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Política

Eleições 2014 – Revivendo Odorico Paraguaçu

1O povo gosta de eloquência, daqueles candidatos que têm o dom da oratória enganatória e difamatória, a competência para discursar – diria o saudoso Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira. Para fazer política no Brasil não precisa, necessariamente, ter formação educacional e cultural, sobretudo em ciências políticas, nem uma coisa nem outra coisa, basta ter a habilidade postulatória para arregimentar o rebanho solto e perdido nas pradarias brasileiras. Ideias isoladas serão sempre ideias isoladas; juntas, e bem dispostas, darão sentido à mensagem e os efeitos junto ao público receptor serão bem maiores. O poder destrutivo das palavras, sobretudo quando proferidas, nem sempre é percebido – a particular ignorância interpretativa de quem ouve dá o tom rosado ao palavreado, ao palavrório político. Os “Marqueteiros Políticos”, conhecidos pelo sugestivo nome de “Profissionais da Comunicação Subliminar”, por dever de ofício, reúnem palavras, frases e pequenos textos de várias fontes, sem muito nexo ou relativa importância, e transformam tudo isso num magnífico discurso de palanque. Tamanha a loquacidade, a massa eleitora se deixa anestesiar completamente – e acredita piamente que o rubro Diabo é da cor azul celeste. O poder da comunicação social é inquestionável, quando exercida segundo o que se pretende informar e os objetivos a alcançar.

A produção da comunicação de massa se fundamenta numa estratégia de linguagem que permite mecanismos de manipulação, dominação, doutrinação, robotização e alienação, seja pessoal, grupal ou coletivamente. Manipular, dominar, doutrinar, robotizar e alienar a massa de eleitores são cinco objetivos, a meu sentir, claros, de qualquer campanha política. A atuação nociva dos Marqueteiros tem influência no sucesso ou insucesso dos candidatos. Mentiras passadas como verdades absolutas; verdades não reveladas; fatos distorcidos; atos declarados; ações maquiadas; promessas firmadas; desgraça trocada por salvação. E o povo, gado, embarca na Arca de Noé rumo ao topo do Monte Ararat. No dia das eleições, passado o dilúvio, todos correm às urnas em busca de Deuses protetores. A tecla CONFIRMA é só um novo sinal de mais tempestade a caminho. Nos dez artigos anteriores publicados neste meu Blog, Eleições 2014 – Marketing Político / Recomendações, eu considerei algumas ideias soltas, de modo que, a partir delas, resolvi construir um discurso político único e fictício e colocá-lo na boca do prefeito da cidade de Sucupira, Odorico Paraguaçu, um político deverasmente corrupto, dos dois lados, ativo e passivamente. Acredito que se Odorico Paraguaçu vivo fosse hoje, certamente seriam essas as suas palavras dirigidas ao colégio eleitoral. Vamos ouvi-lo.

Discurso do prefeito Odorico Paraguaçu na Convenção do PSPartido Sucupirense.

Vamos deixar os entretantos e partirmos mais para os finalmentes. Esse meu discurso será proferido em parágrafo único para que nenhum inimigo político pense em colocar palavras nas entrelinhas paragrafais. O Marketing Político é a ciência do palavreado. Meus correligionários, inventem uma estória, ou seja, um fato puramente imaginário, sobre os seus maiores adversários políticos. Divulguem essa mentira maciçamente nos meios de comunicação e, sobretudo, nas redes sociais, até o povo acreditar nela como se fosse a maior das verdades. Mas, cuidado, os eleitores têm memória curta, de modo que eles podem trocar o nome dos políticos difamados. Crimes sexuais hoje têm mais apelo na mídia do que uma grande doação de dinheiro para uma instituição de caridade. Descubram um crime sexual que tenha sido praticado por um dos seus oponentes políticos, ou que tenha o envolvimento direto de um grupo deles. Passem a informação para jornalistas fofoqueiros, aqueles filiados ao Partido da Imprensa Golpista, e deixem que a repercussão do caso se encarregue de desconstruir a imagem desses devassos perante os eleitores. Conselho: Não deixem o seu na reta! Deixem o povo acordar, sozinho, do pesadelo que ele mesmo criou. Como bons políticos, fiquem deitados eternamente em berço esplêndido, de olho no dinheiro público, que é público, por isso, não tem dono definido. As brilhantes luzes do palácio ofuscarão a realidade brasileira: ‘DESORDEM, PREGUIÇA e ATRASO’. A propósito, por falar em dinheiro público, não acusem abertamente os seus adversários políticos de ladrões; se hoje vocês se consideram honestos, um dia serão ladrões também, seja em função do convívio solidário, seja por dever de ofício de político brasileiro. Assumam, sem vergonha alguma, temporária ou eternamente, a condição de Gay, ainda que por tendência. Não tenham receio da rejeição dos eleitores. Antigamente o viado tinha verdadeiro pavor que os outros descobrissem, hoje, o medo não mais existe – é chique, glamouroso, está na moda em horário nobre. O político, ‘sexualmente resolvido’, além de atrair um número significativo de simpatizantes, inspira respeito e admiração do público, que nele se vê. Lembrem-se de que a Justiça estará sempre do lado dos Gays, em questões de danos morais, a qualquer tempo, independente da causa, efeito ou prova. Magistrados Gays são comuns – eu, particularmente, conheço 04 no STF. Uma dica importante: Não contem nada ao deputado homofóbico Marco Feliciano (PSC-SP). Aprendam a criar bodes expiatórios no curral do vizinho. Prometam pão e circo ao povo. Ora liberem circo, ora liberem pão. Jamais os dois juntos! Incentivem o povo a fazer manifestações de rua para mantê-lo ocupado e, sobretudo, saibam tirar proveito da situação infiltrando militantes no meio da massa de manobra com o propósito de ‘plantar provas’ contra a oposição. Ultimamente as pessoas estão se comportando como formigas alvoroçadas em dias de tempestade; sem liderança, correm de um lado para o outro, perdem o rumo das coisas e de casa, e não sabem os porquês das reivindicações. Enquanto os brasileiros brincam no quintal da pátria de ‘heróis sem rosto’, os políticos devem levar a sério as campanhas eleitorais focadas nos eleitores certos e assim conquistar os postos de formigas-rainhas. Invistam na ignorância do povo; as pessoas reclamam, reclamam, mas acabam votando nos mesmos candidatos de sempre, às vezes nem por falta de opção, é porque elas têm coisas mais importantes com que se preocupar, como Copa do Mundo FIFA de futebol, Carnaval, festivais de retretas, Big Brother Brasil, novelas da Globo, enfim. Além do mais, os brasileiros têm a mania de fazer as coisas erradas, conscientemente, só para ficar protestando depois. Outras variáveis que pesam a favor dos políticos: 1ª Muitos brasileiros gostariam de estar no lugar dos ladrões engravatados. 2ª Não lêem jornais e discutem sobre qualquer assunto. 3ª Não acompanham a vida pública, portanto, não cobram o cumprimento das promessas de palanque. 4ª Perderam o espírito patriótico e, por consequência, a vergonha na cara. Lembrem-se de que toda pesquisa pode ser comparada ao biquíni da mulher, ou seja, mostra tudo, menos aquilo que a gente quer ver, por isso, a maioria das pessoas não sabe o que existe por trás dela, a pesquisa. Peçam aos Institutos de Pesquisas para manipularem as estatísticas de intenções de voto, porque as pesquisas políticas são encomendadas e compradas a peso de ouro por Partidos Políticos e entidades interessadas, tanto regional quanto nacionalmente, além do mais, os eleitores não questionam os resultados das tabulações e desconhecem totalmente a sua metodologia. Geralmente eles costumam votar nos candidatos que lideram as pesquisas, mesmo não os conhecendo, por entenderem que os demais candidatos não têm chances de vencer as eleições. Outra parcela significativa de eleitores vende o seu voto, mas, deixem a compra por conta dos cabos eleitorais, que responderão pelo crime. O governo federal dá um bom exemplo de compra de votos com o programa Bolsa Família. A função das pesquisas eleitorais é a mesma do sino em pescoço de vaca: conduzir o gado numa só direção. A construção de uma boa plataforma política se faz com propostas de governo, o que o candidato faria se eleito. Falar em saúde e educação já virou bordão cansativo com pouco apelo emocional. O povo quer saber de coisas mais práticas e imediatistas como Programas Sociais com transferência de renda – dinheiro dos cofres do governo para os bolsos das pessoas necessitadas, sobretudo funcionários públicos e seus familiares, como vem acontecendo segundo dados do cadastramento. Vocês candidatos não exijam do povo a contrapartida do trabalho formal, portanto, os beneficiados cadastrados nos programas sociais podem continuar deitados na rede e tomando a sua cachaça tranquilamente. Prometam elevar os emergentes da Classe Média para a Classe A. Os pobres e os miseráveis gostam de ser reconhecidos pelos políticos, adoram comer sardinha e arrotar caviar. Como apenas 50% dos brasileiros têm acesso ao saneamento básico, prometam investir nessa área desenvolvendo um projeto digno do Brasil: Tubulações de esgoto sobre a terra, transparentes, para que todos vejam a merda fluindo e passando rumo ao seu destino; nada de enterrar a rede de esgoto, porque fica escondida, e, por isso, o trabalho dos políticos não aparece e a sua imagem fica prejudicada perante os eleitores que defecam mal por herança. Chega, basta de minerioduto, gasoduto, oleoduto, petroleoduto; agora é a vez do merdaduto brasileiro com a devida transparência do poder público. O político que ganhar a eleição deve lembrar que “A política brasileira é uma grande pocilga, onde entram os porcos magros, e saem os porcos gordos, mas, esses porcos políticos continuam engordando porque não largam as tetas da porca mãe, a nação brasileira”. Que alguém, descuidadamente ou acidentalmente, mate o Evaristo Capristano, porque ele está vindo candidato em 2014, e assim dou por inaugurado o cemitério da minha amada Sucupira, definitivamente. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima já morreu junto com o seu Partido político Rede Sustentabilidade, e, felizmente, ela será enterrada com desonras patrióticas no cemitério de Rio Branco, às margens do Rio Acre, mesmo nome do seu Estado natal, bem longe daqui. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB – Partido Socialista Brasileiro, tentará ressuscitá-la, e o fantasma de Marina Silva já sinalizou que vem à vida para adensar o programa de candidatura que já está posta. Se Eduardo Campos não ficar esperto é ele quem vai direto pro buraco, sem os votos agregados de Marina Silva, e muito provavelmente o trarei pra Sucupira e o enterrarei ao lado do Evaristo Capristano, dois grandes traidores do povo brasileiro. As três irmãs Cajazeiras Doroteia, Dulcineia e Judiceia foram convocadas para chorar no velório. Tenho dito.

Nota de rodapé: O dramaturgo Dias Gomes escreveu a telenovela brasileira O Bem-Amado, produzida pela Rede Globo, que foi ao ar no dia 24 de janeiro de 1973. Hoje, 09 de outubro, 40 anos faz que chegou ao fim com a exibição do último capítulo. Na trama, o ator Paulo Gracindo interpretou Odorico Paraguaçu, um prefeito corrupto e ardiloso da cidade fictícia de Sucupira, localizada no litoral da Bahia. Em plena campanha política, Odorico Paraguaçu prometeu construir e inaugurar um cemitério em Sucupira (único), uma vez que todos que morriam naquela cidade eram enterrados nos cemitérios dos outros prefeitos vizinhos. O interessante é que depois de inaugurado o cemitério Sucupirense ninguém mais morria na cidade, deixando o prefeito Odorico Paraguaçu desesperado a ponto de provocar inusitadas e macabras situações para tentar, em vão, concretizar a sua promessa de campanha. Por fim, Odorico Paraguaçu é assassinado por Zeca Diabo, personagem vivido pelo ator Lima Duarte, inaugurando, com o próprio corpo, o cemitério de Sucupira, fato que o transformou de vilão a mártir.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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