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Política

A merda da política – 5ª parte.

A merda da política – 5ª parte.

Quanto tempo levará um político quase honesto para se tornar totalmente desonesto? Eu tenho a impressão que já fiz esta pergunta em uma das matérias que escrevi sobre política aqui no meu Blog. Para se ter uma ideia, hoje, sexta-feira, 23/10/2020, tenho publicados 663 posts na categoria Política, de modo que, sobre o assunto, acho que já falei tudo, por vezes enredos repetitivos. Toda vez que se aproximam as eleições sou acometido de transtornos depressivos, sinto profunda tristeza, perco totalmente o interesse de escrever – coisa que me dá prazer. Confesso a vocês que não tenho a mínima vontade de postar opiniões a respeito. Com sinceridade, eu não sei o que dizer aos meus leitores que ficam ansiosos na frente do desktop aguardando novos comentários políticos, nem que sejam metendo o pau como de costume.

Por outro lado, tenho que dar a mão à palmatória, porque o tema “Política” é inesgotável. Por que será? O Brasil tem 5.570 cidades municipais. Só em duas delas não haverá eleições, no Distrito Federal e na ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco (PE). Em 2016, últimas eleições municipais, a manada de brasileiros elegeu 57.931 vereadores. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não divulgou o número oficial de vagas em disputa no pleito de 2020. Vamos supor que o número seja o mesmo, de 57.931 vereadores, que somado ao número de prefeitos, 5.568, chegaremos a 63.499 políticos eleitos fazendo cagadas de Norte a Sul, de Leste a Oeste nos 5.568 municípios com sede de Prefeitura e Câmara Municipal. De certo precisaremos de redes de esgotos compatíveis para receber tamanho volume de merda. Tá aí a resposta para a pergunta formulada acima; realmente o tema “Política” é inesgotável. Para as eleições municipais de 2020, 19 mil pessoas se candidataram a prefeito e em torno de 520 mil para vereador. Um recorde histórico. Imagine você essa cambada de políticos candidatos (539.000 quase honestos e/ou totalmente desonestos) vomitando na nossa cara nos horários destinados à propaganda político-eleitoral obrigatória. Se você desligar o rádio e a televisão ainda assim sobram os carros de som passando na sua rua e todo o material gráfico de campanha, além do tradicional boca-a-boca. Só se matando pra se livrar disso tudo!   

A boiada de eleitores não escolhe os candidatos que estão disputando as eleições, aliás, nunca escolheu. Fato é que os candidatos são selecionados pelos Partidos Políticos dentro de critérios próprios e finalidades determinadas – candidatos “idiotas” precisam ser eleitos para esta ou aquela cidade. Como exemplo, dentre os 539.000 candidatos selecionados a manada de eleitores votará naqueles que julgar “menos pior”, ou melhor na sua tacanha visão. É como se você estivesse literalmente dentro do esgoto a céu aberto e fosse obrigado a escolher matérias fecais do seu agrado. Concluído o trabalho, o mau cheiro permanecerá impregnado em suas mãos e renovado nos dois anos seguintes, quando das eleições para o Executivo e Legislativo, Federais e Estaduais. A manada ainda se convencerá que cumpriu o seu papel de eleitor, com liberdade, democracia e em prol de um próspero Brasil. “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas. De um povo heróico o brado retumbante. E o sol da liberdade, em raios fúlgidos. Brilhou no céu da pátria nesse instante”. Se souber cante o resto do hino.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 989 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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