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Política

Polítitica – 39ª Crônica

Gasta-se mais tempo articulando do que trabalhando. Isto é um fato inquestionável no governo de esquerda. A máquina governamental montada pelo PT, desde que assumiu em 1º de janeiro de 2003, vem apresentando fortes sintomas de que algo não anda bem, primeiros sinais de emperramento – o que faz aumentar a nossa angústia e a esperança de dias melhores distancia-se cada vez mais. O PT estica as veias do pescoço para conseguir a maioria no Congresso Nacional, o que representaria mais de dois terços do caminho andado para a aprovação das reformas anunciadas; a da Previdência Social e a Reforma Tributária, sem a qual a primeira fracassaria.

De chapéu na mão, o PT esmola o apoio político do PMDB que, por tradição e experiência, cobrará um preço muito caro por qualquer eventual negociação. É o velho expediente do “Toma lá, dá cá”. Dá cá primeiro, antes do toma lá. O presidente Lula quer que o PMDB participe do seu governo, mas, o “cantado” ou está se fazendo de gostoso, ou está se fazendo de morto pra comer o “anel de couro” do PT, ou ainda não se deixou morder pela mosquinha azul, perdão, vermelha. Enquanto isso, fala-se pelos cotovelos e resultados práticos, como todos nós esperávamos, não estamos vendo.

No atual governo arranjam-se desculpas pra tudo. Álibis também não faltarão como pretexto para desculpar-se de qualquer omissão. Para a temida estagnação econômica e para a falta de crescimento decorrente, alguns culpados já foram denunciados pelo Ministério do Lula: o prenúncio de guerra dos EUA contra o Iraque (será que tem gente torcendo pelo Tio Sam jogar logo a primeira bomba sobre o território iraquiano?); as velhas crises internacionais, pois, como sabemos, com essa história de globalização, não podemos dar um arroto ou um peido sem consultarmos primeiro a dita cuja comunidade internacional; a Copa do Mundo de 2006 foi cancelada; Saddam Hussein, deposto pelo Tio Sam, candidatar-se-á à presidência do Brasil pelo PT; Lula perdeu o dedo mindinho da mão direita; enfim, nada que o Marketing Político de Duda Mendonça não possa criar, e lucrar, sobretudo com a venda de “utopias”.

Estou sabendo que está no forno uma campanha publicitária encomendada pelo governo federal (vão dizer que foi o PT), onde explora o tema da guerra USA x Iraque, envolvendo crianças brasileiras numa clara manifestação contra a guerra. Nela, o PT expõe o seu brasão de guerra, como que assinasse a mensagem. Pelo visto, tudo está servindo de munição para o início de uma nova etapa – mais cedo do que se presumia – de acirradas críticas ao governo de FHC x 2, na tentativa de tirar o “anel de couro” da reta.  Quem tem cu é a oposição.

José Dirceu, Ministro-Chefe da Casa Civil, não vem poupando palavras, tampouco esforços para isso. Com seu tradicional sotaque de peão boiadeiro do “interiorrr” de São Paulo, engrossa o tom da voz toda vez que se refere à “maldita herança deixada pelo goverrrno anteriorrr”, sobretudo quando quer justificar as indecisões, a obscuridade na política, a falta de foco e as tropeçadas do PT nas próprias pernas. As pernas dos outros, ele, o PT, chuta.

José Genoíno, presidente do PT, ainda vai ficar muito inconformado com acusações dos partidos de oposição ao PT por este não ter “projeto estratégico” para o governo Lula. Mesmo o PT não dispondo, não é motivo para fúrias, porque o próprio Lula também não sabe fazer planejamento algum e, se pensar em encomendá-lo ao Duda Mendonça, corre o risco de ser marionete outra vez. Eta, maldita herança!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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