A política é a arte do convencimento.
Quarta parte
“A política é a doutrina do possível”
Otto von Bismarck
Este pensamento, de autoria do estadista alemão Otto von Bismarck (1 de abril de 1815 / 30 de julho de 1898), conhecido como ‘Chanceler de Ferro’, nos leva a refletir sobre o conceito de “fazer política”, sobretudo num país como o Brasil, que, historicamente, não preserva as boas condutas nos diferentes campos de atividades. Fazer política seria a “arte do possível”? Uma política verdadeira na essência que reunisse as condições necessárias para ser de fato, para existir de fato, para realizar-se em prol do povo, afastando os interesses pessoais, ou de grupos específicos.
Mas, não é isso que acontece. Ao longo do tempo, os políticos perderam a capacidade de negociar os temas de pauta com a fidelidade necessária, de encontrar soluções práticas para a resolução dos problemas nacionais. Em vez de defenderem resultados consensuais (éticos) dentro das suas atribuições legítimas, os políticos buscam, e conseguem, aprovar projetos que diretamente os beneficiam, ou aos seus partidos, em detrimento da população. Portanto, nessa perspectiva, a política é, de fato, a doutrina do possível, na medida em que os feudos políticos possam empregar todas as possibilidades possíveis e impossíveis para se locupletarem. O Parlamento criou uma espécie de doutrina própria, um monte de teorias que fundamentam e alimentam o atual sistema de poder; tais crenças não têm nada a ver com atitudes republicanas. Total e absoluta inversão de valores. A propósito, nem tudo que reluz é ouro.
A política do possível não aceita a realidade como ela é, simplesmente cria a “oportunidade” – nem sempre os fins justificam os meios. Os críticos de plantão precisam entender que o foco da gestão do Parlamento não é encontrar as soluções viáveis para os problemas atuais, muito pelo contrário. Diz a máxima: “Se o médico curar a ferida da perna do paciente na primeira consulta, logo, ele não voltará na segunda”. Lembram dessa? “Se eleito for, juro acabar com a seca do Nordeste!”. Moral da história, acabou o mandato, a seca não acabou, o político renovou o juramento e foi reeleito!
Por outro lado, a instabilidade política é necessária, em que pese pensamentos contrários. Se quero ganhar, provoco a divisão, simples assim. Interesses corporativos estimulam esse modus operandi como forma de tirar proveito no caos estabelecido. Junte-se aos bons (honestos) e será um deles; junte-se aos maus (corruptos) e a ganância de todos será plenamente satisfeita sem limites. A perpetuação de grupos corruptos no poder, com o apoio de cúmplices sequazes, acirra os ânimos, produz miséria nos quatro cantos do país (sequelados pela ignorância assistida), todavia, por estes fica descartado o sentimentalismo barato, e nada, absolutamente nada muda comportamentos nocivos, deletérios. Conforme disse, a impunidade é estimulante.
Cada político tem o seu preço e um esquema montado para a prestação de contas. Quanto tempo levará um político “quase honesto” para se tornar totalmente desonesto? Quem defende um Código de Ética como o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do STF, admite de pronto que não existe ética na Suprema Corte. Imagina em todos os Poderes da República. O exercício da política no Brasil é fator de sobrevivência própria e do sistema que o “elegeu” o político. A sensação que fica é triste. “Tem dinheiro pra todo mundo; quem a mim se juntar garantirá a sua parte!”. Escandalizado? Não fique. Essa é a chamada do PT ao Consórcio na corrupção colaborativa. Pagamos a conta.
Saudades do tempo da “presidenta” Dilma Rousseff, quando nos estádios de futebol podíamos gritar bem alto e em bom tom: “Dilma comunista, vai tomar no cu”.
Continua na Quinta parte…
Augusto Avlis
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