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Política

Polítitica – 15ª Crônica

Tomei uma decisão importante, influente. Talvez a mais importante destes últimos quinze segundos. Resolvi renovar o título-conceito desta minha coluna, dos meus escritos. A partir de agora vai se chamar CRÔNICA, não mais OPINIÃO. As pessoas nunca deram mesmo muita importância à opinião das outras, conforme já sugeri em matéria passada. Fico o tempo todo fazendo discurso pras pirâmides e o que digo (não escrevo), paradoxalmente, não tem provocado a ressonância desejada nas cabeças napoleônicas. Napoleão era quem tinha intimidade com as pirâmides do Egito e da França. Se tivesse vindo para o Brasil, certamente cultuaria as crateras lunares – com permissão dos políticos selenitas.

Outra decisão importante foi tomada, há algum tempo, por alguém portador de uma mente brilhante – de certo não tinha cabeça napoleônica. Esta pessoa resolveu decretar o dia 17 de novembro como o “Dia da Criatividade”. É uma data dedicada a todas as pessoas que criam e que têm capacidade criadora. Infelizmente, pouco, ou quase nada, comemorada.

Deus, na sua infinita criatividade, também por decreto, sentenciou-me a reencarnar neste dia 17 de novembro. Dona Sylvina, minha mãe, filha de portugueses legítimos, teve muito trabalho para me expulsar do seu ventre. Nasci roxo; tanto que o criativo padre, na hora do batismo, rogou à minha fonte (mãe) que me levasse de volta para casa e, com as mãos erguidas ao senhor, suplicou: “Dona Sylvina, se daqui a sete dias não nascer rabo e pêlos, pode trazer de volta essa coisa, perdão, esse menino, que eu batizo com as graças do Senhor!”. Uma tia me confidenciou depois de muitos anos – já não tinha mais o matiz violeta – que, ao nascer, eu mais parecia uma hiena apedrejada do que gente. Bondade dela. A minha madrinha disse que era pior do que isso!

Neste domingo, 17 de novembro – não poderia ser diferente –, antes que minhas cadelas Poodle devorassem o jornal O DIA (elas começam sempre por ele) tomei conhecimento de uma notícia verdadeiramente criativa. O PT, Partido dos Trabalhadores, pelo fato de não dispor no seu quadro de outro barbudinho com competência suficiente para escrever o discurso que o Lula (lá vem o meu computador de novo: ele insiste que é a Lula) proferirá no dia 1º de janeiro, dia da passagem da faixa presidencial na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, convocou o Marqueteiro Duda Mendonça para fazê-lo.

Perdão Duda, você é Profissional da Comunicação Subliminar, com muita honra e com todo o seu espírito diabólico, por isso, não poderá recusar tal honraria, até porque você tem culpa no cartório. Ouço o rosnar da oposição, que não cansa de mandá-lo pro Inferno – Resta saber se o “Cão” o quer por lá.

A elaboração de um texto que fale diretamente para os excluídos, segundo o pleito do “chefe”, é tarefa para bruxo (tirem o Paulo Coelho disso), para mágico, para alguém que conheça e domine profundamente as ciências da hipnose, da catarse, da idiotização e da robotização coletivas. Fenomenologicamente, o Duda Mendonça é a pessoa mais talhada, talentosa e qualificada para essa missão. Este publicitário baiano conseguiu vender o Lula, produto pirata com data de validade vencida, e elegê-lo Presidente da República Federativa do Brasil. Na sua profissão, não existe currículo melhor do que este, e, por sua vez, está prestes a ser enriquecido com mais uma experiência: produtor de matéria discursiva para manter a massa unificada na esperança intangível, irreal.

Nesta mesma órbita, a cúpula do PT já começou a apresentar sinais de alteração no matiz símbolo, saindo do vermelho agressivo para o roxo moderado, porquanto a cor do partido foi misturada com o azul dos tucanos, como estratégia pensada de pós-eleições. Videntes políticos abriram a sessão profética afirmando que Lula talvez crie pra si um novo partido, pelo simples fato que brincará de governar a empresa chamada Brasil esquecendo totalmente as lições aprendidas na cartilha do PT, sobretudo as filosofias. Segundo essas pessoas dotadas de capacidade de verem coisas distantes, de preverem o futuro ou de profetizarem, o vitorioso nas urnas, independente se ostenta um nome incomum, não estando à altura de um Chefe de Estado, será capaz de causar clima de revolta e reações imprevisíveis nas alas mais conservadoras do partido que o elegeu.

Foi também num dia de domingo, mas só que 18 de agosto e não 17, que escrevi matéria opinativa intitulada “Big Brother Político”. A ocasião permite a reedição do seu fechamento:

O Marketing político tenta descartar o fisiologismo como recurso oportunista e está deveras compromissado com o passado do candidato, desde que revelado na sua essência. Opiniões de consenso revelam que o Marketing político faculta ao publicitário trabalhar com ‘todas as verdades’, com ‘meias verdades’, ou, se preferir, com ‘todas as mentiras’. Aí reside o perigo, na medida em que os maus profissionais acreditam que no mercado da informação tem público consumidor para cada um desses produtos criados. É meia verdade! Seja quem for o novo presidente, devidamente maquiado para não refletir as fortes luzes dos holofotes, dependendo de quem financiou o palco, este será capaz de estabelecer uma nova ordem política: Todas as galinhas do reino para o rei. Mas, também será capaz de enfatizar que o rei não deve deixar os seus súditos morrerem de fome, até porque eles precisam comer algumas galinhas para manter viva a espécie e cada vez mais forte o reino, antes que algumas raposas mais vorazes cheguem à frente. E os Profissionais da Comunicação Subliminar, na plenitude do exercício da sua missão, não têm o direito de transformar a imagem do político vencedor em outra simples mancha na vidraça.

Castelos de areia se desmoronam tanto pela passagem da onda como pelo sopro das palavras. É indubitável o sucesso do discurso de posse, já em linhas finais. Lula já pensa em convocar o Duda Mendonça para assumir o Ministério do Ilusionismo, pela sua habilidade em produzir ilusões com a ligeireza da mente e das mãos, como num simples passe de mágica.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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