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Política

Julgamento do Mensalão – Rabo de fora

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Não estamos sozinhos. Quem pensa que está a salvo de invasores cibernéticos engana-se redondamente. A privacidade é coisa do passado; perdemos totalmente a faculdade de nos resguardarmos – o controle da exposição pessoal e o gerenciamento das informações acerca de si cada vez mais se concentram nas mãos dos outros. Vidas são devassadas sem piedade, segredos revelados, constrangimentos, prejuízos de toda ordem. Uma vez plugado na Internet portas são abertas que dão aos “habilitados” (pessoas, com destacado Know-How, que se utilizam de forma consistente dos recursos tecnológicos disponíveis) o direito de entrar à vontade no nosso sistema para cascavilhar arquivos, bancos de dados, informações sigilosas, e deles tirar proveito com finalidades inconfessáveis. Fazemos parte de uma sociedade em que o anonimato perdeu o sentido; somos virados do avesso a tempo e a hora; a nossa identidade tem vários rostos; tornamo-nos alvo fácil e presa certa dos vícios da modernidade.

Na última terça-feira, dia 08 de janeiro de 2013, um Hacker, identificado por @nbdu1nder nas redes sociais, divulgou na Internet os dados pessoais (CPF, endereço, telefones, e-mails) de três réus condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Segundo declarações do Hacker, autor da façanha, tal divulgação foi uma forma de protesto e uma maneira de os brasileiros conhecerem os seus políticos, nos quais votaram – e, com certeza, votariam novamente. Questões de ordem devem ser levantadas. Existem várias outras formas de protestar e os brasileiros, na sua esmagadora maioria, não fazem a mínima questão de conhecerem os políticos, tanto é que eles eram totalmente desconhecidos no momento em que a tecla CONFIRMA foi acionada na ungida urna eletrônica. Pra quê conhecê-los se a prática política vem consolidando o crime contra a administração pública? De que servem os dados pessoais daquelas pessoas, alguns já públicos? A história se modificaria se novos crimes fossem revelados, saldos bancários aqui no Brasil como em paraísos fiscais, provas trazidas à tona para o esclarecimento de dúvidas, sobretudo no julgamento da AP 470.

“Isto é só o começo. Muitas coisas ainda virão. Poucos perceberam, mas no texto que fiz, eu coloquei a database do planalto.gov.br. É certeza que dados de muitos outros envolvidos no Mensalão serão divulgados. […] O governo omite muitas informações. A população tem direito de saber quem está por trás do nosso Brasil. […] O Brasil viveu um dos momentos mais constrangedores de sua história, não apenas por assistir a posse na Câmara dos Deputados de um corrupto e quadrilheiro condenado a seis anos e onze meses de prisão, mas pelo fato de ele ter sido aplaudido por boa parte dos parlamentares, entre eles todos os petistas, como se fosse um herói nacional”.

Hacker, identificado por @nbdu1nder

“Não há possibilidade de os dados sobre os três políticos em questão terem saído do site do Planalto”.

Secretaria de Comunicação do governo federal.

O governo federal só divulga o que lhe interessa, sobretudo quando as informações rendem bons dividendos políticos. Isso faz parte da estratégia de comunicação previamente elaborada. Em geral, quando os dados são negativos e podem causar desgastes na imagem do governo, ou são manipulados, ou simplesmente são descartados, não chegando a ser divulgados. Cabe à “Indústria Cultural”, ou seja, aos meios e veículos privados de comunicação, dar a devida interpretação às informações no instante em que são capturadas, independente da forma como são – as fontes ainda são extremamente importantes nesse processo, assim como os sistemas de segurança da informação são vulneráveis. Informação é poder, nas mãos de quem a detém, ainda mais quando fidedigna.

Por outro lado, se não houver ressonância na população (massa consumidora de notícias) dificilmente se conseguirá os efeitos desejados. A questão é cultural. Despertar interesse coletivo ainda é um desafio a ser perseguido. Normalmente as diversas camadas sociais agem por “seletividade imposta”, por isso, têm a sua atenção desviada para assuntos banais que em nada contribuem para o seu crescimento e fortalecimento da cidadania. Temas políticos entram nesse coquetel de rejeição massiva.

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Para um Hacker tem sempre um “rabo de fora” à disposição dele.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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