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Política

Debate na BAND

1Da esquerda para a direita, Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Ricardo Boechat (BAND), Dilma Rousseff (PT), Levy Fidelix (PRTB) e Eduardo Jorge (PV). Rede Bandeirantes de TV, bairro do Morumbi, Zona Sul de São Paulo, terça-feira, 26 de agosto de 2014, 22h00min, o jornalista Ricardo Eugênio Boechat deu início ao primeiro debate entre os sete candidatos a presidente da República para a gestão 2015/2018. Todos os candidatos estavam presentes para a festa democrática – e a plateia selecionada também, figurões dos Partidos Políticos participantes, assessores, Marqueteiros, imprensa. Parte do Brasil se mobilizou para assisti-la à distância, porém, a massa de eleitores, aquela que define as eleições nas urnas e não lê jornal, não deve ter ficado acordada até 01h05min da quarta-feira, 27, para ver o debate político porque tinha que pegar o trem ou o ônibus lotado naquela madrugada para trabalhar, ou porque foi beber cerveja e comer torresmo no bar da esquina depois do jogo Vasco x ABC pela Copa do Brasil no Estádio São Januário, e depois voltou pra casa amargando o empate de 1 a 1 – essa foi a desculpa para tomar o resto da aguardente de cana PITÚ escondida atrás do Congá.

Foram três horas de debates, dentro das quais os candidatos se debateram. Não existem vitoriosos nem derrotados. O publicitário Duda Mendonça (réu do Mensalão, absolvido pelo STF), responsável pela vitória do Lula nas eleições de 2002 e especialista em brigas de galos no meio de duas galinhas, disse por telefone que todas as aves bateram umas nas outras e todas foram bicadas por todas. Convenhamos, o tempo de três horas é insuficiente para um debate político com a qualidade que se espera, ainda mais com um número significativo de candidatos que disputam o mesmo cargo. Dividindo-se 180 minutos pelos sete candidatos, teremos 25,71 minutos para cada um. Agora, descontando-se o tempo dos intervalos para a exibição de propagandas e o tempo dedicado às perguntas, talvez sobrasse pouco menos de 20 minutos para o candidato apresentar as suas propostas de governo, as soluções para os problemas cruciais pelos quais passa o Brasil, para fazer piadas e dar risadas. Ao final, vemos um apanhado geral com caráter de resumo do resumo. Confesso que não vi novidade alguma no programa e tudo correu dentro das previsibilidades. Salvo algum ou outro detalhe, se pegarmos o debate da BAND nas eleições de 2010, constataremos os mesmos coelhos tirados da cartola pelos mágicos da política brasileira. De que isso importa se a plateia do Circo Brasil acha que agora são pombos e não coelhos, e amanhã serão gatos angorás.

Dispensados maiores comentários sobre o conteúdo dos debates porque poderão ser vistos e lidos nas redes sociais, de modo que até aquela massa de eleitores que pegou o trem ou o ônibus lotado em direção ao local de trabalho, que foi beber cerveja, cachaça e comer torresmo no bar da esquina, ou que simplesmente foi dormir mais cedo depois de tentar sexo com o (a) parceiro (a) também possui celular da mais alta geração – e nele as melhores cenas da festa democrática promovida pela BAND são exibidas repetidas vezes. Os “Memes” também estão lá para o deleite de todos. Infelizmente não houve “Selfies” dos candidatos, se houvesse, seriam dignos de exposição na Galleria degli Uffizi, situada em Florença, Itália, ou no Museu do Louvre, em Paris, França.

Desde que começaram os debates na televisão eu assisti a todos, não perdi nenhum deles independente da emissora, de modo que posso afirmar com segurança que a cada nova edição constata-se a repetição do script com pequenas nuances de diferenciação a começar pelos atores que estão no palco de representações – uns mais velhos pela ação do tempo, outros mais desgastados pela pressão dos acontecimentos, os novos querendo aparecer, coadjuvantes atropelando o texto. Na verdade uma mesmice enfadonha. Ri com coisas sérias e chorei com as palhaçadas. O mediador Ricardo Boechat não teve muito trabalho na condução dos debates – pensei em um determinado momento que ele fosse sugerir aos candidatos: “Vamos brincar de roda?”. Pouco comentado o fato do candidato Aécio Neves (PSDB) ter antecipado a divulgação do nome de Armínio Fraga Neto (Economista, foi presidente do Banco Central do Brasil de 01/03/1999 a 17/01/2002 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso) como seu futuro Ministro da Fazenda caso vença as eleições. Mas essa informação também não interessou ao eleitorado que detém o “voto quantitativo”, porque lhe falta a qualificação do voto, portanto, não sabe avaliar a seriedade e a profundidade do ato de Aécio Neves.

Se formos traçar um paralelo entre o debate da BAND com uma festa de casamento, diria que o Pastor Everaldo (PSC) é o peidão oficial, convidado para espantar grupinhos de fofoqueiros; Luciana Genro (PSOL) é a filha rebelde que saiu de casa há cinco anos e agora voltou com seu discurso maluco com o propósito de infernizar os convidados; Marina Silva (PSB/REDE) é a tia distante que chegou de viagem e tenta se familiarizar com as mazelas da família, nega a origem na “velha política” e mente ao afirmar que nunca viveu em ambientes promíscuos na tentativa de enganar a todos; Aécio Neves (PSDB) é o noivo que não sabe por onde anda a noiva, se ela está se preparando para a lua de mel, ou está chorando arrependida no banheiro; Dilma Rousseff (PT) é a sogra traída, mãe da noiva, resmungona, contrária ao casamento porque odeia o genro; Levy Fidelix (PRTB) é o pai da noiva, chifra Dilma Rousseff e mantém romance escondido com Marina Silva por gostar de mulher feia; Eduardo Jorge (PV) é o bufão, funcionário do Congresso Nacional encarregado de fazer rir os convidados – “Bota a nossa dívida numa ressonância e ela vai sair magrinha igual você, Marina”. O povo brasileiro ficou do lado de fora porque não foi convidado, mas tinha muita gente olhando pela janela do salão para ver se aconteceria algum barraco dentro dele, ou uma guerra de glacê entre os presidenciáveis no primeiro debate da TV.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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