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Política

Desigualdades

DesigualdadesSegundo revelou uma fonte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a América Latina mantém a posição de região com a maior desigualdade de renda. O Brasil aparece na 4ª posição entre os países latinos. À frente do Brasil no ranking dos países mais desiguais por renda estão Honduras, Bolívia e Colômbia. Na 5ª posição vem o Chile. A América Latina concentra mais milionários do que em outras partes do mundo, segundo o relatório do PNUD. Os programas públicos destinados à transferência de renda não conseguem diminuir as distorções apresentadas – aqui no Brasil têm a finalidade de “compra de votos”. Em ano de eleições o Programa Bolsa Família dispara com a incorporação de milhões de novas famílias. Para cada milionário latino americano é imperativa a existência de milhões de seres humanos vivendo sob condições deploráveis. O acesso à educação inclusiva, à saúde de qualidade, à moradia decente e, sobretudo ao emprego qualificado, ainda é um sonho distante. Falta vontade política.

LulaCom os seus efeitos nocivos, a propaganda política consegue anestesiar a população, ou pelo menos a base da pirâmide social formada por “deficientes culturais”. Este recorrente fenômeno, consequente do processo de dominação massiva, cria uma cortina de fumaça para encobrir os problemas cruciais por que passa o Brasil, sobretudo na área econômica, impedindo que sejam identificados. Parece-me que as opiniões dos economistas privados convergem para um consenso: “Os investimentos quando não se transformam em produção viram demanda reprimida”. O governo brasileiro passa o tempo todo culpando os outros países – e sua política de protecionismo comercial – pelo péssimo desempenho da sua economia, já combalida e de baixa competitividade. Tem tomado medidas paliativas para incentivar o consumo interno, que em determinados momentos se mostra desordenado, através de mecanismos facilitadores de linhas de crédito – os bancos e outros agentes financeiros sentem-se pressionados a ampliar a oferta de dinheiro e a diminuir as taxas de juros. Deixar a massa contente e acreditar que evoluiu na faixa de renda (passando para a nova Classe Média) parece-me uma estratégia errada do governo federal, com fins meramente eleitoreiros, que visam tão somente à captação de votos em eleições futuras, e não ao interesse público. Aliás, a “Coisa Pública” só serve de objeto de desejo dos políticos brasileiros. Tenho a impressão que os governantes se negam a entender que o bem-estar social só se consegue com desenvolvimento humano. Miséria, pobreza e desigualdades, substantivamente, não podem sair do cardápio político; projetos de poder são edificados sobre este tripé de sustentação.

Guardando-se as devidas proporções, os pobres gostam de consumir e, subliminarmente, acham que estão se igualando aos ricos. Infelizmente, os brasileiros não têm a cultura de poupar – os pobres porque não podem e os ricos porque têm opções de melhores investimentos; os remediados confiam parte do seu capital nas mãos dos bancos, que remuneram os depósitos em cadernetas de poupança dentro dos parâmetros oficiais. Não tem pra onde correr. A política de desoneração do governo federal não passa de factóide, são escolhidos determinados setores para aplicá-la, o que deveria fazê-lo no geral. Por seu turno, a Reforma Tributária ainda continuará por muito tempo sendo retórica de palanque. Por sua vez, a atual carga tributária, desumana ao extremo, possui um grau de complexidade enorme. “As desonerações em curso em favor da indústria, muitas feitas de afogadilho, podem contribuir para piorar a complexidade da carga tributária, e não para reduzí-la” – Maílson da Nóbrega. Baixar a carga de impostos é ato premente e não subsídio para promessas inexequíveis. Fato é que ninguém, inclusive a oposição, faz apologia à política do “quanto pior melhor”, salvo algumas alas do próprio PT. Todo mundo sairia perdendo.

As metas de inflação desafiam os estatísticos de plantão, enquanto os tecnocratas palacianos ficam brincando de amarelinha, pulando de quadro em quadro: 6,5% – 5,8% – 5,7% ao ano. Tal cenário é desanimador, de tal modo que esses índices deixam de revelar o que interessa de verdade, ou seja, os motivos que expliquem um crescimento pífio da economia brasileira – apenas números expressos que cumprem formalidades do governo. Inflação se combate com produtividade e com mercado de oferta saudável. A crise da Petrobras veio para ficar por longo tempo – uma hóspede indesejável. O governo, na tentativa de solucionar parte dos problemas causados com a importação de gasolina, que se mantém em níveis elevados, autorizou o aumento do percentual “obrigatório” de adição de álcool anidro combustível na gasolina produzida no território nacional, passando dos atuais 20% para 25%, a partir de 1º de maio de 2013. Resta saber se a gasolina importada também será “batizada” antes de chegar às bombas. A construção dos índices inflacionários começa pelos preços dos combustíveis, que incidem praticamente em todos os setores da economia, porém, o governo nega-se a enxergar isso. De olho nas eleições de 2014 o governo federal costura os últimos pedaços da imensa colcha de retalhos que se transformou a sua administração. Nesse ínterim, os desconfiados empresários do setor privado se juntam num grande “abraço dos afogados”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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