A política é a arte do convencimento.
Primeira parte
Na nossa complexa “República das Bananas” tupiniquim, fazer política requer constantes aprendizados em ilusionismo, práticas de enganação, processos de dominação, comercializações de falsas ideias, macabrismos, manipulações da percepção, além de dons pérfidos para que a criação de “efeitos” signifique resultados. A rigor, o subdesenvolvimento cultural, a desigualdade social, as instituições fracas completam o quadro. Nessa equação o povo é descartado como agente de mudança e lhe é atribuído o papel de massa de manobra, que, aliás, desempenha com destacada maestria faz tempo.
Hoje, 31 de março de 2026, 62 anos faz da Revolução de 1964. Quase cinco anos após eu ingressava na Força Aérea Brasileira. Nada a comemorar, por três motivos: primeiro, porque não há espaço democrático no país para que isso aconteça; segundo motivo, a atual geração não conhece a história e não tem o mínimo interesse em pesquisá-la; terceiro motivo, continuamos órfãos do patriotismo. Reconhecidamente, foi um “movimento militar” apoiado por setores da sociedade civil e, sobretudo político. Os fatos que se sucederam foram pintados em diferentes matizes, quadros distorcidos pelas tonalidades, nuances e opiniões divergentes. Quem viveu, verdadeiramente, a história tem uma particular interpretação, que não cabe alardeá-la. Os militares perderam a honra e o direito de ouvir o Hino Nacional em posição de sentido!
Pouco mais de duas décadas, numa atmosfera de relativa pacificação do país e estabilidade institucional, o Congresso Nacional instalou a Assembleia Nacional Constituinte em 1º de fevereiro de 1987, resultante da Emenda Constitucional nº 26, de 1985, com a finalidade de elaborar uma Constituição democrática para o Brasil. A sua dissolução se deu em 22 de setembro de 1988, quando os seus trabalhos foram encerrados, após a votação e aprovação do texto final da nova Constituição Brasileira – Constituição Cidadã.
Dois de fevereiro de 1987: “Ecoam nesta sala as reivindicações das ruas. A Nação quer mudar, a Nação deve mudar, a Nação vai mudar”. São palavras constantes do discurso de posse do Deputado Federal Ulysses Guimarães como Presidente da Assembleia Nacional Constituinte.
Discurso proferido na sessão de 5 de outubro de 1988, publicado no DANC de 5 de outubro de 1988, p. 14380-14382. Assim disse o Deputado Ulysses Guimarães (excertos):
“Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange à Constituição, a Nação mudou. (Palmas). […] Num país de 30.401.000 analfabetos, afrontosos 25% da população, cabe advertir: a cidadania começa com o alfabeto. […] Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. (Palmas). […] Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. (Muito bem! Palmas). […] Conhecemos o caminho maldito: rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio, o cemitério. (Muito bem! Palmas). […] A corrupção é o cupim da República. (Palmas). […] República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública. (Muito bem! Palmas)”.
Continua na Segunda parte…
Augusto Avlis
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