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Política

Polítitica – 38ª Crônica

O problema do PT é o próprio PT. Sempre que posso, reafirmo esta minha tese, porém, estou ficando cansado. O Partido dos Trabalhadores, desde que foi parido, ou melhor, criado, é marcado pelas incontáveis contradições, ou seja, pelas incoerências entre palavras e ações, entre afirmações atuais e anteriores. Os seus membros tentam convalescer, mas só fazem agravar a situação do Partido, que mais parece uma família de classe média, emergente, mas que não se livrou das mazelas de origem. Isso não tem nada a ver com a “Grande Família”.

Todos brigam entre si na defesa de interesses pessoais e de pontos de vista individualizados, por isso, o surgimento de alas radicais e o consequente racha dentro do próprio PT são plenamente previsíveis. A família petista cresceu muito e seus membros foram educados na base da gritaria, da pancadaria, da contestação, da rebeldia e da radicalização – se prostrar na oposição é o prato predileto do Partido. Na situação vão cagar o pau. Colocá-los na escola do civismo agora parece tarde – mas nunca para tentar. Casa sem pai é um problema dos mais sérios. Portanto, a família PT sente a privação de uma figura agregadora. A falta de unidade, tanto de comando quanto de filosofia partidária, dá margem para comentários dos mais estapafúrdios que possam existir.

O candidato derrotado José Serra, que disputou o segundo turno com Lula, disse, em período de campanha, que “A eleição de Lula seria o maior estelionato eleitoral desde Collor”. É bem verdade que há um pouco de exagero nisso. Será? Contudo, os primeiros quarenta e cinco dias de governo do PT mostram esta tendência de longo prazo. Até que se prove o contrário, o Partido dos Trabalhadores não tem um Programa de Governo e sim um Projeto de Poder, que pode durar anos dependendo das alianças forjadas com ouro de boa qualidade, extraído de jazidas públicas.

Na outra ponta do processo político, por incrível que pareça, há quem admita que Lula possa se reeleger em 2006 com facilidade e ultrapassar os 52,8 milhões de votos conseguidos em outubro de 2002. Não acredito que tamanha sandice tenha partido de algum cientista político, até porque o autor deste pensamento precoce não deveria estar no seu juízo perfeito. Além do mais, na média do julgamento racional, devemos achar que o infeliz assumiu a condição de cavalgadura logo após ter pronunciado a referida aberração. Só um lunático poderia fazer esta previsão com tamanha antecipação. Em todo o caso pago pra ver – se faltar dinheiro o caixa 2 do PT cobre a diferença, até porque o estoque de ouro já teria se esgotado.

Em tempos de “mesmice agravada”, resta-nos relembrar: “Este ano vai ser igual àquele que passou, eu não brinquei, você também não brincou!”. Em 1º de janeiro de 2004 a gente repete este refrão. Só não sabemos se vai ter plateia suficiente para ouvi-lo e justificar o custo do espetáculo, mas, certamente terá gente de sobra torcendo para que a palhaçada não acabe.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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