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Política

Vadias, ou melhor, vagabundas.

1Eu não ia publicar esta matéria, de modo que já tinha decidido isso. Minha mulher obrigou-me, ameaçando-me de greve de sexo; o pior é que ela cumpre! Voltei atrás. Segundo ela, peitões, bundões e xoxotas modelo “pata de camelo” fazem a grande diferença nas passeatas; essas protuberâncias despertam desejos selvagens pela carne viva, atraem olhares e quem gosta acaba aderindo às causas propostas. Prefiro “Vagabundas” a “Vadias”. O título “Vagabundas”, comprovadamente, tem mais apelo emocional, ou até mesmo profissional; expressão forte, é imperativa, denota status. Não que necessariamente sejam mulheres do tipo “biscate”, mas certamente fazem grandes serviços de maneira não fixos, regulares, contínuos – pequenos serviços ficam por conta das putas casuais, também em grande número, sobretudo aquelas com acesso livre aos órgãos públicos. As “Vagabundas” gostam de chamar a atenção dos machos, pra variar. Também são chegadas a coisas sérias como foi o caso da “Marcha das Vadias” (3ª Edição) que reuniu aproximadamente 4.000 pessoas na capital Brasília, no sábado, dia 22/06/2013. Mulheres também sabem protestar independente da sua fragilidade ou da causa objeto. Depois que eu publicar a matéria, sem data marcada e sem qualquer intenção de conquistar novos leitores, eu juro que obrigarei a minha mulher a convocar vagabundas capixabas para a 1ª Edição da “Marcha das Vagabundas”, cuja passeata dar-se-á pelas praias de Vitória. Um cartaz já está definido: “Vagabundas politicamente corretas exigem a castração dos porcos políticos”.

2A concentração das vadias manifestantes não poderia ter sido em melhor lugar, aconteceu em frente do Congresso Nacional, onde funcionam as Casas de Leis (Senado Federal e Câmara dos Deputados), teoricamente as casas do povo, na prática a chafurda dos políticos. Palavras de ordem foram a tônica da “Marcha das Vadias”: Queremos a manutenção dos nossos direitos já conquistados. Queremos que o Estado nos deixe “administrar” o nosso próprio corpo. Queremos a descriminalização do aborto. Somos contra o Projeto de Lei que concede subsídios às mulheres violentadas que não desejam exercer o seu direito de abortar. Somos contra o Projeto de Lei que autoriza os psicólogos a tratar os homossexuais como se fossem doentes. Protestamos contra o machismo dos homens que nos culpam porque entendem que estimulamos o estupro pela forma como nos vestimos ou nos comportamos. Protestamos porque não somos responsáveis pelos abusos sexuais que sofremos indiscriminadamente à luz do dia e na calada da noite. Queremos o fim da corrupção. Queremos a redução da maioridade penal. Queremos o direito dos animais. Queremos a saída do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Somos contra o Estatuto do Nascituro. Queremos a liberdade para a prática do aborto.

“A pauta central é o fim da violência contra a mulher e pensando todas as formas de violência. Não só a violência física, mas também a violência dos fundamentalismos religiosos, que impede que a gente tenha o direito de abortar legalmente, ou então a violência simbólica que impede que a gente ande na rua da forma como a gente quiser. […] A marcha é autônoma e se organiza de forma independente de partidos. A gente pede para que as pessoas que participarão da marcha não tragam bandeiras de partidos ou de movimentos específicos, mas a gente de forma alguma repreende quem vem com a sua camiseta defender sua identidade e mostrar que além desse movimento, tem outras causas também. De forma alguma somos contra as pessoas se organizarem em partidos. Até porque isso é uma conquista democrática que a gente incentiva. Não só a entrada nos partidos, mas também a luta organizada independente”.

Mel, uma das organizadoras da Marcha das Vadias.

História: A passeata realizada em Brasília no dia 22/06/2013 foi convocada pela organização que se intitula “Marcha das Vadias”, integrante de um movimento internacional que se espalhou pelo mundo logo após a manifestação ocorrida na cidade de Toronto, Canadá, em abril de 2011 – “Slut Walk”. O termo “Slut”, ou vadia, foi empregado numa palestra feita por um policial na universidade de Toronto, no início de 2011, sugerindo às mulheres que deixassem de se vestir como vadias para que não fossem estupradas. Pode?

Temos muito que aprender com as mulheres, vadias ou não, vagabundas ou não, putas ou não. Tive algumas ideias a propor: “Marcha dos Filhos das Putas”, “Marcha dos Devassos”, “Marcha dos Cornos”, “Marcha dos Viados”, “Marcha dos Canalhas”, “Marcha dos Sem-vergonha”, “Marcha dos sem índole”, “Marcha dos desonestos”, “Marcha dos sacanas”, “Marcha dos aproveitadores”, “Marcha dos cupins do erário”, “Marcha dos corruptos”, “Marcha dos políticos honestos”, perdão, esta última NÃO, porque será um grande fracasso pela total falta de políticos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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