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Política

O Brasil é um vasto hospital

O Brasil é um vasto hospital

Sai ano, entra ano, sai presidente, entra “presidenta”, e o remédio para combater a maldita doença chamada inflação é sempre o mesmo. O Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira, 03/06/2015, aumentou os juros em 0,5% (meio ponto percentual), chegando a 13,75% ao ano. Para a economia de consumo, que move a máquina industrial, esta é uma péssima decisão, para especuladores financeiros uma boa oportunidade para ganhar mais dinheiro fácil. Enquanto isso, o assalariado passou a comer carne de terceira porque a de segunda está com o peço bem próximo ao da carne de primeira. Com o aumento da taxa básica de juros (Selic) os privilegiados que têm dinheiro na poupança estão se tornando mini-especuladores optando por fundos de renda fixa porque são mais rentáveis – hoje a poupança é considerada um péssimo negócio e, em tempos de vacas magras, até o mais conservador dos investidores desconfia da política econômica do governo. A área econômica é a mais sensível de qualquer governo, portanto, deveria ter na sua gestão pessoas realmente competentes, mas, ser político por profissão é exigência de currículo – desse modo, nem dominando a arte da criatividade o político conseguirá bons resultados. Numa terça-feira, 15 de fevereiro de 2005, eu escrevi o artigo abaixo, de mesmo título.

O Brasil é um vasto hospital

O Dr. Antonio Palocci Filho, médico, político membro do Partido dos Trabalhadores e também ministro da Fazenda no governo Lula, quer auscultar a tão sofrida economia com o seu inseparável estetoscópio. O primeiro exame de sangue, solicitado às pressas pelo HCB – Hospital Central de Brasília revelou a necessidade de se ministrar a elevação da taxa básica de juros, a SELIC, para que a paciente, Economia, não morra de inflação alta. A receita foi passada conscientemente pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do HCB), mesmo Dr. Palocci sabendo dos efeitos colaterais causados ao corpo, como restrição acentuada do consumo, sobretudo de alimentos, e inchaço, ou engorda de órgãos independentes chamados “Bancos” – o que fatalmente provocará a concentração e a retenção de gorduras neles, desnutrindo os demais órgãos, já em processo de falência múltipla. A elevação da taxa básica de juros está sendo alcançada através de doses homeopáticas, para que não provoquem dores inesperadas. Os parentes da vítima pediram ao Dr. Palocci um processo indolor e foram atendidos. A paciente, Economia, esquenta o termômetro e a taxa SELIC sairá de 18,25 para 18,75%, e depois para 19% ao ano, projetada para março próximo, e pode sofrer outras elevações. A partir daí, o HCB não se responsabiliza pela qualidade do termômetro e este pode estourar a qualquer momento, mas o inseparável estetoscópio do Dr. Palocci está a postos para pegar a agonia terminal. Porém, um seleto grupo de empresários finórios já encomendou um caminhão de gelo para colocar na cabeça da paciente, evitando, assim, que ela tenha alucinações. Caso a dose exagerada de medicamentos coloque em risco a vida da paciente, entra em ação o plano dois, que recomenda um tratamento à base de imersão, ou seja, mergulhar o corpo – profundamente e de viés –, dos pés à cabeça, no tanque da recessão e todos permanecerão rezando, como até agora. Contudo, o doutor Palocci faz questão de frisar que o plano dois só será empregado se a doença inflação der sinais de resistência, mas, sem arredar pé do plano original. O plano três está em estudos, todavia, conseguimos um furo de reportagem na CTI do HCB: José Sarney, ex-presidente do Senado, será convidado para ajudar no tratamento da paciente, já que ele, mesmo sem diploma de médico, entende pra caramba de inflação alta – além de ser dono de funerária no Maranhão e de “outros bens” mais valiosos em Brasília. O plano quatro é segredo de Estado, entretanto, no HCB tem um enfermeiro bicha e fofoqueiro, perdão, homossexual e bem informado, e, segundo ele, o Dr. Palocci tem pronta uma fórmula mágica, à base de tratamento de choque, como última tentativa para salvar a paciente Economia. O tópico 01 da receita sugere, ainda mais, o aumento do poder de intervenção do médico-adjunto, Banco Central, que entende que “controlar” um agente bacteriano externo – identificado, sem o uso de microscópio, como “preço do dólar” –, certamente pode restringir a sua força de contágio na inflação. Por outro lado, o tópico 02, da mesma prescrição, aponta para outra medida nada convencional: atacar de frente a causa da doença, conhecida como FMI (Fomento da Miséria Internacional), com grandes e sucessivas doses de caipirinha Made in Brazil. O padrasto da Economia mandou avisar que se o FMI entrar em coma alcoólica uma MP (Medida Provisória) sem nº será emitida, ordenando desligar todos os aparelhos – sem pena e sem dó. Vale republicar este artigo com toques sutis, segundo adaptação à crise econômica da época. Na verdade, a inflação no Brasil pode ser comparada ao ioiô, ou seja, sobe e desce sem parar, assim como a nossa pressão arterial. Miguel Pereira tinha razão quando disse: “O Brasil é um vasto hospital”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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