A política é a arte do convencimento.
Segunda parte
Do discurso de Ulysses Guimarães na Câmara dos Deputados em 5 de outubro de 1988, chama a atenção a seguinte nuvem de palavras significativas – simples e também compostas:
“… a Nação mudou, analfabetos, descumprir jamais [a Constituição], traidor da Constituição, traidor da Pátria, rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio, o cemitério, a corrupção é o cupim da República, República suja pela corrupção, não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube”.
Se Ulysses Guimarães fosse vivo hoje, o que ele diria sobre o atual momento em que vive o Brasil? Certamente ele teria muita dificuldade em se pronunciar porque carregaria o peso dos 109 anos, já que nascera em 6/10/1916. Ulysses Guimarães provavelmente ficaria chocado, perplexo, e recomendaria uma nova Constituição, sem costuras, a partir do zero, após uma limpeza total dos Três Poderes da República. Concordo plenamente, porque não dá para estabelecer uma Assembleia Nacional Constituinte formada por parlamentares corruptos, ladrões do erário e da fé-pública.
A Nação mudou para pior. Os analfabetos se multiplicaram, dados de 2025 dão conta que cerca de 29% da população brasileira, entre 15 e 64 anos, aproximadamente 40 milhões de pessoas, são analfabetos funcionais, que somados aos 9,5 milhões de analfabetos absolutos, temos praticamente 50 milhões de pessoas que possuem limitações severas de compreensão da realidade. O descumprimento da Constituição por parte de quem deveria guardá-la entrou no cardápio diário do Supremo Tribunal Federal onde os ministros se sentem os todo-poderosos e intocáveis. Traidor da Constituição não é só um, é a maioria dos ministros do STF, hoje 8 dos 10. Traidor da Pátria deva-se considerar no plural, estão presentes em todas as instituições da República, sobretudo no Congresso Nacional. Pelo menos a Constituição foi rasgada em pedacinhos faz 7 anos, desde o início do Inquérito das Fake News (INQ 4781), conhecido como Inquérito do “Fim do Mundo”, infinito, perpétuo. As portas do Parlamento estão virtualmente trancadas e as chaves das duas Casas de Leis guardadas nos cofres do Supremo, portanto, não há trabalho legislativo porque os políticos que as compõem, em sua maioria, estão comprometidos até o pescoço com as organizações criminosas oficiais. Conter, estrangular (garrotear) as liberdades é uma condição sine qua non, uma ação indispensável para calar os brasileiros que se manifestam contra o sistema de poder corrupto – censura disfarçada de “defesa da democracia” –, supressão de direitos individuais. Mandar os patriotas para a cadeia, para o exílio, para o cemitério (já foram dois), basta ver o que está acontecendo com as vítimas do 8 de janeiro. A corrupção é o cupim da República, sempre foi, de modo que eu não vejo que tal prática nefasta esteja com os dias contados; infelizmente grande parte da população não consegue mensurar os danos causados, muito pelo contrário, parte daquela parte defende a desonestidade como se estivesse dela se beneficiando diretamente. A República suja pela corrupção segue seu rumo normal; não roubar pouco; não deixar roubar se não for dividir com o sistema; pôr na cadeia quem roube, só se for da oposição, ainda que o ato não seja consumado.
Ulysses Guimarães, é melhor o senhor descansar em paz onde está, voltar à vida é pior do que ter a alma se revirando nas profundezas do mar de Angra dos Reis. No Brasil de 2026 prevalece a máxima: A ignorância somada à miséria é igual à matéria prima básica para o sustento do sistema de poder, máquina mortífera que destrói as bases democráticas sem piedade.
Continua na Terceira parte…
Augusto Avlis
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