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Política

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Hoje, quarta-feira, 03 de maio de 2017, é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Uma data não para ser comemorada, mas sim para profundas reflexões. Os jornalistas “deveriam” ter assegurado o direito de promoverem investigações (jornalismo investigativo) e de publicarem as informações colhidas com liberdade e autonomia, obviamente salvaguardando as fontes. Fato é que nem tudo aquilo que investigam vem a lume e nem tudo investigado é publicado na integralidade pela mídia tradicional, ou divulgado pela mídia plural na mesma proporção.

A plena liberdade de imprensa seria o melhor dos mundos para os profissionais da informação e da comunicação, mas, quem milita na área sabe que não é bem assim que a coisa funciona. Boa parte da chamada “indústria cultural”, formada pelos meios de comunicação, à mercê está de sistemas de poder e há algum tempo vem “trabalhando” as notícias ainda nos seus bastidores, como se essa fosse a sua precípua missão – é a indesejável manipulação implícita de matérias jornalísticas antes de chegarem ao conhecimento do público. O poder do capital se sobressai ao interesse da sociedade, portanto, a liberdade de imprensa nos moldes que se apresenta será sempre questionada, de modo que mudar essa tendência eu não vejo como. Se as verdades eclodissem como ovos de avestruz o mundo seria outro.

Quando os governos não conseguem controlar a imprensa a perseguem e a intimidam. A mídia trabalha sob pressão da “censura branca”, sobretudo em paises latino-americanos. No Brasil, os políticos não temem a Justiça, porque a emporcalharam e a transformaram em cúmplice; os profissionais da política temem a imprensa livre e a opinião do povo. Uma imprensa livre tem o poder de levar aos cidadãos informações de qualidade, fidedignas aos fatos, para que formem o seu próprio juízo de valor – essa “deveria” ser a essência de regimes democráticos, todavia, sabemos que não é. A suposta liberdade de imprensa é imposta, não conquistada.

Aqui no Brasil ocorre um fenômeno interessante, a frequência e a velocidade com que fatos horrendos têm acontecido, fazem com que as notícias de maior importância sejam deixadas de lado, pouco ou quase nada se fale sobre elas. É a necessidade da conquista da audiência para se garantir faturamento. Massificar a informação sobre a separação de um casal famoso, ou sobre o episódio envolvendo o ator da Rede Globo José Mayer (acusação de assédio), rouba preciosos espaços/tempo da mídia. Agora, deixar de falar enfaticamente sobre a “decrepitude moral” do ministro Gilmar Mendes (STF) e sobre a “arguição de suspeição” de alguns dos seus pares que julgam graves ações, sem dúvida alguma é prudente e rende bons frutos quando o assunto é “negociar livremente” com os Poderes da República – Plano de Mídia do Executivo federal, por exemplo.

Na luta pela conquista da liberdade de imprensa muitos jornalistas perderam a vida. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) 101 jornalistas foram assassinados no mundo em 2016 no exercício das suas funções – em média, isso equivale a 01 jornalista morto a cada intervalo de 04 dias. Síria, Iraque e Iêmen somam o maior número de mortes; América Latina e Caribe perfazem a segunda região com o maior número de jornalistas mortos (28 assassinatos). Em 2015 foram 115 mortes no total mundial e em 2014 a UNESCO registrou 98 assassinatos. O número é crescente, o que preocupa a ONU.

Determinados meios de comunicação podem até ser coniventes com governos corruptos e compactuar com suas práticas por interesses meramente econômicos, mas os bons jornalistas, individualmente, devem honrar a profissão e o juramento que fizeram na formatura. A luta pela liberdade de imprensa é constante, um dia de cada vez, fato por fato, notícia por notícia, com isenção e imparcialidade. Todo o cuidado no exercício da profissão ainda é pouco; nos regimes considerados democráticos a censura vem se manifestando de várias formas – algumas subliminares –, de modo que não podemos debitar tão somente à Ditadura, por força histórica, muitos dos crimes cometidos pelos sistemas contra jornalistas que um dia sonharam, e ainda sonham, com a completa liberdade de imprensa. Todo jornalista é um alvo em potencial, caso contrarie certas autoridades que habitam os submundos. Até quando?

Augusto Avlis

Nota de rodapé. Origem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Leia-se: “O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi criado pela UNESCO no ano de 1993. A data foi criada para alertar sobre as impunidades cometidas contra centenas de jornalistas que são torturados ou assassinados como consequência de perseguições por informações apuradas e publicadas por estes profissionais”.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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