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Crônicas Aforísticas

É assim que eu penso

É assim que eu penso

Sinto saudades do meu amigo Rodolfo. O homem que tem amizade a alguém nunca está só. Acreditar em coincidências não tenho por costume. Mas, a simultaneidade ocasional existe. Dois anos faz que comecei a escrever para mim mesmo – fato que ficou marcado definitivamente. Quem tiver predisposição, que leia o que escrevi; desde que não tenha a arte, ou a faculdade de examinar, ou julgar obras de natureza literária, artística ou científica. O meu primeiro livro tem tudo isso. É comum a pessoa, depois da apreciação da escrita, esboçar maledicência – pelo menos, eu assumo que tenho essa virtude, ainda que comedida. Estou falando do dia 08 de agosto de 2002, exatamente. No papel de rascunho, debaixo da parreira do meu quintal, coloquei a primeira linha – de milhares que se seguiram. Ainda não parei, e não pretendo.

A parreira, o quintal, a casa… Deixei tudo pra trás. Só trouxe as boas lembranças do Rio de Janeiro – vividas na infância; nunca esquecida. Os sabiás e os bem-te-vis quiseram me acompanhar, porém, os convenci a ficar e esperar a nova safra de jabuticabas. Hoje, o meu novo amor é a Ilha das Garças, graciosamente vista do meu reduto – se é que podemos considerar Coqueiral de Itaparica um lugar fortificado, seguro, que serve de defesa ou abrigo. Vila Velha tudo isso já foi um dia. Aqui, no Espírito Santo, pelo menos, consigo pensar um pouco, ou mais um pouco, sem me preocupar com pequenas coisas; desde que não coloque a cabeça pra fora da janela e que não fique refém dos meios de comunicação.

Pensando, logo escrevo – porque me permito. Quando o assunto é palpitante, o autor se estende mais um pouco, e quando volta para ler o que escreveu, sempre encontra uma maneira de adicionar coisas novas. O filólogo e filósofo alemão Friedrich Nietzsche, em um de seus aforismos, disse: “O limite da honestidade. – Também o escritor mais honesto deixa escapar uma palavra a mais, quando quer arredondar um período”. Como réu-confesso-mortal, digo que sou vítima do sistema, ainda que alguns exóticos letrados afirmem categoricamente que Nietzsche estava exagerando.

O conceito exprime idéia; opinião; reputação. Por definição, fico indefinido quando tenho que classificar os meus escritos encaminhados aos veículos de comunicação, sobretudo mídia impressa. Penso que são artigos, porque são textos assinados, de cunho opinativo ou interpretativo, alguns com perfil de crônica – até porque não deixam de ser narração de fatos históricos segundo a ordem cronológica (comentário jornalístico de fato atual). Crônicas sociais não devem faltar no cardápio da imprensa, ainda mais agora que os especialistas em sociologia criaram um novo termo para fugaz estatística oficial do Governo, vindo a substituir os adjetivos “miserável” e “indigente” – a maioria dos brasileiros está enquadrada na classe dos “indivíduos com risco social”.

Independentemente das fontes disponíveis, considero que tudo o que escrevo jamais receberá o título de artiguelho. Dependendo das informações, tenho por hábito estender-me um pouco mais e produzir matérias com conteúdo de notícia – não chegando a ser uma reportagem; obviamente. Temo que a situação comece a ficar fora de controle e que sejamos obrigados a colocar dois dedos dentro da lata de tinta para pintar a cara. Tudo o que não queria relatar.

Pra quem quer abraçar o ofício de dar palpite, saiba o pretendente que não é fácil. Opiniões prontas são comuns, até em círculos superiores; chavões, ideias ou expressões muito repetidas, gastas. Chamo isso de lugar-comum, de clichê. Mas não acredito em opiniões categóricas, tampouco em conclusões definitivas – quem afirma tê-las pode passar vergonha em círculos inferiores. Com certeza, há assuntos sobre os quais não tenho o pleno domínio, como este, por exemplo; achar que todo mundo acatará as minhas ideias. Ideias não passam de representações mentais. Imaginação minha!

Diretamente do meu reduto, em qualquer tempo…

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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