>
Você está lendo...
Política

Liberdade, o que é isso? Terceira parte.  

Liberdade, o que é isso? Terceira parte.  

Essa é uma história real, dentre muitas que eu vivenciei – fragmento de vida. Enquanto a minha memória não falhar, elas, as muitas histórias, serão sempre lembradas, esforçando-me para preservar os detalhes, os pontos específicos, indispensáveis à compreensão do contexto maior. Compreendo que não é tarefa fácil organizar as experiências, sobretudo pela ação do tempo – cruel no correr dos ponteiros do relógio! As histórias contadas carregam essências; se registradas pela escrita certamente podem durar um pouco mais. Depende.

– Tá explicado mãe. Os 24 passarinhos que voaram para a liberdade conheciam a sensação de ser livre; os 8 que ficaram nunca experimentaram isso, demonstrando hesitação e medo ao colocarem os pés fora da gaiola!

Assim terminei a matéria Liberdade, o que é isso? Segunda parte, publicada em 07/02/2026. A hesitação das 8 oito aves que ficaram naquelas gaiolas abertas deu o tom da insegurança, do medo em decidir naquele momento entre a experiência desconhecida e o conforto de ter garantido o fornecimento da ração e água. O instinto de preservação e de sobrevivência se sobrepôs à aventura oferecida.

É aquela dúvida persistente que sentimos, ora, se tenho o mínimo necessário, por que ir em busca do incerto? Isso não se trata duma reação exclusiva dos humanos. Essa máxima também está presente no mundo animal, a todo o instante se manifestando, basta acompanhar o comportamento instintivo das espécies, sobretudo quando vão em busca das presas. Da mesma forma agimos por instinto quando a situação exige.

Certamente essas oito aves pagaram um alto preço pela decisão tomada. Fato. Uma semana depois foram literalmente devoradas por formigas-cortadeiras que estavam destruindo a videira do quintal. Minha mãe nunca mais “criou” pássaros engaiolados – aos que estavam livres jamais teve acesso, até porque podem ter morrido na luta pelo novo espaço conquistado. Minha mãe nunca ficou sabendo do destino dos 24 passarinhos que voaram para a liberdade. Na verdade, minha mãe era a verdadeira prisioneira dentro da própria consciência.

Quem nunca experimentou a plena liberdade – aquele que já nasceu preso – jamais poderá avaliá-la! Quem a experimentou um dia saberá dar o devido valor quando a perdê-la! Se isso acontecer não haverá volta. Uma encruzilhada se apresenta à nossa frente e temos que escolher quais dos dois caminhos a seguir, o da vida ou o da morte. Não há uma terceira opção; seguir em frente sem uma clara definição de escolha representa aceitar o estado de escravidão. Pão e água são insuficientes para a preservação da vida. A dignidade da pessoa humana não tem preço. Lutar pela liberdade é a opção mais correta; estímulos dos mais variados ditam as regras – entre o ir, o ficar e lutar.

Aqueles 24 passarinhos que voaram para a liberdade deixaram uma lição a seguir: “Quem nos rouba a liberdade está roubando a nossa capacidade de agir segundo a nossa própria vontade; a coação externa acaba com a nossa autonomia e com o nosso livre arbítrio, direitos inalienáveis do cidadão, assim como a auto-determinação, a liberdade de expressão, a crença, o direito de ir e vir”.

Liberdade significa assumir responsabilidades sobre as nossas próprias escolhas. Os 24 passarinhos que voaram para a liberdade provaram que isso é possível, independente do preço a pagar pela ação. A natureza tem muito a nos ensinar, e tem se colocado à disposição com os seus exemplos. A rigor, os humanos resistem em não querer aprender (sem alegações plausíveis); a seu modo, moldam comportamentos e descartam a razão. Fomos acostumados a encontrar causas e justificativas para os nossos atos, a maioria praticados com a total ausência do bom senso.

Leitura recomendada: 5ª Crônica – Prisão sem grades.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 1.098 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

Avatar de Desconhecido

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 148 outros assinantes
Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora