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Naturismo

A outra face

A outra face

O Naturismo é agregador, uma comunidade, um conjunto de pessoas que vivem em comum. Significa, acima de tudo, uma sociedade construída por capital humano. Para conviver nesta sociedade os seus membros ficam sujeitos às mesmas leis, de modo que as relações habituais de pessoas precisam ser respaldadas num objetivo comum, seja de filosofia, seja de cultura, independentemente de estágios isolados de evolução, enquanto ser humano. Quando um dente da engrenagem quebra a máquina deixa de funcionar. De certa feita, somos todos elos de uma corrente – a sua resistência é determinada pelo elo mais fraco. Passamos grande parte das nossas vidas em grupos sociais; não nascemos para o isolamento. Ninguém, absolutamente ninguém, vive só, sob pena de enlouquecer. Pensar que a vida é um teatro, onde cada um representa o seu papel, não passa de divagação.

Somos senhores absolutos das nossas atitudes, por isso, respondemos por elas. Seria tão bom se fosse assim, todavia, os subterfúgios escamoteiam as verdades, como verdadeiras são as mentiras e o “não”, dito nas afirmativas representa o “sim”. Ninguém apresenta patentes. Mera filosofia. Não costumo usar citações de pensadores para justificar ou enriquecer os escritos, contudo, há momentos em que delas precisamos como “bengalas do entendimento”. As citações alheias carregam consigo uma carga de emoções e sentimentos próprios dos seus autores e muitas das vezes não conseguimos penetrar nesse mundo restrito, quando tentamos, corremos o risco de empregar mal as palavras e dificultar a compreensão. Isso é verossímil. Por que estou falando tudo isso? Deveria estar ouvindo, não?

Saber ouvir, eis a questão. As palavras mal proferidas ferem mais do que punhais afiados. O respeito é uma via de duas mãos, porém, quase sempre tem acidentes na pista. Determinadas reações são mortais, mesmo aquelas desencadeadas em momentos de inocentes brincadeiras de crianças. Adultos agem como tresloucados compulsivos, gratuitamente, e sem se importar com nada. Ninguém é suficientemente capaz de prever o comportamento humano. Assim como os pensamentos são muros intransponíveis, os conflitos repentinos são o tempero dos homens, que supostamente possuem o domínio sobre todas as coisas deste minúsculo planeta, vivas ou inanimadas – o julgamento é extemporâneo.

A natureza sabiamente nos pune mais do que nos ensina. O mundo passa por transformações cruéis; não há volta. Estamos todos na mesma nave espacial e não nos damos conta disso. Ainda que façamos de tudo para cultivarmos as “verdadeiras amizades” somos surpreendidos por espectros sombrios escondidos no interior das pessoas. O Naturismo, visto como prática da nudez humana, deveria ser o principal elemento da conecção entre todos os que existem, naturalmente singulares e uníssonos. Deveria. Não obstante, somos imperfeitos por definição, contumazes agressores das leis gerais, de tal modo que qualquer reflexão que se faça nesse sentido irá de encontro ao incompreensível. Tudo ainda é um mistério. O prejulgamento nos projeta iguais. Se me comporto diferentemente, se me julgo superior, se me acho intocável, se reajo contrário às circunstâncias, se não participo dos momentos de descontração, melhor me considerar um ser tresmalhado. Como não somos ninguém no contexto universal, fica sem sentido dar a outra face para ser batida.

Augusto Avlis

 

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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