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Política

Merda no ventilador

1Nunca, em toda a história política brasileira, se viu tanto festival de horror, tanta baboseira e tanta falta de respeito ao povo brasileiro. Os nossos ouvidos não são penico! Estamos diante da mediocridade imposta. Marqueteiros – costumo chamá-los de Profissionais da Comunicação Subliminar – disputando lugar ao sol no mercado da propaganda, buscando notoriedade e conquistando contas milionárias; não se importam que os seus “clientes candidatos” fiquem expostos ao absurdo e o povo mergulhado nas trevas da ignorância, porque as pessoas sempre comprarão a ideia de céu. Por que os candidatos aceitam representar o papel ridículo que os produtores teatrais impõem? Temo que a resposta seja: “O povo gosta de barraco e de porcaria”. Estou chegando à conclusão que é isso, basta ver o processo eleitoral e os políticos nele inseridos. É muita merda jogada no ventilador. Sinto o mau cheiro do charco imundo; às vezes eu tenho a sensação de estar pisando em excrementos de porcos, aliás, os nossos políticos bem se assemelham aos porcos – com o devido respeito aos suínos, que nos alimentam, ao contrário dos políticos, que nos infernizam, mas não podemos matá-los. Caras de pau travestidos de homens probos. Paulo Maluf, Tiririca, Dilma Rousseff, Marina Silva e tantos outros candidatos me dão náuseas. Diante dessa nojeira toda, como podem as campanhas políticas “fazer a cabeça” dos eleitores? Será que merecemos esse estado de coisas? Será que estamos sendo muito críticos, pegando pesado com os pobres coitados? Na verdade, os políticos brasileiros, com raríssimas exceções, a meu sentir, continuam indivíduos ignóbeis, desprezíveis, portanto, considerados excrementos da sociedade, esta sim coitada.

Uma sociedade que peca pelas escolhas e que paga um alto preço por isso. Não há como a pessoa se dissociar da política. A política está presente em todos os ramos de atividade humana, ela decorre das relações entre indivíduos, não obstante, dependendo das diferentes formas como a política é exercida, diferentes resultados são alcançados. Ao nascermos já estamos fazendo política, choramos para anunciar um desejo, rimos para quem tenta fazer uma graça, externamos ações e reações ao longo da vida – agradando ou desagradando. Está na moda político em campanha chorar, rir, gritar, dissimular; mentir é procedimento antigo, de modo que acredite quem quiser nas mentiras. Pessoas divergem constantemente de opiniões e têm expectativas definidas segundo culturas adquiridas, e perspectivas indefinidas, quando não manifestadas a critério. A priori, penso que interesses particulares são frutos de egocentrismos, plenamente adaptáveis a grupos que professam a mesma doutrina. O mundo não gira ao redor desses indivíduos, todavia imaginam que sim. Conflitos são naturais na medida em que se contrariam as vontades. No ambiente político isso acaba virando rotina. Quando o dinheiro entra no jogo como mais um componente da conquista ou manutenção do poder a coisa fica fora de controle. Conotativamente, nós podemos definir melhor essa questão da prática política com um simples comparativo. Imaginemos uma festa de casamento, um Buffet no tradicional estilo Self service, as portas do salão foram abertas antes do fim da cerimônia, convidados começam a se servir primeiro. Moral da história, quem se serve primeiro come e bebe do melhor e em maiores quantidades. O governo é a própria festa, o Buffet é o balcão de negócios, os cofres públicos são as portas escancaradas, as quadrilhas sangram o erário e comem vorazmente os recursos públicos. Moral da história, pouquíssimo sobra para investir em saúde, educação, segurança e demais serviços essenciais.

O sistema de governança – no tocante à capacidade dos governos de planejar, de estabelecer prioridades, de formular programas sociais, de estabelecer políticas públicas e de cumprir as Leis segundo a Constituição – é o fiel da balança entre o discurso e realidade, o divisor de águas que separa o atraso do desenvolvimento. Saber administrar os recursos sociais e econômicos de um país não é prerrogativa de amadores. A governabilidade, no que se refere aos critérios de articulação entre os partidos políticos que formam maioria na base aliada do governo, é uma teia extremamente complexa e ao mesmo tempo complicada, tecida por várias “aranhas”, cada qual conhecendo o caminho a percorrer até chegar à presa que nela cai para sugar-lhe a vida. As facilidades encontradas pela frente, sobretudo para a consecução de determinados objetivos, transformaram as relações naturais em promíscuas. O público e o privado vistos como uma coisa só, uníssona. Para o político se manter no poder e dele se locupletar (ocasionar sua própria riqueza), uma coisa é certa, tudo fará para não perdê-lo, sobretudo para a oposição, e nesse “projeto de poder” considerará dez tarefas cruciais: 1ª) Manter o povo sáfaro; 2ª) Colocar a Justiça subserviente aos seus propósitos; 3ª) Cooptar o Congresso Nacional, comprometendo parlamentares com esquemas corruptos; 4ª) Corromper os meios e veículos de comunicação de massa, usando o plano de mídia do governo como moeda de troca; 5ª) Firmar contratos com o poderio econômico privado, segundo cláusulas desonestas; 6ª) Criar embaraços que prejudiquem a atuação do Ministério Público; 7ª) Tentar confundir a atuação da Polícia Federal criando cortinas de fumaça; 8ª) Criar bodes expiatórios e indicá-los para rituais de imolação; 9ª) Destruir provas; 10ª) Estabelecer clima de terror no país manipulando grupos de manifestantes. E o povo? Assiste a tudo isso com cara de ovelha tosquiada, na mais pura inocência.

O Brasil dantes “colcha de retalhos”, hoje recebe a alcunha de “penteadeira de puta”, sobre a qual se encontra de tudo, menos um exemplar do Velho Testamento. Os heróis do passado repousam nos cemitérios e os covardes do presente desfilam alienados pelas ruas da Pátria. Como diria o saudoso Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade de Sucupira: “O povo está deverasmente anestesiado e irremediavelmente conformado”. O Brasil é uma fraude? Dê a resposta você mesmo. A corrupção está tomando conta do tecido social, que se estimula nas ações degenerativas que vêm de cima. De nada adianta mexer com o sentimento das pessoas, de modo que não chegaremos a lugar algum. Quem está no poder, quem é poder constituído não presta contas à população das realizações do seu governo, mas gasta bilhões de Reais com propagandas institucionais que não informam absolutamente nada, apenas enriquecem as agências que as produzem com fins eleitoreiros e lucros participativos. Pergunto: Onde está a consciência? Se alguém tem interesse em descobri-la que a procure. Desejo de mudança, de onde pra onde? Quem irá promovê-la? Quando? Como? Não sabemos. Foram desviados da Petrobras cerca de R$ 10 bilhões num gigantesco esquema de propina idêntico ao Mensalão, diferenciando-se apenas no montante roubado; e o escândalo certamente ficaria por isso mesmo se um maluco não resolvesse abrir a sua maldita boca. A propósito, a meu sentir o Mensalão não passou de “boi de piranha”, enquanto a quadrilha do “Petrolão” atravessava o rio da corrupção tranquilamente sem ser admoestada. Salve lindo pendão da esperança! Quem hoje, quarta-feira, 17/09/2014, viu a cara do Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, convocado para prestar depoimento na CPMI do Congresso Nacional, sentiu vontade de matá-lo com requintes da mais pura crueldade. Eu sou uma dessas pessoas. Paulo Roberto Costa, sob acordo de “delação premiada”, usou o direito de permanecer calado, mesmo porque a “delação premiada” impõe sigilo a todos os envolvidos – por Lei, ninguém pode relatar o seu conteúdo sob qualquer pretexto. O referido criminoso delatou 62 políticos ao MPF – Ministério Público Federal, todos envolvidos no esquema de corrupção na estatal; ele está preso desde o mês de junho passado na sede da Polícia Federal em Curitiba, Paraná, por ter participado de um mega esquema de desvio de dinheiro, sobretudo no superfaturamento de contratos que a Petrobras firmou com empreiteiras e afins. Nem por reza braba Paulo Roberto Costa revelou os nomes dos denunciados para a frustração dos parlamentares da oposição e para alívio dos governistas. Anjos e demônios num embate celestial, com a vitória dos demônios – inimigos espertos. Perda de tempo, nada mais. Deus assistiu de longe, não quis se intrometer e se negou a pagar os custos do jatinho da PF usado no transporte de ida e volta (Curitiba x Brasília x Curitiba) de Paulo Roberto Costa. Ladrão no Brasil tem mais privilégios do que o simples trabalhador, que paga toda a conta.

Os comentários passaram do ponto, assim como a nossa paciência durante os três debates entre os candidatos presidenciáveis: o primeiro confronto foi realizado pela Band na terça-feira, 26 de agosto; o segundo debate promovido pelo jornal Folha de São Paulo, UOL, SBT e Jovem Pan na segunda-feira, 01 de setembro de 2014, diretamente dos estúdios SBT; o terceiro debate, de ontem, terça-feira, 16 de setembro de 2014, promovido pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, transmitido pela TV Aparecida. Cenas lamentáveis, impróprias e absolutamente desnecessárias. O Brasil perde, perde a democracia. Bate-boca, troca de acusações, clima tenso, sacos de pancada escolhidos a eito – a desfaçatez vestiu os senhores candidatos. Também ontem, terça-feira, 16/09, o deputado ucraniano Vitaly Zhuravsky foi jogado literalmente dentro de uma lixeira por uma multidão na saída do parlamento por ter apresentado leis que reprimiam protestos contra o governo. Se a moda da Ucrânia pegar aqui no Brasil, faltará caçamba de lixo para jogar os nossos políticos corruptos, incompetentes e descompromissados com a coisa pública. Na Ucrânia não falta merda nem balde, nas terras de Cabral ou falta uma coisa ou outra, quando não faltam as duas coisas. Falar em datas é legal, as lembranças fluem. No mês de junho de 2013, ao ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, à época advogado e procurador do Estado do Rio de Janeiro, Luís Roberto Barroso, disse que a Ação Penal 470, Processo do Mensalão, foi um “ponto fora da curva”. No caso do “Petrolão”, já considerado o “Mensalão II do PT”, o que diria hoje o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso? Pela proporção do quantum desviado em propinas, talvez afirmasse: “O Petrolão foi uma curva fora da curva”. Faltam 18 dias para 05 de outubro, 1º turno das eleições 2014. As “pesquisas manipuladas” apontam a presidente Dilma Rousseff na direção da glória suprema, do reconhecimento público, da reeleição por competência política e administrativa, por conduzir o Brasil no caminho do crescimento. Num país sério, a presidente Dilma Rousseff, pelo seu currículo construído a partir do governo Lula, já teria sofrido o processo de Impeachment, sobretudo pelo cometimento de crimes de responsabilidade, condutas que atentam, entre outras, contra a probidade da Administração. Com o aparelhamento do Estado Brasileiro o governo federal está acabando com o sonho dos cidadãos e com a pouca esperança, destruindo os seus planos, obrigando-os a sentir vergonha da sua nacionalidade. Inexoravelmente, a República Federativa do Brasil se transformou numa entidade com fins lucrativos. É hora de ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro com a mão no peito, façamos por merecer a verdadeira mudança que tanto esperamos. Provemos que o Pelé não tinha razão quando afirmou que “O brasileiro não sabe votar, o povo brasileiro não está preparado para votar, por falta de prática e de educação, ele vota mais por amizade”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Merda no ventilador

  1. muito bem, só faltou a “secretaria do lula”, KD? sumiu?Será que ficou no palacio servindo a “presidenta”.
    POBRES BRASILEIROS QUE MEMORIA CURTA…

    Publicado por nair | 18/09/2014, 00:23

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