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Política

Liberdade, o que é isso? Segunda parte.   

Liberdade, o que é isso? Segunda parte.   

Eu publiquei aqui no meu Blog o artigo Liberdade, o que é isso? Primeira parte, no dia 01/09/2023, na CATEGORIA Política. De lá pra cá já se passaram dois anos e quatro meses, muita coisa aconteceu, mas nada mudou! Continuamos reféns da nossa própria ignorância e inércia consentida. O medo se fez presente no cardápio da sociedade que continua engolindo sem degustar. A atual geração está colhendo o que os seus pais não plantaram. Esse pensamento não se trata de uma visão simplista, muito pelo contrário, revela uma preocupação com o futuro, considerando que o presente está destruído, de modo que não há coisa boa a esperar. De nada adianta levantar as mãos pro céu pedindo chuva, porque a terra está árida demais para que a semente brote.

O artigo Liberdade, o que é isso? Primeira parte tem dois parágrafos apenas e começa assim: “Minha mãe gostava de passarinhos; só que presos em suas gaiolas! Se bem me recordo, ela chegou a ter umas vinte, de vários tamanhos – algumas adornadas. Em cada gaiola a minha mãe mantinha um pássaro solitário, ou, no máximo um casal de mesma raça. Juntas espécies diferentes dava confusão no poleiro. Ao todo minha mãe chegou a ter 50 pequenas aves de uma só vez; uma coleção de prisioneiros de dar inveja à Delegacia do bairro. […]”.

O segundo parágrafo do artigo Liberdade, o que é isso? Primeira parte assim começa: “Nunca vi uma cria nascer, muito pelo contrário, de vez em quando aparecia um passarinho morto no fundo da gaiola com as duas perninhas para o alto, totalmente imóvel – às vezes nem o sexo dele era identificado. Também não dava tempo pra juntar formiga porque era imediatamente providenciado funeral do pássaro (enrolado num pedaço de papel higiênico marca Tullet) em um canto qualquer do nosso quintal, com direito a um breve choro da velha. No dia seguinte já havia outro pássaro ocupando a mesma gaiola que ficara vazia por pouco tempo. […]”.

Minha adorada e saudosa mãe tinha prazer em ver os pássaros presos, sofrendo, e, algum tempo depois planejava o funeral das aves. Ela não se importava se os pássaros cantavam ou não, simplesmente achava, na sua mente doentia, que os passarinhos representavam objetos de dominação. Eu não concordava com aquela situação; ver os passarinhos presos nas gaiolas por ordem exclusiva da minha mãe – uma decisão monocrática tomada no seio familiar, e ninguém poderia contestá-la. A grande verdade é que as aves se encontravam presas e o nosso quintal permanecia cinzento, as árvores paradas porque os galhos não se mexiam – os pardais e as pombas-rolas tinham fugido. Até o cão de estimação não era o mesmo, suas orelhas caídas, rabo entre as pernas, olhar de peixe morto, latidos não ouvíamos fazia tempo.

Num belo dia, lá por volta dos anos 70, talvez 1.971, sei que estava na FAB – Força Aérea Brasileira, eu acordei meio que atravessado e pensei: É hoje ou nunca; vou cometer um ato de heroísmo! Esperei a velha sair para a quitanda da dona Rosa, sorrateiramente eu me dirigi àquela exposição de gaiolas e abri todas as portas das “prisões”. Cena dantesca em todos os sentidos. Foi um alvoroço danado.

Saí de fininho daquela situação, vesti a minha farda e fui para o Esquadrão de Polícia da Aeronáutica. À noite, ao chegar em casa, encontrei a velha de cara emburrada, não respondeu ao meu cumprimento, permaneceu estática. Meu pai era vivo e não se meteu no problema, até porque o assunto não era o time dele do coração, o Botafogo.

– E aí mãe, o que tá pegando?

– Não sei, mas quero saber. Quando voltei da quitanda da Rosa encontrei todas as gaiolas abertas.

– Mãe, é fácil explicar, deve ter sido motim das aves, uma rebelião organizada, uma manifestação de indignação dos pobres passarinhos.

– Muitos fugiram!

– Mãe, uma pergunta direta: Quantos pássaros permaneceram nas gaiolas?

– Dos 32 passarinhos, apenas 8 não fugiram, mesmo com as portinholas abertas.

– Tá explicado mãe. Os 24 passarinhos que voaram para a liberdade conheciam a sensação de ser livre; os 8 que ficaram nunca experimentaram isso, demonstrando hesitação e medo ao colocarem os pés fora da gaiola!

Continua na Terceira parte…

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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