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Política

Mãos ao alto

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Existe lógica nas palavras do líder da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, quando ameaçou pegar em armas. Quinta-feira, 13 de agosto de 2015, Brasília. A presidente Dilma Rousseff recebeu no salão nobre do Palácio do Planalto cerca de mil integrantes de movimentos sociais que militam a favor do seu governo e a ele estão ligados por motivos óbvios – beneficiar-se de dinheiro público é um deles. O presidente da CUT, Vagner Freitas (repito para não esquecer o nome), usou palavras de ordem em seu discurso de esquerda radical como se defendesse a presidente Dilma Rousseff no Julgamento de Nuremberg. “O que se vende, hoje, no Brasil, é a intolerância, é o preconceito, preconceito de classe contra nós. Quero dizer alto, e bom tom, que somos defensores da unidade nacional, da construção de um projeto nacional de desenvolvimento para todos e para todas, e que isso implica, agora, neste momento, ir pras ruas entrincheirados, com armas nas mãos, se tentarem derrubar a presidenta Dilma Rousseff […]” – vociferou Vagner Freitas. Isso foi uma declarada ameaça de guerra. Não há dúvida. Na hora Dilma calou, não o repreendeu. Fica mais claro, ainda, quando ele alerta, na continuidade das palavras, para o fato de estar preparado com um exército e com armas para impedir qualquer tentativa de tirar a petista e ex-terrorista do poder. Também defendeu Lula. A cultura da paz nunca foi seguida por esse bando de tresloucados que insiste em pregar ideologias ultrapassadas e fora de propósito, justamente num momento que o Brasil precisa de unidade nacional para superar os gravíssimos problemas pelos quais passa e que nos aproxima muito da Venezuela. A economia está parada e tudo leva a crer que assim permanecerá por mais dois anos. Sobram palavras e faltam ações. Na ponta da sobrevivência, esses “diferentes” brasileiros esquecem, ou fazem questão de esquecer, que também são vítimas do desgoverno, ou melhor, da falta de governo. Todos acabam pagando uma conta que não contraíram.

Pois bem, merda feita, Dilma Rousseff tentou minimizar: “A democracia é algo que temos que preservar custe o que custar. Outra coisa é o respeito ao adversário. Respeitar não é ficar agradando o adversário. Respeitar o adversário é o seguinte: eu brigo até a eleição, depois eu respeito o resultado da eleição. […] Respeite e honre o seu adversário. Se você não respeita o resultado do jogo, você não pode entrar no jogo. […] Temos que zelar pelo respeito que as pessoas que pensam diferente da gente têm que receber de nós. Diálogo é diferente de pauleira. Dialogo é dialogo, pauleira é pauleira. Ninguém pode chamar de diálogo xingar alguém. Botar bomba não é diálogo”. Botar bomba não é diálogo referindo-se ao buscapé jogado na frente do Instituto Lula na quinta-feira, 30 de julho de 2015, que provavelmente foi obra da própria CUT para incriminar a “Direita mortadela” e jogá-la contra a “Esquerda caviar” (Gauche caviar). De todo modo, somos todos brasileiros e o episódio tende a ser esquecido como tantos outros mais importantes. Vamos em frente.

Importantes mesmo são outros fatos que acontecem todo dia nesta terra tupiniquim, ou, para quem preferir, nesta República das Bananas – fica melhor assim. O desqualificado, e também babaca, do Vagner Freitas é ‘pau-mandado’, portanto, não agiria por conta própria, ainda mais que estava dentro do Palácio do Planalto, alguém lhe deu aval para cometer aquele ato grave intimidatório, portanto, longe de ser um “ato falho”. Quem está por trás dele? Seria Lula, Dilma, ou alguém superior? Palavras que saem da boca não retornam. Curioso, incitar a violência logo a três dias das manifestações populares agendadas em todo o país (amanhã, domingo, 16 de agosto de 2015) a favor do Impeachment da presidente Dilma Rousseff. Dá o que pensar.

O Brasil vive momentos extremamente difíceis, nem por isso a presidente Dilma Rousseff leva para dentro do Palácio do Planalto (não precisa ser no salão nobre) as mais destacadas inteligências do país para discutir a crise e sugerir medidas para sair dela. Ao invés disso prefere convidar um punhado de movimentos sociais (opção por quantidade e não qualidade) – mesmo que os seus integrantes não entendam absolutamente nada do que está acontecendo – para pedir ombros, chorar as mágoas e buscar apoio, sobretudo nas ruas, para rechaçar as manifestações contra o governo. Vestida de vermelho nas últimas aparições pelo Brasil, Dilma Rousseff discursa com a retórica de guerrilheira pondo de lado a obrigatoriedade de se portar como chefe do Executivo e estadista. A corrupção sistêmica migrou em forma de metástase para todo o corpo do Estado brasileiro – está difícil de ter cura.

Instituída a Campanha do Desarmamento, a partir do Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003), foram retiradas das mãos dos cidadãos de bem cerca 1,6 milhão de armas de fogo com direito à indenização do Estado. As armas foram entregues de boa-fé. “[…] E isso implica, neste momento, ir pras ruas entrincheirados, com armas nas mãos…”. Se o presidente da CUT, Vagner Freitas, disse isso literalmente, é sinal que os militantes da Central Única dos Trabalhadores não entregaram as suas armas durante a Campanha do Desarmamento, ou, o Estado permitiu que se armassem ao término da dita campanha. Sinais preocupantes. Desarmados, 1,6 milhão de brasileiros ficam reféns da súcia armada a serviço de sistemas, de governos e de doutrinas contrárias ao Estado Democrático de Direito. As armas nas mãos de bandidos sempre têm finalidade. Aproximar-se de movimentos sociais, de sindicatos ou de outras entidades de classe, com tanta intimidade, trazendo-os para bem perto de si, deixa a presidente Dilma Rousseff fragilizada. Para falar a verdade penso que as Leis se prestam para defender interesses e para serem desrespeitadas por aqueles que se sentem protegidos de alguma forma. Um dos Princípios Gerais do Direito sinaliza que “Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza”, mas, o PT quebra este alicerce do ordenamento jurídico quando tira proveito da sua sordidez e indignidade.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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