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Política

1º de maio – Dia do Trabalho em Sucupira

1O mês de maio é o mês das noivas, portanto, uma saudação deverasmente especial a elas, que depois de casadas gerarão novos eleitores. Meu povo preguiçoso da minha queridíssima e amantíssima Sucupira. Este meu discurso é voltado para aqueles que nunca trabalharam, para aqueles que não trabalham e para os que jamais trabalharão. Tenho dito nos meus falatórios que o Brasil é o país do futuro que nunca chega, e o meu berço de nascença e reticências, a minha inseparável Sucupira, é exemplo destacável no cenário nacional. A prefeitura de Sucupira, comandada competentemente por este estadista trabalhador, faz das tripas coração para sustentar, e bem, a massa de desocupados, gente da mais altíssima dignidade, pessoas merecedoras de estar deitadas eternamente em berço esplêndido. Este é o meu, o nosso e o de todos Brasil. Mais do que isso, fizeram por onde receber graciosamente as benesses do governo, quiçá eternamente e perpetuamente representado por Odorico Paraguaçu, este simplório político com as mãos calejadas e dedos aguçados. Em Sucupira não existe miséria, nem pouca riqueza que não possa parte dela ser levada abundantemente pelos políticos correligionários e meus partidários doutrinários. Devidamente fechados com cadeados de segredo digital, os cofres públicos sucupirenses estão abarrotados de verbas oriundas das transferências constitucionais e legais, de modo que tenho gente de minha mais ou menos inteira confiança trabalhando no Ministério da Fazenda e na Secretaria do Tesouro Nacional que me garante melhor Fundo de Participação dos Municípios, o tal FPM, que muita gente confunde claramente com “Filho da Puta Municipal”. O governo federal, com cumplicidade, olha para a cidade de Sucupira da mesma forma que Sucupira olha para o seu povo; somos aliados juramentados. O meu Partido Político nunca roubou desavergonhadamente como andam propagando por aí, não rouba descaradamente, deslavadamente, constantemente e de forma progressivamente, apenas se utiliza das suas mãos de veludo com respeito aos ritos habituais. Por conta disso o país não quebra, não vai à falência – tem muito para poucos. Que diacho é esse que deverasmente eu não consigo entender: Esse povinho brasileiro só pode ser comparado naturalmente com um enorme “formigal”; todas as formigas trabalhando para a rainha se locupletar. Os eleitores carregam o piano para os políticos ouvirem a sinfonia. Os ouvidos dos eleitores estão preparados para escutar discurso de político, não para ouvir boa música. Por outro lado de lá, o Fundo Partidário (Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, constituído por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros que lhes forem atribuídos por lei) é para Partido Político ordinário e secundário imprestável, de modo que o meu Partido Político não precisa e nunca precisou dele próprio. Há outras fontes de sustentação financeira presenciais muito mais atraentes, proveitosas e provocantes, como as empreiteiras de amigos e de inimigos também, indicadas pelos primeiros amigos. Paremos, então, de rela-rela e entremos de fato, de direito e estreitamente no que interessa aos que amam uma boa rede rendada e um travesseiro de filó, portanto, vamos deixar os entretantos e partirmos mais para os finalmentes! Desocupados e desocupadas de Sucupira. Neste dia 1º de maio de 2014, quando tentamos comemorar mais uma vez seguida o Dia do Trabalho, quero dizer mais, depois de tudo aquilo que já falei, que é com vocês e para vocês que estamos deixando o Brasil como está. Se melhorar estraga. Pior também não pode ficar. Vocês que estão em casa, nas camas, nas cozinhas e nos banheiros, sabem bem que estamos perdendo a luta mais difícil e mais importante: a luta do desemprego e do salário baixo. Começo a ter dúvida, um país que não consegue vencer a luta do desemprego e do salário baixo, esse país não é capaz de vencer qualquer outro desafio. A economia internacional, usada como bengala de cego, está melhor do que a nossa, mesmo assim, continuamos a culpá-la pelos nossos erros internos de dentro, os erros externos deveríamos deixá-los no quintal. Levamos e tomamos um choque de incompetência. Sucupira respira o ar da estabilidade. É com esse sentimento que garanto a vocês que Sucupira não precisa fazer grandes reformas, só tapar alguns buracos deixados nas ruas pelos canhões no último desfile militar de 07 de setembro do ano passado. Por falar em canhões nas ruas, vou provocar uma guerra particular em Sucupira para expulsar os invasores, provocar baixas humanas nas linhas inimigas e encher o cemitério da cidade com os seus corpos indigentes. Os militares procurados pela Comissão Nacional da Verdade, para que digam a verdade sem tortura, sejam bem-vindos a Sucupira, porque os contratarei como Guardas Municipais, sem fardas e sem armas. Salve a pátria sucupirense da paz eterna. Pensando bem, antes de ser reeleito novamente e merecidamente, prometo que farei uma radical reforma no meu quadro de Secretários e Secretárias, atendendo plenamente pedidos de interessados em representações, informo primeiramente que estarei contratando os seguintes profissionais de carreira, citando o último emprego de cada um: Odete Roitman (Vale Tudo), Bebel (Paraíso Tropical), Jorge Tadeu (Pedra sobre Pedra), Tieta (Tieta), Natasha (Vamp), Dona Armênia (Rainha da Sucata), Sinhozinho Malta e Viúva Porcina (Roque Santeiro), Nazaré (Senhora do Destino), Tonho da Lua (Mulheres de Areia). Certamente o meu governo será bem assistido. Brasília deveria seguir o meu exemplo e suspender imediatamente as nomeações de políticos coadjuvantes sem experiências, sem comprovadamente provar nada. As reformas mais profundas que a sociedade brasileira tanto reclama ficam por conta da Dilma Rousseff, mas, vamos ajudá-la porque ela não sabe nada como o Lula, ambos do PET, Partido dos Ex-trabalhadores. A reforma para aperfeiçoar a política fica por minha conta; a reforma para combater a corrupção fica a cargo do José Sarney; para aumentar a transparência recomendo trocar as vidraças do Palácio; para fortalecer a economia é só acabar com o governo; para melhorar a qualidade dos serviços públicos basta privatizá-los. Para a pasta da Segurança Pública Interna recomendo Zeca Diabo. Povo de Sucupira, o Brasil precisa reencontrar o rumo da prosa, o país precisa de mais romantismo e de mais poesia. Ser político, acima de tudo, é ser romântico e poético. No meu governo não existe signo da mudança, as mudanças acontecem todo dia, ao contrário do governo federal que não consegue sair do mesmo lugar, da situação que se encontra. Povo de Sucupira, com conversa fiada as coisas não acontecem, os obstáculos existem para serem superados e pulados com vara. Meus amigos e minhas amigas, elegantemente postadas debaixo deste sol escaldante e provocante, digo que não assinarei nenhuma Medida Provisória para corrigir a Tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, a tal TIRPF, porque aqui em Sucupira ninguém mais pagará imposto; não pode existir ganho salarial indireto se antes não existir ganho salarial direto. Emprestarei dinheiro do BMS – Banco Municipal de Sucupira, a perder de vista e sem juros, em troca de fidelidade eleitoral. Isso não é compra de votos, é compromisso com o social. Os bolsos dos trabalhadores que não trabalham não podem ficar vazios. Fala-se em 02 Brasis, o de Sucupira e outro formado pelo resto do país, onde funciona o programa Brasil sem Miséria. Como em Sucupira não existe Bolsa Família, não assinarei nenhum Decreto Municipal atualizando valores. Esquecem os governantes que pobreza é pobreza. Quem é a ONU para definir a “linha da extrema pobreza”? Ficar abaixo ou acima dela não faz muita diferença. No Brasil pobre é pobre e rico é rico. Quem ficar no meio está perdido. A presidente de Brasília assumiu o compromisso de continuar a política de valorização do salário-mínimo. O prefeito de Sucupira não compactua com essa ideia maquiavelicamente esdrúxula. Salário é salário e fim de papo, de modo que o valor da hora trabalhada é que deveria prevalecer. Em Sucupira quem determina o tamanho da jornada de trabalho é o trabalhador, portanto, ele faz o seu salário. Trabalhadores e trabalhadoras pra lá de informais, vocês dão estabilidade ao crescimento dos empresários, enquanto o governo trabalha com rigor para manter descontrolada a inflação e incorretas as contas públicas. O coitado do clima foi apontado como o responsável pelo aumento dos preços dos alimentos que não comemos. A falta de infraestrutura para o escoamento da safra e armazenamento são variáveis descartadas pelo governo de esquerda. Povo de Sucupira, não sou de esquerda, nem de direita, tenho dois braços e duas pernas, faço o que quero e vou para onde quero, não sou como o PMDB que age como bosta n’água, segue a vontade e navega com o fluxo da maré. A distribuição de renda no Brasil é igual à ejaculação de menino, ou seja, acontece em pingos. É necessário 01 milhão de miseráveis para cada milionário. A única reforma comprovada pelo governo federal é a plástica feita na cara feia da Dilma, que nem por reza braba endireita. Cara de fuinha. Dilma vem dizer que a tarifa de luz teve a maior redução da história e, na contramão, afirmou que a seca baixou o nível dos reservatórios e o governo teve que acionar as termoelétricas, o que aumentou muito as despesas com geração de energia. Pergunto a essa fuinha se ela paga conta de luz. Provavelmente Dilminha (Guerra e Ódio, não Paz e Amor), está com apagão mental. Disse, ainda, que o Brasil superará as dificuldades momentâneas. Como? Ela não disse! No Brasil os problemas são eternos, sobretudo de governabilidade. A presidanta voltou a falar sobre corrupção, reafirmando o compromisso do seu governo no combate incessante e implacável à corrupção. Este honesto prefeito tem uma sugestão a dar: Se ela quer acabar com a corrupção que faça como James Warren “Jim” Jones, líder de seita e fundador da igreja Templo dos Povos, mentor do suicídio em massa da comunidade de Jonestown, na Guiana, em 18 de novembro de 1978, provocando a morte de 918 pessoas fanáticas, 917 mais a dele. Dilma deveria criar o Templo dos Corruptos, reunir o Executivo e o Legislativo e envenenar a todos, começando por ela. Para esse ritual de limpeza, por regra de cerimonial, convidaria Lula, empreiteiros famosos e os réus condenados do Mensalão, convites de alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal ficam a critério. Meu povo de Sucupira, o tempo urge e a fila está andando. Dilma falou da honestidade e do suor do trabalhador, deveria ter vergonha. Vergonha tem a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, institutos que investigam, apuram fatos e atos de corrupção e sabem que não acontecerá nada. Melhor ela ter dito “Juro que farei uma desova, perdão, uma devassa nas contas públicas, tornando públicos os desvios de dinheiro cuja autoria recaia sobre a oposição”. Ora, abrir a sua bocona para falar da Petrobras é demais para a minha inteligência. Dilma deveria meter a viola no saco e ficar deverasmente calada. Futucar o Diabo com vara curta pode trazer consequências inesperadas. Não existe franqueza na sua fala, de modo que Dilma quer inverter o ânus, perdão, o ônus da prova. Dilma conhece bem e a fundo as patifarias que aconteceram e que ainda ocorrem na Petrobras desde o tempo que era Ministra de Minas e Energia, quando o Lula era presidente. Por falar em Lula, se a CPI da Petrobras trabalhar direito baterá na porta dele. Eleitores e eleitoras de Sucupira, eu tenho a mais remotamente honra de comunicar que estou desenvolvendo um projeto energético para mover as nossas máquinas sobre rodas; trata-se do combustível extraído da macaxeira, ou, aipi, aipim, castelinha, uaipi, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira e pão-de-pobre. Já tenho um nome escolhido para a Usina: Macaxobras. As sobras de macaxeira serão enviadas ao Congresso Nacional para o devido uso nos ânus dos políticos e o ácido cianídrico será remetido para o Templo dos Corruptos a ser inaugurado por Dilma Rousseff. Queridas trabalhadoras e queridos trabalhadores do Brasil varonil, em ano eleitoral vale tudo, até baixar o pau em quem não merece. O bom político precisa ser lembrado pelo seu povo, por qualquer motivo, pelo que fez ou deixou de fazer, pelas coisas ruins que conscientemente provocou. Dilma, em seu pronunciamento, lembrou dos pactos que o seu governo firmou; só se foi com o Diabo. Falou do pacto pela Educação. Qual? Lula, com os seus diplomas Honoris Causa, já se ofereceu para administrar a pasta educacional e excepcional. Dilma fez questão de comentar sobre o pacto pela Saúde que viabilizou o programa Maus Médicos, perdão novamente, Mais Médicos, importando 14 mil médicos de países vizinhos, realocando-os em 3.866 municípios brasileiros. Povo de Sucupira, os meus espiões descobriram que os 14.000 infiltrados serão treinados pelas FARCS/Forças Armadas Revolucionárias Colômbia – Exército do Povo. Dilma defecou nas calcinhas quando se lembrou das manifestações de junho do ano passado, mas quero tranquilizá-la porque elas voltarão em muito breve. A presidente de Brasília falou do pacto pela mobilidade urbana. Qual? Cadê os metrôs, os veículos leves sobre trilhos, os BRTs, cadê os monotrilhos, os corredores de ônibus, os trens urbanos modernos? O dinheiro que Dilma disse ter destinado para esse bendito pacto, R$ 143 bilhões, cujo destino já está traçado. Sucupira copiará a engenharia das minhocas na construção dos buracos por onde transitarão as pessoas, a nossa cidade do futuro presente é um exemplo exemplar para o Brasil. A mui desmiolada e alucinada Dilma Rousseff voltou a citar o pacto da Reforma Política como se isso fosse possível no Brasil corrupto, uma realidade que ela e o seu PT querem que acreditemos. As práticas políticas, exceto as minhas, são abjetas. Qualquer proposta de consulta popular sobre a matéria é perda de tempo; o povo brasileiro não possui formação política que dê qualidade ao plebiscito. Responsavelmente vou parar de falar nos outros e nas outras, deixarei a Dilma Rousseff com os seus fantasmas da reeleição, também não ensinarei missa a padre, ou bons modos às freiras. Povo de Sucupira, no final, o prato preferido e dos sonhos das noivas será servido: ovos com linguiça. Para os trabalhadores e trabalhadoras desse país eu desejo mais trabalho. Para os desocupados e desocupadas de carteirinha eu defendo mais aumento do programa Bolsa Família. Viva o Dia do Trabalho em Sucupira. Viva o 1º de maio, o 1º de junho, o 1º de julho, e assim por diante. Dane-se o Brasil se o PT continuar no governo. Estou sendo “ostensório” e prolixo demais. Tenho dito terminantemente. Carismaticamente e eternamente, Odorico Paraguaçu, o prefeito do Brasil.

Nota de rodapé: O dramaturgo Dias Gomes escreveu a telenovela brasileira O Bem-Amado, produzida pela Rede Globo, que foi ao ar no dia 24 de janeiro de 1973. Hoje, 09 de outubro, 40 anos faz que chegou ao fim com a exibição do último capítulo. Na trama, o ator Paulo Gracindo interpretou Odorico Paraguaçu, um prefeito corrupto e ardiloso da cidade fictícia de Sucupira, localizada no litoral da Bahia. Em plena campanha política, Odorico Paraguaçu prometeu construir e inaugurar um cemitério em Sucupira (único), uma vez que todos que morriam naquela cidade eram enterrados nos cemitérios dos outros prefeitos vizinhos. O interessante é que depois de inaugurado o cemitério Sucupirense ninguém mais morria na cidade, deixando o prefeito Odorico Paraguaçu desesperado a ponto de provocar inusitadas e macabras situações para tentar, em vão, concretizar a sua promessa de campanha. Por fim, Odorico Paraguaçu é assassinado por Zeca Diabo, personagem vivido pelo ator Lima Duarte, inaugurando, com o próprio corpo, o cemitério de Sucupira, fato que o transformou de vilão a mártir.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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