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Política

Alopradino, o filho boiola – Parte II

Alopradino, o filho boiola – Parte II

Eu posso até concordar com você, mulher, mas não é só isso, tem algo muito pior acontecendo. Nos últimos anos, Alopradino tem se deixado manipular por falsos amigos de trabalho. Ele não percebe que está sendo “usado” para fins obscuros, nada republicanos. Alguém lhe disse que ele era o “bambam”, o “fodão”, o “rei do pedaço”, o “malvado da turma”. O pior é que Alopradino acreditou nos elogios e partiu pra cima de todo mundo distribuindo malvadezas e perversidades, como um touro acuado na arena. Uma mistura de Nero com Calígula, psicopatas na essência. A sua vaidade só foi aumentando e sua cegueira é dada como certa. A falta de limites ainda vai colocá-lo em maus lençóis, numa enrascada danada, sem poder sair dela. As hienas estão na espreita!

É meu marido, eu me recordo que na escolinha Alopradino comia meleca durante as aulas, mas isso não era problema, muita gente também comia, como o técnico da Seleção alemã. O mais grave é que o nosso filho obedecia cegamente as ordens dos coleguinhas mais fortes do que ele, caso contrário… bem, não preciso dizer; quase todo dia tinha que lavar a calça do uniforme. “Vai lá Alopradino, vai lá e dá uma porrada naquele garoto”. Alopradino não pensava duas vezes, ía lá, e, ao invés de bater, apanhava como boi ladrão. Chegava em casa com os dois olhos roxos. A vantagem é que o boi ladrão não paga os custos do sistema.

Mulher, você acha, sinceramente, que o nosso filho, antes de ser enrabado pelo filho do vizinho, já dava o furingo para aqueles amiguinhos mais fortes da escola?

Não sei meu marido, mas as evidências são fortes. Fato é que temos que fazer alguma coisa pelo nosso filho, para a sua salvação, antes que seja tarde demais! O problema dele vai muito além de uma simples dor no CU; na verdade, a sua cabeça fraca e cheia de minhocas lhe tem provocado manias de perseguição.

Concordo mulher. Só que tem uma coisa. Os psicólogos e os psiquiatras com os quais estive na tentativa de marcar consultas para o Alopradino, mesmo implorando, eles me disseram ser impossível por conta da falta de vaga, por motivo de agenda cheia. Eu desconfio que, na verdade, eles não querem atendê-lo, depois que eu dei uma prévia da “doença psico-sexual”.

Olha só meu marido, eu não queria falar sobre isso, mas sou obrigada. Eu acho que deveríamos ter batizado o nosso filho com outro nome, e não aceitado a opinião dos padrinhos. Alopradino é demais pro meu santo! Além do mais está trazendo muito azar pra ele. Também não sei se Alopradino concordaria com a mudança de sexo, perdão, de nome, até porque a sua companheira já se acostumou. Soube que ela foi regiamente paga para se acostumar com outras coisas. Talvez venha algum apelido no aumentativo. Quem sabe ele concorde ou se acostume, afinal, não dá pra condenar tudo e a todos ao mesmo tempo. Os seus “coleguinhas” de profissão também foram agraciados com apelidos sugestivos. Tem um até que foi comparado a um bolo enrolado apreciado pelo capeta! Inferno à parte, só Jesus para nos salvar.

Pode ser mulher. Agora, mudar a sua forma física impossível nessa altura do campeonato – só se voltasse para o seu útero! O seu biotipo tem provocado apelidos de toda ordem, com os quais Alopradino não tem convivido normalmente. Ele deveria aceitar sem estresse, até porque as “semelhanças” não são meras coincidências – ou inverso.

Meu marido, falando sério, e com a devida compaixão, eu acho que o caso do nosso filho é incurável. Só falta agora ele praticar canibalismo com requintes de crueldade; todas as outras atrocidades já foram cometidas pelo Alopradino. Não falta mais nada!

Não quero assustar você, Rosa, minha mulher, deixá-la em pânico. O nosso filho Alopradino em algum momento vai se suicidar, tirar a própria vida. Segundo ele, os conceitos de “suicidar-se” e “matar-se” são diferentes, ainda que os impulsos sejam iguais. Entendeu? Seria nosso filho Psicopata?

Não entendi, Lewa, meu marido! Esque o Lewa, foi descuido.

Já te falei mulher pra não me chamar de Lewa, dá a impressão que eu estou “levando” alguma coisa. Deixa pra lá Rosa. Como Alopradino não tem como lutar contra toda a humanidade do Planeta Terra, só lhe restará o ato derradeiro, o de tirar a própria vida, ou melhor, restarão os dois atos derradeiros, o de se suicidar e o de se matar! Cometerá os dois ao mesmo tempo e ordem. Na cabeça dele tem fertilidade e criatividade de sobra. Só resta saber se o espírito dele seguirá para o Céu ou para o Inferno.

Continua na Parte III…

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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