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Política

Julgamento do Mensalão – Falta um no Tribunal de Nuremberg

Crime de traição à pátria e aos brasileiros. Esta é a imputação feita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – além de perjúrio, juramento falso ou violação de juramento.

“Os tubarões do PT nadam no cardume de sardinhas para conduzi-las à rede dos pescadores”. É essa a fotografia que tiro no mar dos oportunismos. O Partido dos Trabalhadores, desde a sua fundação em 10 de fevereiro de 1980, sempre soube se valer do oportunismo; sistema ou prática política, que consiste em aproveitar-se das circunstâncias ou acomodar-se a elas para tirar proveito. Os seus membros ilustres bem demonstram essa prática, basta analisar de perto as atitudes dos que preferem contemporizar para atingir a um fim estabelecido, valendo-se das circunstâncias oportunas. A doutrina e o comportamento se entrelaçam; a corda e a caçamba. Mais cedo ou mais tarde o dia-a-dia do julgamento do Mensalão levaria ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; isso é mais do que lógico, porque está tudo conectado, tudo faz parte de um mesmo contexto e facilmente comprovado. Por isso que eu digo que notícias fragmentadas só levam à desinformação e causam confusão.

Por oportunistas também passam a mídia, os meios e os veículos de comunicação, que não estão cumprindo com o seu papel de direito, sobretudo as chamadas televisões abertas. Uma questão de ordem deve ser levantada para o bem de todos e felicidade geral da nação. Por que não deram a devida importância ao fato do envolvimento do ex-presidente ‘Lulaéreo’, que de lunático não tem nada, no escândalo do Mensalão? Seria um tipo de censura prévia? Com que pretexto? Razões existem para que a “Indústria Cultural” se sirva para esconder os verdadeiros motivos, porque são vários e inconfessáveis. O compromisso com a notícia isenta se mostra questionável. Prova disso é que os advogados Délio Fortes Lins e Silva Junior, que defende o réu Jacinto de Souza Lamas (Era responsável somente pela parte técnica voltada à propaganda do extinto Partido Liberal – PL), e Délio Fortes Lins e Silva, que defende o réu Antônio de Pádua de Souza Lamas (Assessorava a liderança do extinto PL na Câmara dos Deputados), em suas sustentações orais na Tribuna do STF, na sexta-feira, 10 de agosto de 2012, encerrando a sessão daquele dia, disseram textualmente que nos Autos da Ação Penal nº 470 – Processo do Mensalão, existem depoimentos afirmando que Lula sabia do esquema e ambos os advogados questionaram o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, sobre as razões pelas quais o ex-presidente não foi denunciado. A imprensa, cumprindo com o script negociado, falou pouco, mostrou pouco e escreveu pouco sobre o episódio. A informação em si mereceria ser assinalada com o marcador de texto.

A mídia está “tirando por menos”, minimizando os possíveis efeitos da crise, que todos sabemos existir. A emissora: “Conseguimos, em caráter de exclusividade a matéria tal” – esse é o jargão usado pela empresa de comunicação que tem na conquista da audiência comercial a sua principal missão. Talvez pela impossibilidade da NÃO exclusividade, a informação deixa de ser completa e se dá em pitadas pífias, insignificantes. Ou será que alguém do governo federal fez aquele tradicional pedido de “pé de ouvido” às emissoras? “Olha, deixem o Lula quieto, não comentem isso ou aquilo, mudem o foco, será bom para todos nós”. Governos de exceção assim agem, mas, é claro, aqui no Brasil a coisa é bem diferente. São conjecturas. Não resta a menor dúvida, não há dedo do governo na gestão dos meios e veículos de comunicação, de modo que o dedo, os dedos, ou as mãos inteiras estão sendo colocados em outros lugares, em razão dos graus de interesse. Importante ressaltar que aqui no Brasil os políticos são proprietários, digamos assim, da maioria das concessões de emissoras de rádio e televisão e a elevada cobertura dos meios e veículos de comunicação de massa os torna poderosos instrumentos de dominação, influenciando significativamente na formação de opinião das pessoas, na construção de juízos de valores e atuando na vida cultural, econômica e política das regiões com reflexos nacionais.

Na sessão de segunda-feira, 13/08/2012, o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que defende o réu Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e delator do esquema do Mensalão, disse na Tribuna do STF, em bom tom, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mandante do Mensalão e que diretamente ordenou o esquema de compra de votos no Congresso Nacional. O advogado cobrou do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, a inclusão de Lula na denúncia. É bom relembrar que o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ) teve o seu mandato cassado numa quarta-feira, 14 de setembro de 2005 pelo Plenário da Câmara de Deputados, por quebra de decoro parlamentar. Dos 489 deputados federais que participaram da votação (que foi secreta), 313 votaram a favor da cassação e 156 contra, foram 5 votos em branco, 13 abstenções e 2 votos nulos. Roberto Jefferson foi acusado de denunciar o esquema do Mensalão sem apresentar provas. Com a cassação, Roberto Jefferson perdeu os seus direitos políticos por oito anos, ou seja, até 2013. “Tirei a roupa do rei. Mostrei ao Brasil quem são esses fariseus”. Bradou Roberto Jefferson no final do seu discurso no dia da cassação. “O presidente Lula é um preguiçoso, cometeu crime por omissão”. Completou.

“Disse o Procurador-Geral da República que, entre as quatro paredes de um palácio presidencial, estariam sendo celebradas tenebrosas transações. […] É claro que Vossa Excelência não poderia afirmar que o presidente fosse um pateta. Que sob suas barbas isto estivesse acontecendo e ele não sabia de nada. O presidente é safo. Não só é safo como também é doutor Honoris causa em algumas universidades. Mas é um pateta? É claro que não. Não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso. Sim, ele ordenou. Aqueles ministros eram apenas executivos dele. Recebida a denúncia, o Procurador-Geral da República deixou o patrão de fora. Por que fez isso? Vossa Excelência é que tem de informar”.

“Como procurei demonstrar na evolução dos fatos, este tribunal recebeu a denúncia de que três ministros de estado, auxiliares do presidente, estariam pagando parlamentares para aprovar projetos de interesse desse mesmo presidente, mas o presidente ficou fora”.

Luiz Francisco Corrêa Barbosa

Então, nesta questão, qual seria o papel da mídia? Promover um jornalismo investigativo, como o faz em outros casos de idêntica repercussão? Manter-se à margem do fato para não gerar “espetacularização”, sensacionalismo? Preservar a imagem de Lula junto à opinião pública, sobretudo junto à massa de eleitores, e assim garantir os índices de audiência domesticada e ao mesmo tempo satisfazer as expectativas do sistema? Não temos como mensurar o alcance social e o que pudesse advir do processo comunicacional. O certo é que o povo foi para as ruas pedir a cabeça do então presidente Collor, motivado, estimulado e empurrado pela “mídia da denúncia” porque tinha os seus próprios interesses. Vamos recordar: Após muitos anos de ditadura militar e eleições indiretas para presidente, uma campanha popular tomou as ruas para pedir o afastamento do cargo do presidente Fernando Collor de Mello. Acusado de corrupção e esquemas ilegais em seu governo, a campanha “Fora Collor”, movimento político ocorrido no ano de 1992, mobilizou muitos estudantes que saíram às ruas com as caras pintadas para protestar contra o corrupto presidente. Alguém lembra? E agora?

Uma vez eu li: “Um homem íntegro não se vende por situações momentâneas, infringindo as normas e leis prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente, alguém que esteja do lado oposto”. Motivos fúteis e incoerentes: Poder e Dinheiro. Porém, cada indivíduo tem o seu preço, o seu relativo valor. No mercado das conveniências políticas, pessoas há que valem pouco, como é o caso do Professor Luizinho PT/SP, que recebeu R$ 20 mil do esquema do Mensalão. Outros cidadãos incomuns obedecem a tabela média do mercado espúrio. Os chamados Top Ten compram o silêncio. Caso a nossa Suprema Corte não os julgue de forma conveniente, pelo menos um tem que ser recomendado ao Tribunal de Nuremberg.

Leitura recomendada: Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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