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Religião

Profissão de Fé

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Foto: Filippo Monteforte (AFP).

A “Profissão de Fé” é um sinal da plena confiança do homem em Deus; é adesão livre dos seus desígnios e dos seus projetos. Abraão (Gn. 12,1-8) e Maria (Lc. 1,26-38) são exemplos que sinalizam essa crença através da obediência à Palavra de Deus, mesmo em suas incertezas, seguiram-na respondendo firmemente com o “SIM” de suas vidas.

O momento em que o raio atingiu a Basílica de São Pedro, em Roma, seria o prenúncio de uma nova Anunciação? Provavelmente a resposta que tanto ansiamos fique reservada aos céus. A Igreja Católica ao longo de décadas vem perdendo a sua mais importante missão, que é pregar a religiosidade aos seus fiéis pelo mundo. Passou a ser uma instituição política internacional com aptidão para influenciar governos e decretar destinos dos povos. Não bastasse esta interferência no campo político, o perfil de “entidade financeira global” se sobressaiu ao lado da crença, enterrando de vez a prática filantrópica, na perspectiva do amor à humanidade, do humanitarismo; pelo menos esta é a minha percepção. A fé trocada por moeda escureceu os caminhos dos seus seguidores, muitos dos quais decidiram acompanhar novos fachos de luz. Não abrindo mão das suas convicções, a Igreja Católica sente dificuldades em reunir novamente o seu rebanho, de conquistar novas ovelhas cada vez mais distanciadas das doutrinas cristãs por motivos que a própria Santa Sé (Sancta Sedes Apostolica) não faz questão de entender. A herança do “consumismo” da fé católica se perdeu no tempo e no espaço familiar, deteriorado pelas novas culturas deletérias que fortalecem o mal e enfraquece o bem.

Caminhamos num deserto sem horizonte. O mundo em que vivemos passa por transformações que transcendem a racionalidade. Valores que dantes orientavam os nossos passos foram substituídos pelas incertezas. A subjugação a sistemas doutrinários difusos bateu à nossa porta. A renúncia profética do Papa Bento XVI anuncia a maldição do 3º milênio regido pela Besta, que por sua vez, há tempos vem formando a banca de jurados para a escolha dos novos Anticristos (αντιχριστός), espíritos de oposição a Cristo, personagens escatológicos que dominarão o mundo até os seus últimos dias. Destarte, o retorno de Jesus Cristo à vida terrena para uma segunda “salvação” da humanidade é uma incógnita, porque a presente civilização de algum modo não deu sequência à sua evolução, muito pelo contrário, a espécie humana involuiu conscientemente, na perspectiva do aperfeiçoamento da selvageria e barbárie.

Filhos sem pais, pais sem filhos; famílias sem lares e desintegradas; bocas famintas assistindo a banquetes nababescos; abandono; descaso total; desvalor da vida; culto ao supérfluo e ao materialismo. Este é o retrato falado dos homens do século XXI, que aprenderam a olhar o seu semelhante com dessemelhança. Ó Pai, por que os abandonou? Enquanto de joelhos, por Ato de Contrição, e de mãos postadas rogando com veemência a salvação (carne sem espírito), a ganância financeira carcomia os nossos bolsos; os governos roubavam a nossa esperança; as nossas crianças transformavam-se em objeto de desejo dos sacerdotes; e a fé se cristalizava sob os olhares da intolerância. Pagamos penitência a nós mesmos pela ignorância assistida e não nos é ofertado o perdão, senão a resignação, completa submissão à vontade de alguém, ao destino que nós próprios criamos. Outros seres iluminados apresentam-se travestidos de santos, tentam possuir as nossas almas em diferentes cenários, cujas trevas disfarçadas em ambientes opacos, palavras e gestos articulados nos colocam em bandejas de ouro como oferendas a um poder maior. Os Anticristos têm mil faces e cada qual se apresenta de acordo a plêiade de fiéis e cegos sequazes.

“Mas há um Deus nos céus, o qual revela mistérios” Daniel 2:28a. O mistério na terra dos homens não revelado em razão da sua supremacia, da sua superioridade absoluta, poder e autoridade suprema. O pão consagrado e o vinho perderam a essência do simbolismo, não mais são interpretados como a misericórdia de Deus através da remissão dos nossos pecados. Corpo e sangue, vida e morte. A Santa Inquisição (espécie de tribunal religioso criado na Idade Média para condenar todos aqueles que eram contra os dogmas pregados pela Igreja Católica) nos roubou a vida eterna. Dos sinos do Vaticano ecoa um som sepulcral. O Demônio está de plantão – o anjo que se rebelou contra Deus, que passou a lutar pela perdição da humanidade e que é reverenciado pelo bem aniquilado. Qual a sorte reservada ao gênero humano? Qual o futuro profetizado?

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Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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