>
Você está lendo...
Esportes

Coisas do Futebol – 4ª parte

Coisas do Futebol – 4ª parte

Que beleza! Globalização da patifaria. Gratificações escusas como moeda de troca no esporte mundial, o futebol é apenas uma das modalidades. A partir do momento que as multinacionais patrocinadoras começaram a investir pesadamente nos vários segmentos esportivos, firmou-se a presunção de manipulação de resultados em competições diretas. O caso se agrava quando os atletas “tornam-se propriedade” dessas corporações, que compram clubes, jogadores, times, agremiações, escalam seleções, subornam, e assim por diante. Infelizmente, o mundo esportivo tornou-se uma grande lavanderia para lavar dinheiro continental sujo amealhado. Se calhar, até na raiz dos gramados encontraremos resíduos das sujidades – nem as traves das chuteiras conseguem removê-las. Tem muita grana em jogo.

FIFA decide submeter caso de propina a inquérito externo

Joseph Blatter - Presidente da FIFA

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, em fins de 2011, anunciou que um órgão independente analisará documentos sobre escândalo de corrupção envolvendo membros da instituição. Ele espera que os documentos ligados ao caso mostrem os nomes dos dirigentes da FIFA que receberam dinheiro para garantir à empresa ISL – International Sport and Leisure a lucrativa comercialização de direitos de transmissão, bem como anúncios publicitários da Copa do Mundo na década de 90. Segundo a BBC de Londres, os documentos podem revelar uma rede engendrada de propinas, mais comissões, que eram pagas a cada acordo fechado com a falida empresa de Marketing ISL. Nos documentos, estariam importantes nomes do mundo do futebol, entre eles, o do Ricardo Teixeira e João Havelange. Será que essa nova investigação chegará a algum resultado prático? Onde aparece nome de brasileiro o caso tende a acabar em pizza. Os gringos podem ficar sossegados – A Europa não é a Ásia.

Juiz que apitou na Copa é condenado a mais de cinco anos de prisão na China

Árbitro Chinês Lu Jun

O currículo do juiz de futebol chinês, Lu Jun, não o poupou da condenação a cinco anos e meio de prisão por ter aceitado suborno em troca da manipulação de resultados em partidas de futebol. Junto com ele estão outras oito pessoas acusadas de corrupção no futebol chinês. Lu Jun atuou na Copa do Mundo de 2002, sendo premiado pelo seu profissionalismo, até se render à sedução da moeda maldita. A China está investigando uma série de outros casos.

São dois casos isolados, pontuais – fragmentos da imoralidade universal. Lá a justiça é feita, enquanto por aqui, nesta terra de Cabral, a impunidade é escalada. Safadeza é conosco mesmo. Somos escola para o mundo. Quem quiser aprender que venha para cá. Hospedagem barata, comida boa, mulheres bonitas, praias, cachaça, samba, PT, Congresso Nacional, eleições, Sarney, tudo de bom! Em outubro de 2005 (lá se vão 6 anos e 4 meses) eu escrevia sobre a corrupção dos árbitros de futebol brasileiros. Deu pano pra manga, quase fui linchado pelos torcedores que tiveram seus times beneficiados. Eu disse, melhor, escrevi:

Será que existe uma solução que seja para evitar que se repitam esquemas de corrupção de juízes de futebol? Se alguém tiver uma resolução, que aponte, mas que seja algo inusitado. Se fosse fácil, certamente o escândalo que envolveu o árbitro de futebol Edílson Pereira de Carvalho não teria acontecido, quanto mais a certeza de repetição. A corrupção no esporte, ou praticada em qualquer campo da atividade humana, deixa os homens pobres nos seus valores. Segundo o imaginário do torcedor, especular com a falência (fim) do dinheiro só levaria o Paulo Maluf ao suicídio, e acabar com o futebol seria o mesmo que decretar guerra civil no Brasil e 3ª Guerra Mundial lá fora. Como as duas coisas não têm a mínima probabilidade de acontecer, a corrupção, dentro e fora dos gramados, continuará existindo, em maior ou menor escala – o diferencial fica por conta dos negociadores de plantão. Tem muita hiena na espreita.

Combater a corrupção é pretexto – sempre foi. Punição é uma circunstância melodramática indefinida. A impunidade no futebol soa, exemplarmente, como um grito falso de gol, e tem o seu lado de vitória comprada, sem mudar o gostinho da felicidade. Edílson Pereira de Carvalho foi só a bola da vez. Cada homem tem o seu preço, independente de ser atleta – tentar explicar o que se passa na sua mente corrupta só com a reencarnação comprovada de Freud e Nietszche. A máfia não é só do apito e das bandeirinhas. Quem não se lembra daquele gol feito pelo Maradona com a mão, no jogo contra a Inglaterra? Robinho jogou uma ‘bola nas costas’ do Santos quando negociou com o Real Madri. Jogadores simulam pênaltis. Se querem derrubar o treinador, jogam mal e perdem todos os jogos. Essas sacanagens são formas de corrupção, e a recíproca acaba sendo verdadeira. Quem perde é o futebol.

Fora dos gramados, nos tapetões vermelhos, presidentes, dirigentes e técnicos fazem o diabo em negociatas. Simplesmente competir, como filosofia esportiva, deixou de ser mais importante – vencer a qualquer custo, sim. O pior dessa história toda é que, depois de embolsar a grana, os corruptos continuam com a mesma cara de antes. O que fazer? Para minimizar a dor, apelar para a tecnologia disponível, para o ideário dos fiéis torcedores, que já admitem aguardar o resultado oficial dos jogos após detida análise dos “tira-teimas” da TV Globo por uma Comissão Para Moralização do Futebol (CPMF), o que for declarado pelos juizes será meramente oficioso – sonho, história da carochinha. Então, simplesmente combater a corrupção é pretexto quando dita. Deixar tudo como está é prudente, é inteligente, de modo que a “Lei de Gerson” veio ajudar a desmoralizar o Brasil. O povo comprou a ideia de tirar vantagem de tudo.

Na dúvida, o torcedor deixará de ir aos jogos de azar, perdão, aos estádios – não dará mais dinheiro aos ladrões da paixão nacional. Mais cedo, ou mais tarde, chegará à conclusão que o melhor mesmo é ficar em casa, assistindo a fitas e DVDs dos campeonatos mundiais (até 70) e, sozinho na sala, soltar um honesto grito de goooooool, sem precisar que ninguém construa resultados para ele. Está de luto o futebol brasileiro. Apito final. Reze, mas tome uma gelada.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se aos outros seguidores de 160

%d blogueiros gostam disto: