Dilma, de propósito, engoliu um caroço de cajá-manga (taperebá-do-sertão); por se tratar de uma petista mentirosa e incompetente, nada impossível, portanto, é um bom álibi. Lula e Dilma, reconhecidamente, são unha e carne, por isso, tudo pode acontecer nesta noite.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Debate na TV Globo

  1. É mais fácil esconder atrás de um pelotão, se eximir,assim faz seus comandantes qdo vão pra guerra,mandam os soldados que perdem a vida ou ficam com sequelas, e eles a ELITE,ficam impunes.Afinal tática de guerrilha é o que não os falta.O povo seja ele rico ou pobre que sofre as consequências. Aos ricos é fácil,pega seu jatinho e vão passear na Europa, EUA, etc… mas tbem ficam preocupados com seus negócios afinal pra manter-se na 1 classe tem que ralar, pois a disputa é acirrada.O povão que rala dia e noite é pior pois não tem pra onde escapar, a não ser ir os finais de semana a praia ou comer aquele churrasquinho e se passar mal vai pro SUS. Quantos políticos se importam com o povo, deles só querem seu voto, depois caem no esquecimento as donas Marias e seus José. Agora a candidata Dilma vai dar desculpa que não pode falar esta “afônica”.Bater de frente perde eleição, foi assim com Lula e Collor, lembram-se?

    Publicado por nair | 02/10/2014, 14:05
    • A honestidade aponta para um lado e a política para outro. Dentro deste conceito não podemos dizer que andam na paralela. A educação inclusiva será a grande porta de entrada para a cidadania e, ao mesmo tempo, a porta de saída do flagelo cultural.

      Grato pelos seus comentários, sempre esclarecedores.

      Forte abraço,

      Augusto

      Publicado por augustoavlis | 02/10/2014, 21:48

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