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Fatos em Foco

Boston vive dia de fúria

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Cidade de Boston, EUA, 15 de abril de 2013. Explosões matam 03 pessoas e deixam mais de 170 feridos perto da linha de chegada da Maratona de Boston. O governo americano evita falar claramente em terrorismo, sem antes identificar os autores do atentado, mas, o presidente Barack Obama afirmou hoje (16/04), na Casa Branca, que: “Foi um ato hediondo e covarde. […] Bombas foram usadas para atingir civis inocentes, isto é um ato de terror. O que não sabemos, ainda, é quem executou este ataque ou o porquê, se foi planejado e executado por uma organização terrorista, estrangeira ou doméstica, ou se foi um ato de um indivíduo maléfico. […] Nós também sabemos disso; o povo americano se recusa a ser aterrorizado. O que eu apresentei a vocês é o que nós sabemos. Nós sabemos que bombas foram detonadas. Nós sabemos que, obviamente, elas causaram um dano severo. Não sabemos quem as fez. […] Não temos uma ideia da motivação ainda. Então todo o resto neste momento é especulação”.

Existem muitos mistérios de ordem militar e política rondando a Casa Branca, que guarda segredos de Estado rigorosamente seguindo os manuais de procedimentos. Informações não reveladas, cujos significados e causas também não são devidamente esclarecidos pelo governo dos Estados Unidos. Mais de 20 militares da Unidade de Operações Especiais da Marinha dos EUA (Unidade 06 US NAVY SEALs), que participaram direta e intensamente da missão de caçada e morte do terrorista mais procurado pela CIA, Osama Bin Laden, ou se “suicidaram”, ou “morreram” em combates no território afegão. Essas mortes correspondem a mais da metade da equipe que encontrou e assassinou o terrorista saudita na cidade de Abbottabad, no Paquistão, no dia 01 de maio de 2011. No dia 06 de agosto de 2011 um acidente com um helicóptero militar matou 20 (vinte) soldados que participaram daquela missão especial, coincidentemente, eram da Unidade 06 US NAVY SEALs. Simples acidente, mera coincidência ou queima de arquivo? Talvez daqui a cinquenta anos o mundo conhecerá a verdade dos fatos, mas, agora, eu gostaria de ver o corpo de Osama Bin Laden e providenciar um enterro digno.

Há exatos 10 (dez) anos eu escrevi este artigo:

“Game over”

Segundo o Apocalipse, o “Anticristo” é o inimigo de Cristo que virá prenunciando o fim do mundo. Neste terceiro milênio, o “Anticristo” deixou de ser apenas perseguidor dos cristãos e passou a acossar também os muçulmanos (todos aqueles que são sectários da religião de Maomé; maometanos) e todos aqueles que pregam o islamismo, e todos os demais seres humanos que habitam este planeta. Apocalipse: Livro de São João Evangelista, com revelações acerca do fim do Mundo – acontecimento pavoroso; catástrofe; linguagem enigmática. Nenhum fato apocalíptico, a rigor, deve ser considerado estranho, incompreensível, porque assim determinou o “Anticristo” em carne e ossos – entidade diabólica supramaterial. Ele tem rosto e nome: George “War” Bush – uma real ameaça à paz do planeta.

A queda das duas torres do World Trade Center em 2001, naquele fatídico dia 11 de setembro, marcou definitivamente o começo de uma nova era na história mundial: o aumento dos atentados terroristas, agora em massa, e focados segundo planejamentos estratégicos de retaliação. A maior potência, os Estados Unidos da América do Norte, humilhada, caiu de joelhos perante os seus algozes. Soa paradoxal a informação de que o fanatismo político-religioso, em um determinado momento, “foi financiado” por essa máquina mortífera, rotulada USA, quando o motivo principal alegado era a defesa da sua supremacia e, sobretudo, dos seus próprios interesses econômicos – donde se pressupõe que o dinheiro que financiou o terrorismo internacional contra os inimigos do império, também serviu para imolá-lo, por questões que transcendem a uma simples oportunidade comercial identificada.

O império que se julga no direito constituído de contra-atacar, igualmente baseado na desforra, revidando com ações beligerantes potencializadas, na tentativa de mostrar ao mundo que ainda não perdeu o status de “Xerife da Terra”. Os impérios, vítimas do tempo, não são eternos – eles se desmoronam facilmente quando corroídos nas suas bases de sustentação. Os atuais inimigos do império americano são como cupins invisíveis. Daí, concluo que a época da Guerra Fria era, sobretudo, romântica – só existia o frio. Sem lançar um míssil nuclear, sequer, os Estados Unidos conquistaram o poder hegemônico, consolidado a partir de 1991, ano em que a antiga União Soviética entrou em colapso, sobretudo quando o chamado Bloco Comunista desapareceu do mapa, ocasionando um irreversível desequilíbrio na balança do poder mundial. A América, dos dólares verdejantes, não soube o que fazer com tanto poder nas mãos – que foram trocadas pelos pés descalços. O Império Romano sentiu este gosto.

São incontestáveis a influência política, a força econômica e o poderio militar dos Estados Unidos. Nada disso livrará os americanos da “síndrome do pânico”, ao lembrarem-se do seu particular 11 de setembro, que muito provavelmente os levará a outros estágios de inquietação, na medida em que desconfiarão da sua própria sombra – a segurança, certamente, será uma obsessão e todo mundo será terrorista, até que a própria América, única e exclusivamente, prove o contrário. Na paralela, paira um clima de desconfiança nas relações internacionais e os EUA decretam uma mudança radical na sua política externa e colocam em xeque a inocência dos demais países, até dos antigos aliados, e questionam a competência da ONU e a sua validade enquanto organização, cujo destino é desenhado como incerto. Talvez não, dependendo dos interesses de moda. O custo pago pela prepotência, pelo imperialismo exacerbado e pelo seu perfil intervencionista é, e será muito elevado, e a sociedade americana arcará com esse ônus a partir de agora, independentemente se os Estados Unidos irão adotar uma política pacifista ou se mantiver a prática da agressão unilateral – esta segunda opção parece-nos a mais viável, até porque todos os países, historicamente berços do terrorismo internacional, segundo avaliação dos americanos, tornar-se-ão alvos diretos – o Iraque foi o primeiro da fila. O Tio Sam já destinou ao orçamento militar cerca de 5% do PIB, que é superior a 10 trilhões de dólares.

Há muito, as religiões deixaram de serem simples construções literárias, ou narrativas episódicas – essas crenças, por convicção ideológica, orientam as ações dos povos e estão em franco processo de crescimento. Prova disso, é o Islamismo – de 196 nações, 47 são países de maioria muçulmana e congregam um número de fiéis da ordem de 1,3 bilhão de pessoas. Até que ponto o Islã está disposto a embarcar na democracia ocidental? Qual o preço que o Ocidente concorda em pagar pela derrocada do fundamentalismo islâmico? Não podemos jamais esquecer que o Ocidente foi a grande fonte de inspiração para os sistemas de governos ditatoriais, hoje combatidos com veemência pela América. O mundo está rachado pela bestialidade assistida – as gretas desunem o que os homens não conseguiram unir.

Não acredito em impulsos patrióticos, em arroubos gratuitos de loucuras – neste século XXI não há espaço para novos mártires ou heróis de revistas em quadrinhos; glória individual é outra coisa quando justificada por decisões recheadas com diferentes graus de insanidade. Os 50 milhões de mortos contabilizados na Segunda Guerra Mundial até hoje chocam a humanidade. As baixas contabilizadas na desproporcional Guerra do Vietnã (aproximadamente três a quatro milhões de vietnamitas dos dois lados morreram, além de outros dois milhões de cambojanos e laocianos, arrastados para a guerra com a propagação do conflito, e de cerca de 60 mil soldados dos Estados Unidos) não serviram para nada, senão pra revelar a sanha da América e o desrespeito à vida dos seus filhos, que aprenderam a amar a pátria em primeiro lugar. Nestas últimas sete décadas muitos outros conflitos de proporções internacionais fizeram milhares de vítimas fatais em prol da democracia, da liberdade e da paz, sob o olhar complacente das superpotências. Quantas vidas mais os Estados Unidos estão predispostos a ceifar com a desculpa de acabar com a ditadura encarniçada dantes imposta por Saddam Hussein e com o pretexto de encontrar e destruir as supostas armas de destruição em massa “Made in Iraque”, quando, na verdade, todo mundo sabe que o domínio do petróleo iraquiano estava por trás de tudo? Os meios utilizados para tirar vidas humanas, abrindo caminho para a posse do “ouro negro”, são deploráveis e também questionáveis. De nada adianta justificar o injustificável. A “águia americana” não aprendeu, absolutamente nada, com as lições anteriores. Temo pela falta de tempo.

Numa quarta-feira, 19 de março de 2003, uma chuva de mísseis começou a cair em Bagdá e continuou nos dias que se seguiram, transformando a capital iraquiana num inferno sem precedentes, onde cinco milhões de pessoas viraram alvo em potencial, e a estatística final do número de mortos certamente será manipulada segundo conveniências internacionais. O pós-guerra será extremamente doloroso para os invasores. A ocupação do Iraque pelas forças de coalizão deixará profundas sequelas no seu povo. A permanência das tropas nos territórios iraquianos ocupados jamais poderá ser comparada com um simples passeio pelos jardins floridos da Babilônia. Diferentes grupos religiosos, radicais, pressionarão por todos os lados; mortes acontecerão à prestação; focos de resistência desencadearão atentados generalizados; novas frentes de batalha serão abertas para o combate aos rebeldes e milícias fiéis ao ex-ditador. O destino dos americanos já está traçado: fugir do Iraque, a exemplo do Vietnã, batendo com os calcanhares no traseiro, ou, quem sabe, sair de finiho alegando ter cumprido a missão humanitária de libertação.

O que fizeram com a soberania das nações; o que fizeram com o princípio de igualdade e com a defesa dos direitos dos povos? Ainda que os homens insistam em semear discórdia achando que irão colher flores; ainda que os homens fomentem guerras impulsionadas por vingança ou sede de sangue; ainda que os irmãos sintam ódio entre si por instinto maléfico; têm que haver uma saída, caso contrário, as vítimas de hoje nunca serão as últimas vítimas. A vitória da violência e do mal, neste começo do terceiro milênio da era Cristã, é insofismável – o “Anticristo” sorri. A intolerância, a arrogância, a insensatez e a imensa capacidade de dominação pela força bélica – qualidades de certos líderes mundiais –, nunca estiveram tão em evidência. Mesmo impotente, a humanidade não deve abdicar do seu direito à paz e à liberdade, e da prerrogativa de se livrar desses líderes assassinos – verdadeiras bestas governantes.

Saddam Hussein, depois de traído, será encontrado e capturado pelas forças de coalizão e posto a julgamento pelos tribunais internacionais que julgam crimes contra a humanidade, e os “invasores libertadores”, que mataram os iraquianos inocentes, estes, ficarão impunes. Personalidades como Muamar Kadafi (que finge ser cordeiro dos capitalistas) e Osama Bin Laden ainda estão vivos. Quem encarnar a causa do combate ao fogo pelo fogo saberá que o mundo é impiedoso. Assim como Israel depende da paz com os árabes para celebrar o seu território como “propriedade privada”, os Estados Unidos necessitam da coesão do resto do mundo para sonhar com a paz que tanto apregoam, sem, contudo, merecê-la.

Paz significa concessões. Nenhuma das partes está disposta a ceder. Israel e Líbano, cada qual a seu modo, divergem quanto à maneira de ordenar as ações beligerantes segundo certos princípios ideológicos; na persecução de quaisquer objetivos político-religiosos, mas concordam que a garantia de atacar – e de contra-atacar o inimigo – é um direito comum, sem perdão ou trégua. As hostilidades parecem não ter fim naquela terra por muitos amaldiçoada, onde a prática fratricida é pactuada num ritual sanguissedento. Ceifar vidas é missão rotineira no meio da destruição. Nessa luta inglória, não pode haver vencedores, somente perdedores. Os cães de guerra uivam e mostram os dentes afiados. Israel é um braço armado dos Estados Unidos no Oriente Médio, um sequaz testador de armas para a indústria bélica americana. Fundamentalmente, a estabilidade geopolítica e a ausência de conflitos no planeta dependem da paz com o povo árabe. No ocidente, deu-se como certa a volta do mais novo anticristo: George “War” Bush – e a ONU a sua casa de morada.

“Liberdade jamais significou a licença para fazer qualquer coisa à vontade”.

Gandhi

“As histórias dos grandes acontecimentos do mundo não são mais do que a história dos seus crimes”.

François-Marie Arquet (Voltaire)

Até que ponto alimentar o terror no mundo pode beneficiar os planos políticos de alguns países? Dentro de cada governante podem ser encontradas as verdadeiras causas do terrorismo, sejam em que grau for. As injustiças e a tirania devem ser combatidas sem atropelar a comunidade internacional. Qualquer interpretação das consequências precisa perpassar pelo racionalismo. O planeta Terra visto como uma nave espacial que navega no espaço infinito rumo a um destino ignorado – seus tripulantes não estão se entendendo e põem em risco, não só a viagem, como a segurança de todos que estão a bordo. O homem tem um limite de evolução, e, a partir daí, ele entra num processo de regressão e de autoflagelo. A ameaça de uma hecatombe é angustiante. The game has over. Game over. “O jogo acabou”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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